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domingo, 20 de maio de 2012

MODELO FALIDO! Um Grito de Alerta!

Professor Augusto Ferreira Neto



O texto a seguir foi produzido, há alguns anos, pelo Prof. Augusto Ferreira Neto, um homem de valores inquestionáveis, de uma fé inquebrantável e que professava a verdade no seu cotidiano. Assim, mesmo depois de tantos e tantos anos da época em que o texto foi escrito, faço minhas as suas palavras. Concordo inteiramente com o Mestre, cuja fala permanece atual, resguardada a historicidade dos fatos! Afinal, vivemos no país dos absurdos, permitimos esse país dos absurdos... Mas, até quando?!



"Os pilares que deveriam sustentar a  democracia brasileira estão podres, bichados e corroídos. Os poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário envergonham a nação pelos sucessivos escândalos que cometem, revelando concessões espúrias, corrupção de toda ordem, apadrinhamentos aéticos,  jogadas de interesses, mordomias, nepotismos, decisões e legislação em causa própria, deixando a nação estarrecida. 

O que deveria ser o nosso maior motivo de  orgulho se transforma em nossa  maior decepção e pesadelo.

O povo perdeu a  fé nas instituições públicas maiores de nosso País. A respeitabilidade ruiu!

 Diante deste quadro desalentador, ninguém tem mais esperança de que algo de novo possa acontecer  para  mudar o rumo dos acontecimentos. É lastimável!

Hoje, mais do que ontem, é puríssima verdade a pecha que nos impunha  o General Charles de Gaulle, o nobre  estadista francês:  “O Brasil não é um País  sério”. 

A Revista VEJA  se tornou o veículo impresso de maior circulação semanal no País  simplesmente fazendo desfilar  semanalmente, por suas páginas, um escândalo envolvendo autoridades de um dos poderes da República!

O Judiciário moroso e nepotista,  vendendo sentenças e acobertando membros flagrados em deslizes, numa ação permanente de corporativismo auto-protetor  que deixa enojado o povo brasileiro diante desse terrível lamaçal. 

O caso Medina e dos Procuradores da República no Rio, os desvios na construção do Tribunal de Justiça em São Paulo, a contratação de parentes permeando o sistema judiciário  em todos os seus níveis e instâncias são pequenas amostras do que está ocorrendo no seio do judiciário, que deveria ser exemplo de integridade e respeito.

O STJ, composto por apenas 21 (vinte  e um)  ministros, anunciou no ano passado o projeto de construção  de sua nova e suntuosa sede  em Brasília, orçada inicialmente em 324 milhões de reais. Céus!!!

Que esperar do futuro de um País onde a sua Suprema Corte de Justiça não tem consciência crítica dos valores éticos e dos princípios cristãos de solidariedade social! A Nação está combalida e há milhares de necessitados esperando o  socorro da sociedade.

O Executivo com seus mensalões,  vendendo  “facilidades” para parceiros que bancaram campanhas políticas, ( Vejam a lista de beneficiários da Camargo  Correa)  em estarrecedores  crimes de lesa-Pátria. A operação Marcos Valério-José Dirceu-direção nacional do PT mostra muito bem a quantas andamos.

O Legislativo—carro-chefe da podridão nacional – líder absoluto em operacionalizar matérias em causa própria, deixando à deriva os verdadeiros e mais significativos  interesses da nação brasileira, mama na teta do Estado brasileiro com  polpudos salários que são engrossados com mil e outras vantagens que, se forem  arroladas tais como verdadeiramente são ( pois estão diligentemente camufladas  pela tecnologia aética do poder) deixariam a nação ainda mais estarrecida.

Na Câmara o nosso modelo nos impõe a avalanche de 508 (QUINHENTOS E OITO_) parlamentares. Cada um trazendo consigo uma multidão de assessores e  técnicos: todos sedentos para mamarem na mesma teta; um verdadeiro “batalhão do apetite insaciável”, alguns dos quais só para entrarem nas folhas de pagamento, mas continuarem em casa como foi revelado que acontece com  a filha do Fernando Henrique. E todos sabemos que ela  não é um caso isolado. Serviu de “bode expiatório ” por ser filha do ex-presidente. E ainda vem, por cima de tudo isto,  o ilustre senador Cristovam Buarque propor o aumento do número de deputados para elegerem representantes de brasileiros que vivem no exterior. Assim já é demais! 

 Menos de 150 deputados bastariam para tocar bem melhor os  interesses do País, a um custo bem mais suave para os cofres da Nação. 

O pronunciamento-denúncia da corrupção presente no Senado Federal e respectivas   sugestões de mudanças feitas pelo senador pernambucano Jarbas Vasconcelos revelam os horrores da casa e os novos caminhos que deveriam ser perseguidos para reconquistarem a dignidade perdida e o respeito da nação brasileira. 

Os valores dos salários dos três poderes são propostos pelos próprios interessados. É uma mamata, pois o céu é o limite e na corrente deles vão as unidades estaduais e municipais, com governadores, deputados, prefeitos, vereadores, juízes entrando de sola no bolso do contribuinte, que somos todos nós. Há pouquíssimas exceções, só para justificar  a regra. Mas são um pingo de água num  oceano de lamas.

 A máquina estatal é morosa, ineficiente, corrupta e muito cara! A segurança pública, a saúde, a educação, a previdência social, deveres prioritários do Estado, estão todos à deriva. Padecem da mesma virose nacional. 

"”Quosque tandem Catilina, PATIENTIA NOSTRA abutere”

OS SALÁRIOS DOS GOVERNANTES DEVERIAM SER ESTABELECIDOS EM PLEBISCITO E DECIDIDO PELO PRÓPRIO POVO E VINCULADO PROPORCIONALMENTE  AO PATAMAR DO SALÁRIO MÍNIMO. SÓ SUBIRIAM OS DEMAIS SE O SALÁRIO MÍNIMO SUBISSE. 

