quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Remédio para o ronco!


Quinta de Humor

Chega a uma cidadezinha do interior, já cansado do seu dia de trabalho, um vendedor medindo 2 metros e 10 centímetros de altura e extremamente forte, que precisa repousar e vai para o único hotel da cidade, mas que, infelizmente, não tem mais vaga.

O sujeito entra e fala: 
- Dê um jeito, por favor, que preciso dormir, nem que seja uma cama apenas. Estou muito, mas muito cansado e desde ontem não durmo!

O recepcionista responde:

- Olha, tenho um quarto com duas camas, onde está hospedado um sujeito que me disse que gostaria de rachar as despesas com alguém. Mas tenho que avisá-lo, o sujeito ronca até não mais poder. Tanto que os vizinhos telefonam se queixando de que não conseguem dormir.

- Sem problema, fico com o quarto, preciso dormir!

O recepcionista apresenta os hóspedes um ao outro e diz que o jantar está servido, para quem quiser.

No dia seguinte, o vendedor desce ao restaurante para tomar café e, contrariando as expectativas, estava bem disposto.

O recepcionista pergunta:

- O senhor conseguiu dormir?
- Sem problema!
- Mas os roncos não o atrapalharam?
- Nada! Ele não roncou nem por um minuto.
- Como assim?
- Bom, foi simples. O sujeito já estava dormindo quando entrei no quarto. Então me aproximei da cama dele e beijei a bunda dele, dizendo: boa noite, coisinha linda... E o sujeito passou a noite toda sentado na cama me olhando assustado, com medo de dormir...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

"Bem-aventuranças do Poder"

Foto: "Bem Aventurados", de Iris

Outros Autores

Bem-aventuranças do Poder

Frei Betto


“Bem-aventurados os que governam para que todos tenham pão, paz e prazer, e
transmutam antigas estruturas na multiplicação da fartura;

Bem-aventurados os que governam com o coração, livres de maquiavelismos e
macabras intenções, servidores públicos de anseios, direitos e utopias;

Bem-aventurados os que governam sob a arte de saber ouvir e assinam
decretos e decisões sem tingir o papel de sangue;

Bem-aventurados os que governam conspirando a favor da maioria,
sonegando aos poderosos privilégios e honrarias;

Bem-aventurados os que governam para o bem comum, indiferentes
à própria imagem e felizes com a ira dos inimigos do povo;

Bem-aventurados os que governam em equipe e fazem da política
um grande mutirão democrático;

Bem-aventurados os que governam deixando-se governar pela população,
inabaláveis diante das pressões dos oligopólios e das corporações da ganância;

Bem-aventurados os que governam em favor da vida,
coibindo violências e reduzindo desigualdades;

Bem-aventurados os que governam impregnados dos princípios
evangélicos, boca e atos num único beijo.

Bem-aventurados os que governam em prol dos direitos humanos,
destituídos da lógica perversa que traz o dinheiro público num cofre
cujo segredo os pobres jamais descobrem;

Bem-aventurados os que governam sem apego ao poder, fazendo da própria vida
sacramento do serviço ao próximo, sobretudo aos mais necessitados.

Eis que eles estarão salvos, nesta vida, do purgatório dos medíocres, do inferno dos corruptos e do céu daqueles que cobrem de louvores os assassinos do povo."


E eu digo, em alto e bom som: AMÉM! Tomara que assim seja!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

"Dedique uma canção a quem você ama!"


Há diversas músicas que marcaram situações e momentos vividos, entretanto, não me lembro de nenhuma que seja assim decisivamente marcante, pelo menos as confessáveis!

Então, trago uma situação que me emociona até hoje e que diz respeito ao meu filho Lucas e a mãe. Ele tinha 5 anos e a escola de Educação Infantil, que frequentava, decidiu fazer uma homenagem às mães, com uma missa.  Num determinado momento da celebração, as crianças juntaram-se no altar e cantaram a música “Velha Infância”, dos Tribalistas.

O fato é que a emoção foi tão intensa e tão forte, que marcou para sempre. A mãe não se conteve e chorou copiosamente. O filho, ao ver a mãe chorar, continuou a cantar, com lágrimas também descendo à face. Depois da música se abraçaram demoradamente. E, a partir daquele momento, por vontade espontânea de ambos, aquela música ficou eternizada como sendo a música dos dois. E até hoje, onde quer que ouçam “Velha Infância”, um dos dois logo  procura o olhar do outro e verbalizam: “olha a nossa música!”.

E eu entendo o tamanho do amor que anunciam!

Velha Infância

Tribalistas

Composição: Arnaldo Antunes/ Carlinhos Brown/ Marisa Monte


Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...
Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...
Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...
Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...
Você é assim
Um sonho pra mim
Você é assim...
Você é assim...
Você é assim...
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Penso em você
Desde o amanhecer
Até quando me deito
Eu gosto de você
Eu gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor.



Esta postagem faz parte da
Blogagem Coletiva proposta pelo Espaço Aberto
cuja temática é "dedique uma canção a quem você ama!".

sábado, 25 de setembro de 2010

O Nome do Filho

 
Foto: "Ups... desculpa!", de Isidro

O nome fora ouvido em algum lugar, do qual não se lembrava mais. E era mesmo mágico pronunciá-lo! Quanto esplendor! Quanta pompa ensejava! E ela, no seu nono mês de gestação, não parava de perambular pela vizinhança, soprando, nos ouvidos disponíveis, aquele nome fabuloso! Era assim que queria batizar o filho que chegaria em breve! E era também assim que colhia as opiniões, aproveitando-se, com esperteza, para ajudar que gravassem a pronúncia correta. A rua inteira já participava daquela "enquete"!

Tudo havia sido cuidadosamente verificado: a pronúncia e a escrita! Nada lhe escapara. Karl-Heinz Rummenigge! Esse era o sonhado e adorado nome! Karl-Heinz Rummenigge de Souza! Coincidentemente ela e o marido assinavam Souza, embora fossem de famílias distintamente de origens diferentes.

E a vizinhança até que se acostumara às investidas daquela mulher. Não era o primeiro filho! O casal já tivera outros dois, uma menina e um menino. E, claro, os nomes eram comuns, nada sofisticados. A menina chamava-se Ângela, em homenagem à avó materna e o menino chamava-se Paulo, em homenagem a São Paulo, de quem a  avó paterna era devota!

Se nas outras vezes não pudera fazer valer a sua vontade, desta não escaparia. Na primeira fora sua mãe a exigir que homenageasse a avó e na segunda a sogra não deixou por menos.

Karl-Heinz Rummenigge! Ela adorava esse nome. Já havia bordado babadores, viramantas, toalhas e mantos, aos montes. E o mais incrível é que ela nem dava notícias sobre quem fora aquele alemão que tinha aquele nome. Somente a cinco dias do parto é que um vizinho resolveu intrometer-se na conversa das comadres e informou  que se tratava de um ex-jogador de futebol da alemanha. Fez grandes elogios, dizendo tratar-se de um verdadeiro craque da bola.

Mais convicta ela ficou. Craque? Então meu filho terá o nome de um grande homem! E ela estava tão decidida e entusiasmada que sequer partilhava com o marido os seus desejos. Na verdade a gravidez, depois do quarto mês, provocou o afastamento do casal. Ela não suportava o cheiro de suor do marido. Dava náuseas intermináveis. Ele, matuto de pouca prosa, também não se incomodou com aquilo, mesmo porque, pensava ele, "mulher prenha num tem jeito de bolinar". E, nós aqui bem sabemos, casal que abdica do diálogo nem sempre encontra harmonia.

O parto foi natural, como os outros dois. "Ela é uma boa parideira", pensava o marido já calmamente fumando seu cigarrinho de palha.

O tempo foi passando e com ele vieram alguns "carinhosos" apelidos. A avó chamava o pequenino de "Kazinho", a outra avó, para ser diferente, chamava de "Ruguinho". Os vizinhos ora optavam por um, ora por outro. Nome difícil aquele.

Ela, no entanto, não arredava mão da pronúncia correta e completa: Karl-Heinz Rummenigge. O "Souza" sempre ficava para segundo plano, esquecido na pronúncia. Ainda assim, havia um brilho nos olhos, de orgulho extremo, e a cada visita, "estufava" o peito para dizer em alto e bom som: Karl-Heinz Rummenigge!

Chegou o dia de registrar a criança. Ela foi logo despachando o marido:
- Vá logo homem! Não quero que passe muito tempo sem o registro.

Ele, com toda a calma do mundo, típica de um matuto tranquilo, respondeu  entremeando o cigarrinho de palha nos lábios, molhando e enrolando o "pito":
- Tá bom! Eu vou. Mas eu num sei dizer o nome não! Você vai ter que escrever no papel aí, senão vou fazer confusão. O nome é danado de difícil.

Assim feito, lá foi ele cumprir sua obrigação! E os dias foram passando. Visitas chegando. Família se reunindo. E os apelidos, para contrariedade dela, já formavam uma grande lista. Havia o Kazinho, o Kaka, O Ru, o Ruguinho e tantos outros. Até piadinhas já faziam:
- Heins?
- Quehins?

Num domingo, com família reunida, aí é que os apelidos soavam alto! A própria mãe já aceitava o simples Rummenigge. Aí ele, o marido, já não aguentando a situação, resolveu que devia acabar com aquela confusão toda. No meio da varanda da casa, na cabeceira daquela enorme mesa, ele se levantou, pigarreou e soltou a bomba:

- Olha pessoal, eu até acho bonitinho os apelido que ocêis colocaram no moleque. Cada um falando de um jeito, cada um inventando uma forma, mas eu acho melhor ocêis acostumarem a chamar ele pelo nome, senão depois não vai ter mais jeito.

Ao tempo em que falava, a mulher sorria, orgulhosa. Finalmente alguém iria dizer o que precisava, sair em sua defesa. Nem chegou a avançar em pensamentos, enquanto ele continuava:

-  Olha gente, é sério mesmo! Acho melhor a gente mudar isso logo. Todo mundo deve se acostumar a chamar o molequinho pelo nome dele e não esses apelidos aí, que ocêis arranjaram. Melhor acostumar. O nome dele não é esse tal de "Cal" ou "Rumenigue". O nome dele de registro é Izaac! Izaac de Souza Filho!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Imagens e Humor II

 Quinta de Humor

Como baixar arquivos com internet lenta


Um cupido relapso



Desespero absurdo!


Homem irresistível!


Vingança  tecnológica

Escolhas difíceis


Fissuradas em PC


Tadinho!



Viagem insólita

Boa quinta a todos!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Quem é o seu amante?!

Foto: Os Amantes, de Bruno Ferreira

QUEM É O SEU AMANTE?

Jorge Bucay - Psiquiatra e Psicoterapeuta Argentino


" Muitas pessoas tem um amante e outras gostariam de ter um.  Há também as que não tem, e as que tinham e perderam. Geralmente, são essas últimas que vem ao meu consultório,
para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro, dores etc.

Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança. 

Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: 'Depressão', além da inevitável receita do anti-depressivo do momento.
Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que não precisam de nenhum anti-depressivo; digo-lhes que precisam de um AMANTE!!!

É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho.

Há as que pensam: 'Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas'?! Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais. Aquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: AMANTE é aquilo que nos 'apaixona', é o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono, é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.

O nosso 'AMANTE' é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.

Às vezes encontramos o nosso 'AMANTE' em nosso parceiro. Também podemos encontrá-lo
na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto....

Enfim, é 'alguém' ou 'algo' que nos faz 'namorar a vida' e nos afasta do triste destino de 'ir levando'...

E o que é 'ir levando'? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.

Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão, de que talvez possamos realizar algo amanhã.

Por favor, não se contente com 'ir levando'; seja também um amante e um protagonista... DA SUA VIDA!

Acredite: O trágico não é morrer, afinal a morte tem boa memória, e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver... Por isso, e sem mais delongas, procure algo para amar...

A psicologia após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental: para estar satisfeito, ativo e sentir-se jovem e feliz, é preciso namorar a vida".
Texto atribuido ao Psiquiatra e Psicoterapeuta argentino, Jorge Bucay. 
Para saber mais sobre o autor, clique aqui!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"Selo Qualidade"


A adorável Déia, do "Rumo à Escrita",  presenteou-me com o “Selo de Qualidade”, mais uma vez numa demonstração de afetiva amizade. Gosto dos selos que recebo, não há como negar. Significa carinho. Significa ser lembrado. Significa cumplicidade, pertença, respeito, amizade. E, por isso mesmo, creio não precisar mais falar da Déia. Ela significa tudo isso. É um ser humano fantástico! Inteligente, sagaz, generosa, de bem com a vida, bem humorada e só faz espalhar sentimentos que impulsionam o melhor de cada um a sobressair-se ante os desafios cotidianos. Ela é sabedora da minha cumplicidade, do imenso respeito e igual admiração! Gosto tanto da Déia que, num mesmo parágrafo, tantas palavras foram repetidas, talvez com o intuito de reforçar, ainda mais, todo carinho, toda pertença tecida e referência que se tornou. Eu adoro você, Déia! Está valendo!

Nunca participei de uma brincadeira dessa natureza e, portanto, todos sabem bem pouco do Gilmar. Assim, optei por falar de coisas que já fiz ou estradas que já trilhei, apenas para ajudar a desenhar o perfil, já que o propósito é conhecer um pouco mais  quem participa. Então vamos lá:

1- Nasci numa cidadezinha do interior, Itaguara, onde sempre estive envolvido com ações da SSVP – Sociedade de São Vicente de Paula;
2- Trabalho na área educacional, numa instituição “comunitária”, há 24 anos;
3- Sou casado há 22 anos e tenho dois filhos, Lucas (15 anos) e Augusto (10 anos);
4- Já exerci atividades de Mestre de Cerimônias em eventos  públicos e particulares;
5- Sou apaixonado por pescarias, de qualquer tipo: lagoa, rio, pesque e solte e outros;
6- Meu time do coração é o Cruzeiro, desde o nascimento;
7- Sou graduado em Pedagogia, com Pós em Gerência de Empresas e Mestrado em Administração;
8- Dirigi, por aproximadamente 5 anos, uma Faculdade e uma Escola de Educação Básica, em Brasília-DF;
9- Viajo, a trabalho, praticamente todas as semanas, em praticamente todas as regiões de Minas, visitando Unidades Educacionais (Educação Básica e Ensino Superior).

Para também receber o “Selo Qualidade” e continuar a brincadeira, indico os blogs a seguir, lembrando, uma vez mais, que fiquem à vontade para declinar ou continuar. Fiquem à vontade, de verdade!

Eis os indicados:

1-     Ana Lúcia Porto, do “Entre um Café e um Bate Papo
2-     Andréa Berger, do “Construção & Desconstrução
3-     Clarice Ayla, do “Aprendiz...
4-     Cláudia Bonfim, do “Educação e Sexualidade
5-     Fúlvio Ribeiro, do “Reflexões
6-     Ilza Nobre, do “Aprendendo com as TICs
7-     Maria Ribeiro, do “Lusibero
8-     Mariza Shiochet, do “Mar e Brisa do Saber
9-     Rebeca e J. Cê, do “Pap-Pel de Papel

Meu carinhoso e fraterno abraço a todos!

sábado, 18 de setembro de 2010

Primeira Viagem de Avião

Imagem:http://causosdeminas.blogspot.com/


O sujeito, caminhoneiro trabalhador, que labutava ao longos dos anos, cortando estradas Brasil afora, viveu algumas cenas um tanto engraçadas.

Um grave defeito mecânico na carreta o obrigara a deixá-la numa cidadezinha bem próximo a Porto Alegre, lá no Rio Grande do Sul. O conserto demoraria uma semana, no mínimo.

Com saudades da família, resolveu que voltaria de avião. Nunca voara! Seria sua primeira vez! Um arrepio percorreu-lhe a espinha dorsal, retesando-lhe a nuca. Dava medo!

Todavia, mineiro dos bons, não se deixou intimidar! O perigo era o companheiro de todos os dias. Certamente, pensava ele, "andar" de avião não seria mais perigoso que enfrentar a estrada, as noites mal dormidas, o cansaço na boléia solitária, as ameaças de roubos e sequestros e a distância da família.

Uma semana, parado ali, o obrigaria a gastar um bom dinheiro. E ele era um tremendo "pão duro". Sua sovinice o impulsionara a voltar de avião, pois também teria que receber algum dinheiro nos próximos dias, resultado de uma negociação que fizera. Perder dinheiro era algo impensável. Era imperativo que voltasse!

No aeroporto já estranhou o movimento intenso, os anúncios engraçados na voz da "locutora em êxtase". E admirava aqueles "grandalhões" no pátio. O medo já não era tão intenso. Fora trocado pelo frenesi da ansiedade.

O voo estava lotado! Ele, como nada conhecia, fora alojado na poltrona do meio! O pior de tudo era que, por ser uma tarifa promocional, chegaria a São Paulo à noite e a viagem prosseguiria, num outro voo, para Belo Horizonte, ainda de madrugada.

Quando o avião levantou voo, ele viveu a pior sensação. Parecia que o "bicho" subia, mas ao mesmo tempo parecia querer descer. "Senhor do Bom Jesus", ele resmungava. "Fincou" os pés no apoio da poltrona, tomou com as mãos os apoios laterais, fez toda força do mundo, trancando a cara, até que o avião se estabilizou. Aí começou a se acalmar!

Na poltrona da janela, uma senhora idosa, com semblante de pura generosidade, o olhava com paciente ternura. Do outro lado, no corredor, um jovem com fones no ouvido, parecia nem enxergá-lo.

E assim foi, num céu de brigadeiro, a tranquila viagem, sem solavancos.

Vieram os lanches! A "aeromoça" serviu à senhora um suco e uma refeição rápida. O jovem aceitou um refrigerante e a refeição. Ele recusara tudo.
- Senhor! Não quer mesmo? Suco, cerveja? Nem mesmo uma água?

Nada! Ele recusara! Estava até com fome, mas não aceitou. O pior era suportar o cheiro da comida em ambos os lados. Que sofrimento aquilo! Dava água na boca de vontade!

Algum tempo depois, volta a comissária de bordo oferecendo suco, água ou outra bebida. A senhora ao lado pediu mais suco. O jovem preferiu água. Ele, mais uma vez, recusou. Estava com sede, mas recusou!

Mais algum tempo e o avião já inicia os preparativos para o pouso. Em alguns poucos minutos já estariam em terra.

Aquela senhora então não se conteve! A curiosidade falou mais alto e resolveu que devia fazer a pergunta:
- Vejo que é a sua primeira viagem de avião! Viu como é tranquilo? Agora, me perdoe, mas estou muito curiosa! O senhor não comeu nada durante toda a viagem! O senhor tem algum problema que o impede de comer?

Ele, já mais descontraído, triunfante ante a experiência de voar pela primeira vez, responde:
- Não senhora! Tenho problema nenhum não! Não comi porque essa comida que serviram deve ser cara demais! A moça nem falou o preço! Imagina na hora de pagar a conta? Deve ser um absurdo de caro!
- Meu Senhor! Não custa nada não! Tudo isso que foi servido, o senhor já pagou! Está tudo embutido na passagem que o senhor comprou!

Ele aí não aguentou! Uma sonora indignação foi exclamada!
- "Putamerda"! E eu tô morrendo de fome e de sede! Agora num tem jeito mais!

Não foi possível indiganar-se mais ainda. A contrariedade foi logo interrompida pelo comandante:
- Senhoras e senhores, aqui é o comandante. Fui informado, por nossos agentes em terra, que o voo que seguiria para Belo Horizonte não será realizado nesta noite, por problemas de manutenção da aeronave. Por favor, ao desembarcarem, recolham seus pertences e serão orientados, no saguão, pelo nosso pessoal de apoio.
- Só faltava essa! - Resmungou o pobre aventureiro!

Interrompido nos pensamentos pela descida brusca do avião, assustou-se com as frenagens inquietas, mas logo passou.

No saguão fora orientado a dirigir-se a um determinado hotel e recebeu um "voucher" para o jantar.

No hotel, a recepcionista o acolheu carinhosamente, com um largo sorriso na face.  Bateu a palma da mão em um "sininho" e logo um sujeito idoso de cabelos branquinhos aproximou-se, querendo tomar-lhe a pequena mala. Ele recusou-se a entregá-la. Aguarrou-a firme. Ainda assim, mesmo estranhando, não teve como impedir a companhia daquele senhor até o apartamento. Lá foi orientado sobre o uso da tv, do telefone e do banheiro, frisando que, qualquer pedido poderia ser solicitado no ramal 9. 

Após o jantar, retornou ao quarto e reparou no frigobar que estava repleto de guloseimas. Lá pelas tantas da noite, não conseguindo dormir, começou a devorar tudo que encontrava pela frente. A cama era macia demais e ele já sentia saudade da sua solitária boleia de caminhão. Saudade da poltrona, do cheiro de óleo, do barulho da estrada.

E, enquanto ruminava em pensamentos, não parava de comer e beber! Até "aquelas garrafinhas" de bebidas, que mais pareciam enfeites, ele esvaziou. Não restou nada! Depois, lembrou-se das orientações do "bom velhinho" e ainda pediu mais bebidas e petiscos.

No outro dia, pôs-se de pé bem cedo. Tomou café e apanhou a pequena mala de mão que carregava. Passou pela portaria, dirigiu um muito obrigado ao recepcionista e tomou direção da rua, onde a "van" já aguardava os passageiros daquele fatídigo voo.

Teve a impressão de que alguém o chamara pelo nome. Mas ali ninguém o conhecia, então continuou rumo à saída. Quando já se aproximava da porta principal, ouviu que o chamavam, mais alto e ainda acrescentaram o número do apartamento como sobrenome.

Não havia dúvidas. Era ele! Voltou-se, acenou afirmativamente e retornou ao balcão.

- Senhor! Consta aqui nos nossos controles que houve consumo no frigobar! O senhor precisa acertar essa conta!

O intrépido caminhoneiro, aventureiro de outros mundos, mesmo sem entender, pegou a conta que já lhe beirava a face e deu um pulo!
- Que isso moço! O senhor "deve de tá" enganado! É muito dinheiro! O pessoal do avião me deu aquele papel que entreguei na janta! Já tá tudo embutido! Já foi pago!  Tudo embutido! Isso aqui é dinheiro demais!

Pacientemente o recepcionista, ainda que com vontade de soltar boas gargalhadas, respondeu-lhe:
- Não, senhor! Aquele papel, o "voucher", era para o jantar ou lanche e hospedagem! O consumo é por sua conta! Não está incluido não!

A ficha caiu! Teria mesmo que bancar a conta! No avião, onde tudo era de graça, não quis comer. No hotel, onde tudo deveria ser pago, comeu tudo que queria. Sentiu-se ludibriado, mas como bom e honrado mineiro, pagou a conta e fez ali uma promessa:
- Num ando mais nesse tal de avião! Esse trem até que é bão, mas é caro demais! O povo enfia a mão sem dó. Cobra barato lá,  caro aqui. Não! Agora é que só ando de caminhão!

E lá foi ele, cumprir o restante da jornada, chegar em casa, rever  a família. E prometera a si mesmo que no resto da viagem iria comer. Porém, o que importava era a saudade da sua boleia que já apertava no peito. Não havia lugar melhor que aquele! E bem mais barato!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Um mundo das mulheres!


Quintas de Humor

Esta quinta do humor está diferente! Não sei se é engraçado a possibilidade de vir a acontecer ou se já acontece, faltando apenas o mágico toque feminino em alguns detalhes. O fato é que as imagens a seguir retratam outro tempo, ou seja, quando as mulheres dominarem o mundo (e já não dominam?)!

Imagens de um mundo dominado pelas mulheres!

1- Painel do carro

2- Semáforo "da" pedestre

3-"Trecos" de automóveis

4- Papisa?!!

5-Detalhes no relógio de parede

6- Tecnologia avançada

7- Moto estilizada

8- Pós modernidade

9- Esporte radical

10- Fórmula 1

11- Estacionamento exclusivo (e como!)

12- Money

13- Tecnologia adaptada

14- Multiuso ampliado

 15- Colorindo as nuvens


16- Ambientes exclusivos (com decoração)

17- Assédio violento

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Oração do Amanhecer

Foto: O amanhecer, de Nelson Drumond


 Ao visitar o "Rumo à Escrita", da minha querida amiga Déia, deparei-me com um texto de pura contemplação à vida, de comemoração à divina oportunidade de respirar cada novo dia! Um belíssimo texto, que sugiro, vale a pena saber (leia aqui).

Depois, um sujeito íntegro a quem aprendi a admirar, o Eder, do blog "Gotas de Prosias", fez um comentário que, além de pertinente, remeteu-me à "Oração do Amanhecer", cuja autoria é atribuida a São Francisco.

Comentei então com Déia que a publicaria hoje, neste espaço de "Outros Autores", mesmo que a autoria ainda carregue alguma dúvida. Ainda assim, vale a pena! 

Então, eu lhes ofereço, a Oração do Amanhecer!


Senhor!
No silêncio deste dia que amanhece, 
venho pedir-te a paz,  a sabedoria, a força.
Quero olhar hoje o mundo
com os olhos cheios de amor;
ser paciente, compreensivo, 
manso e prudente;


Quero ver meus irmãos além das aparências,
quero vê-los como Tu mesmo os vês,
e assim não ver senão o bem em cada um.


Cerra meus ouvidos a toda calúnia.
Guarda a minha língua de toda a maldade.
Que só de bençãos se encha o meu espírito.


Que eu seja tão bondoso e alegre, 
que todos quantos se achegarem a mim 
sintam a Tua presença.


Reveste-me de Tua beleza, Senhor, 
e que, no decurso deste dia,
eu Te revele a todos.

Amém.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Prêmio "Blog de Ouro"




Recebi o Prêmio “Blog de Ouro” de uma amiga muito especial, a Ester! Então, resolvi aqui reproduzir tudo o que eu disse a ela, em agradecimento, pelo presente.

Foi assim:  

Ester, Ester! Já lhe disse que meus primeiros passos na "blogsfera" foi justamente lendo-a, acompanhando-a?

Taí! Não sei como começou... Só o que me lembro é de que a Ester (ainda no Manifesto) foi lida, eu me encantei, fiquei "babando" com os comentários e ali mesmo "desenhei-te", resolvendo então que deveria abraçá-la e trilhar aquele caminho!

Foi admirando Ester que cheguei às blogagens coletivas. Foi comentando Ester que outras aproximações vieram. Foi aprendendo a gostar (e a gostar tanto!) de Ester que aprendi outros caminhantes do círculo de amigos que ela tão bem cuidava!

Então, minha "Maga", mais que amiga, ao receber qualquer "coisinha" vindo de você, seja uma "letra", uma "palavra", uma "frase"... qualquer traço já me envaidece e se aninha logo no coração! Receber um selo então (o primeiro eu peguei por conta do "tanto gostar", lembra?), me faz feliz. Modifica o semblante, pois provoca a alegria.

Recebo, com imenso orgulho, Ester. Nem sempre as palavras que se consegue pronunciar, aqui mais parecem balbuciadas, dão conta de exprimir os sentimentos e significância que de fato motivaram sua pronúncia. Elas não conseguem anunciar... Mas você sabe o que o homem, por trás delas, sente e o quanto lhe vale sua cumplicidade.

Meu carinho a você, Ester! Sempre!


O Prêmio, por ser assim especial,  precisa alcançar outros  10 blogs para também recebê-lo e devo ainda postá-lo aqui, com o link de quem o ofereceu. Muitos dos caminhantes que me ladeiam nesta estrada  merecem recebê-lo, entretanto, cuidei em oferecer a quem ainda não recebeu quaisquer outros presentes do Caminhar & Ruminar. São todos especiais e todos de enorme significância. Cada qual do seu jeito, cada qual com suas exuberâncias, com fragrâncias das quais me sirvo para aprender mais, saber mais e refazer-me melhor.

Quero ainda lembrar, como sempre o faço, que fiquem à vontade para acolher o presente, passar adiante ou recusá-lo. Fiquem à vontade e, de qualquer forma, é sempre oportuno agradecer-lhes a cumplicidade.

Os indicados são:
  1. Andrea Pagano - Andrea Pagano Blog
  2. Angela - Entremeios 
  3.   Chica - Coisinhas da Chica
  4. Eder Ribeiro - Gotas de Prosias
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Um forte e fraterno abraço a todos!

sábado, 11 de setembro de 2010

Escorregar é Pecado?!



Cidadezinha do interior acontece de tudo. Numa dessas cidades, bem perdidas no interiorzão de Minas, uma pacata população estava às voltas com alguns eventos da modernidade, como por exemplo, as relações extraconjugais.

E cidade pequena todo mundo dá notícia de tudo. Todo mundo sabe a vida de todo mundo! Sabia-se quem traia o marido e com quem e qual marido traía a esposa e com quem.

Com tantas incidências extraconjugais acontecendo, o padre, já velhinho, resolvera também inaugurar o novíssimo confissionário para as confissões individuais. A homilia, das missas do domingo, serviram para enfatizar os convites à "regeneração" dos cristãos.

E deu certo. Nas semanas seguintes as mulheres intensificaram a procura. E aí começou a acontecer um outro problema. Elas já iniciavam pelo pecado mais mortal. E diziam de forma escancarada:
- Seu padre, eu transei em traição, duas vezes nessa semana.
- Seu padre, eu "trepei", traindo, três vezes nessa semana.

E assim se sucediam os relatos. Um após o outro, nos mesmos moldes.

O padre, extremamente conservador e pudico, resolveu que tais palavras não deveriam ser ditas ali. Assim, a cada mulher que o procurava para confessar-se, ele recomendava que, a partir daquele instante, ela apenas mencionasse que havia escorregado. Se escorregara uma, duas, três ou mais vezes, bastava que dissesse quantas vezes havia escorregado. Frisou bem a palavra escorregar. Insistiu nela.

Cidade do interior também tem essa facilidade de adaptação, de acostumar-se com as coisas mornas, se bem que isso não era nada morno. Mas as pessoas acostumaram-se com a expressão que o padre solicitara. E o tempo encarregou-se daquele costume. Estavam tão acostumados que a cidade toda já sabia.

O padre, cada dia mais idoso e doente, veio a falecer. Uma multidão compareceu,  pessoas de todos os credos, inclusive das cidades vizinhas, onde também  o padre era muito querido. E, logo na mesma semana, a diocese já designara um novo padre, recém ordenado, para assumir a paróquia.

Logo na chegada já fora informado que o atendimento às confissões se dava todos os dias, além das missas e visitas à zona rural.

Mal o padre se posicionou no confissionário e já foi surpreendido:
- Seu padre, eu escorreguei três vezes essa semana.
- Mas minha filha, escorregar não é pecado.
- Não seu padre. É pecado sim. Me dá logo a minha penitência.

E assim sucederam-se inúmeras confissões. O padre, novato na cidade, decidiu que falaria com o prefeito sobre aquela situação. Ao longo dos dias observara as ruas mal calçadas, com pedras pontiagudas sobrando, buracos tomados por uma lama vermelha, prestes a tingir as roupas que ali repousassem. Becos, ruelas, chão batido, poeira... Definitivamente, a cidade precisaria ser melhor iluminada, assim as pessoas escorregariam menos. Foi o que pensou.

Ao procurar o prefeito, soube que estava em reunião com uma comitiva do governo, composta por deputados e secretários de Estado. E claro, todos os vereadores da cidade e cidades vizinhas também estavam no salão, numa confraternização. Ainda assim, foi convidado a entrar.

O prefeito, mesmo ressabiado, avistando-o, convidou para que se juntasse a todos. O padre, percebendo ali uma boa oportunidade para a conversa, puxou-o pelo braço e disse-lhe que precisava falar sobre as mulheres que andavam escorregando pelas ruas da cidade.

O prefeito, soltando altas risadas, não aguentou e chamou a atenção de todo mundo que ali estava. Era uma oportunidade que nenhum "politicozinho" perderia!
- Pessoal! Um minuto de atenção por favor! O padre, que acabou de chegar na cidade, disse que veio me procurar por estar preocupado com as mulheres que andam escorregando em nossas ruas.

E cairam todos na risada. Até mesmo os componentes da comitiva cairam na risada, pois  os "escorregões" foram, em outras confraternizações, assuntos de muitas e muitas piadas. Riram. E riram a valer!

Como não paravam de rir, o padre tomou o microfone que estava sobre o púpito e começou a falar. E falava sério. E quanto mais sério, sem saber porque, mais risadas arrancava daquela platéia indomável.
- Senhor prefeito! Eu venho aqui com a maior das boas intenções, fazer uma reinvindicação justa e o senhor me trata assim?! As ruas dessa cidade são mesmo mal cuidadas, estão esburacadas, muito mal iluminadas. Isso é até um caso de saúde pública, pois isso implica em gastos! E o pior, senhor prefeito, é que esse problema tem afetado principalmente as mulheres.

Pronto! Aí é que as gargalhadas aumentaram de verdade! As pessoas já estavam vermelhas de tanto rir. Batiam palmas. Batiam na mesa! E riam, riam alto a valer.

O padre, já bravo, não se conteve. Era mesmo inadmissível e repugnante  o escárnio sofrido.
- Senhor prefeito! Não vou mais tocar nesse assunto. Isso é responsabilidade do senhor. Mas veja bem o que vou lhe dizer. O senhor, como muitos dos senhores aqui presentes,  como muito dos senhores vereadores, inclusive das cidades vizinhas... É, parece que o problema não pertence somente a esta cidade. Pois bem, todos vocês, ouviu senhor prefeito, todos correm um grande risco na própria família. A sua esposa, inclusive, escorregou nas últimas três semanas e nesta semana já foram três escorregões! O senhor está avisado.

Silêncio total

Conto adaptado

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ruídos nas Informações

Foto: Rui Soares


Quinta de Humor



É muito comum as interpretações equivocadas, feitas por “escutas imaginárias” ou percepções distorcidas. Dois casos aqui ilustram bem o assunto. No primeiro, inclusive, há um duplo ruído e o segundo demonstra o quanto a fofoca pode ser surpreendida.

I -  Um velhinho tarado

Aquele velhinho cismava que a idade não o alcançara em perda de ânimo e apetite sexual. Estava sempre batendo à porta do médico, no posto de saúde, solicitando vitaminas e outros “energéticos”.

Certo dia, nem reparou na superlotação do posto de saúde, com atendimentos apressados e uma correria só. O médico, que sempre lhe atendia, já estava quase “neurótico”, tamanha pressão dos populares.

Ainda assim, lá foi ele. Bateu à porta e foi logo entrando.
— Seu Doutor, hoje o assunto é grave! É que arranjei uma namoradinha, bem novinha, dessas bem “fogosa” e preciso demais de um “remedinho azul”.
Mas o senhor, com a sua idade, não pode ficar tomando tais remédios não. Sua pressão não permite! Depois dos 80 é sempre um risco! Melhor não facilitar. Precisamos pensar em outro procedimento, talvez alguma vitamina elaborada especialmente para o seu perfil clínico.
Nisso tudo a confusão só aumentava lá fora. E, na correria, nem bem o velhinho perguntou o que poderia ser então e o médico, tentando ganhar um tempo, já foi logo dizendo:
O senhor come pão de queijo. Faz bem à saúde e pode ajudar. Isso. É isso. Come pão de queijo e volta aqui depois de amanhã. Aí conversaremos direito.
E saiu para os atendimentos.
Nisso o velhinho saiu resmungando. "Será que pão de queijo faz o "negócio" ficar duro? Será que endurece mesmo? Nunca ouvi falar disso não, mas isso não é coisa prá discutir".
Assim, tentando entender, já correu para a primeira padaria e foi logo pedindo:
Minha filha, me vê aí 40 pães de queijo!
A mocinha, sorrindo, já disse:
Xiiii! Vai endurecer a metade!
O velhinho nem pensou:
É mesmo? De verdade? Então me vê logo 80, que vou levar pra comer agora!


II- Confusão no Velório

Eram dois pescadores gêmeos. Um casado e outro solteiro. O solteiro tinha uma lancha de pesca já velha.

Um dia, a mulher do casado morre. E como desgraça nunca vem só, a lancha do irmão solteiro afunda-se no mesmo dia.

Uma senhora, dessas velhotas curiosas e fofoqueiras, soube da morte da mulher e resolve dar os pêsames ao viúvo, mas confunde os irmãos e acaba por se dirigir ao irmão que perdeu a lancha.

- Eu só soube agora. Que perda enorme. Deve ter sido terrível para você.

O solteiro, sem entender bem, explicou:

- Pois é. Estou arrasado. Mas é preciso ser forte e enfrentar a realidade. De qualquer modo, ela já estava muito velha. Tinha o traseiro todo arrebentado, fedia a peixe e vazava água como nunca vi. É verdade que ela tinha uma grande racha na frente e um buraco atrás que, cada vez que eu a usava, ficava ainda maior. Mas eu acho que o que ela não aguentou foi que eu, de vez em quando, a emprestava a quatro amigos que se divertiam com ela. Eu sempre lhes disse para eles irem com calma, mas desta vez foram os quatro juntos e isso foi demais para ela...

A velha fofoqueira desmaiou!


Uma ótima quinta, a todos!

Imagens dos Caminhos