Os deslizes dos  governantes deveriam ser julgados de acordo com o modelo de Júri Popular, que deveria ser blindado do tráfico de influência política, religiosa ou do poder econômico, por mecanismos confiáveis, dentre os quais a composição de seus membros por sorteios e em cada caso, integrado por brasileiros cujo passado e cujo currículo de integridade de caráter e de  honestidade possam ser submetidos a todo tipo de prova.

Uma Nova Constituinte, composta  só por notáveis e sem custo para a Nação, a não ser o de estada e de locomoção, deveria rever as nossas práticas, consultando inicialmente  o povo brasileiro para dele saber o que mais o aborrece e o enoja no poder constituído atual; fazer um levantamento minucioso de nossas mazelas, aberrações e desmandos e propor à Nação um novo modelo que possa coibir  todos os abusos e exageros atualmente praticados e recolocar o País nos trilhos da ética, da vergonha, da seriedade, conduzido por  uma  democracia ética e incorruptível de que o povo possa verdadeiramente dela se  orgulhar.

O ingresso nos cargos eletivos ou de gestão da coisa pública deveria ser precedido pela apresentação do candidato de uma certidão comprobatória da lisura e legitimidade na aquisição de seus bens, depois de passar pelo crivo rigoroso e minucioso de análise de sua procedência. O mesmo exame deveria ocorrer na exoneração, aposentadoria ou término do mandato, confrontando os valores de entrada e saída, rastreando bens de parentes e assessores mais chegados.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão consolados”.
 
Este grito de alerta é apenas uma semente. Um clamor em favor de nosso povo,  lançado no coração de nossa Pátria , pedindo as bênçãos de Deus para que nos ilumine e nos ajude a endireitar essas  veredas que estão por demais distantes de seus ensinamento, que são fundamentados na VERDADE e na  JUSTIÇA a serviço de cada irmão, sobretudo  do mais pobre, que não usufrui plenamente  de nossas riquezas e que não possui haveres suficientes  para pagar tamanhas aberrações."


Augusto Ferreira Neto
Foi Professor, Escritor,  Membro do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais, Presidente Estadual (MG) E Nacional da CNEC, Diretor de Recursos Humanos no Ministério da Cultura, Chefe de Gabinete na Secretaria de Estado de Minas, Consultor de Administração da UFMG, Membro do Conselho Editorial da Revista AMAE-Educando, entre tantas e tantas outras atividades.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Uma grande lição aprendida!

inesquecíveis! Três mulheres de firmes propósitos e ideais (Profª Maria Inês Brito, Tenente Lucimar e Cabo Coimbras)!

Gosto muito de ler o Cortella (Mário Sérgio Cortella)! O filósofo e educador sabe construir ótimas provocações reflexivas. Numa dessas falas ele discute a nostalgia e a saudade, fazendo crer que a nostalgia é a dor da volta, a dor daquilo que já se foi e continua doendo. Ele explica que um determinado médico alemão pegou duas palavras gregas antigas e as uniu: “nostros”, que significa volta, e “algo”, que remete à dor. Tudo isso porque, lá no século XIX, era muito  comum amputar algum membro do corpo, quando gravemente ferido e, tal como hoje, ocorrem relatos de pessoas que continuam sentido desconforto, coceira ou dor no membro que não existe mais. Assim,  ele afirma que o nostálgico amarga e faz sofrer, enquanto que a saudade faz alegrar, pois deixa fruir aquilo que se viveu. Nostalgia é melancolia, armadilha, âncora e saudade é a experiência da mudança,  alegria, raíz. Mas, afinal, por que um preâmbulo tão longo?  É que  hoje, revirando papéis velhos e limpando pastas antigas, deparei-me com uma singela mensagem que recebi de policiais/educadores do 8º Batalhão da Polícia Militar de Ceilândia, onde desenvolvíamos, em parceira, um magnífico projeto de alfabetização de adultos, conduzido pela professora Maria Inês Brito, uma educadora de referência ímpar. Assim, relembrando Cortella, nostalgia e saudade se misturaram, prontamente.

À ocasião, recebi da Tenente Lucimar e da Cabo Coimbras, em nome do Batalhão, uma das mais simples mensagens, mas talvez a de maior significado em minha trajetória educacional. Era um simples canudo de papel, contendo os dizeres  com alguns presentes agregados: uma borracha, um clipe, uma liguinha, uma vela, um bombom, uma semente e um lápis.  E eu, ainda sem compreender, fui aos poucos, em vão,  tentando  engolir a emoção e dispersar as teimosas lágrimas. Quando constatei então que as lágrimas eram coletivizadas na verdade dos propósitos partilhados, e que já não eram exclusivamente minhas, mas mutuamente pertencidas, então já não era mais possível me esquivar... Viver aquela mútua pertença foi, sem dúvida alguma, uma das mais significativas aulas que tive. Um aprendizado único e, por isso mesmo inesquecível. E, por isso, significa saudade pela mudança que provocou, mas também nostalgia, pela riqueza do projeto, em pouco tempo descontinuado.
Vale então a mensagem fielmente guardada!


"Gilmar, o mestre Amigo.

Obrigada por você ter feito parte da nossa equipe, ter nos apoiado com tanta dedicação. Queremos entregar-lhe essa lembrança, com uma mensagem diferente.

BORRACHA: para você se lembrar de apagar as tristezas, as indiferenças e as injustiças cometidas muitas vezes por aqueles que, não conhecendo sua grandeza, não entenderam suas limitações.

CLIPE: use para lembrar da importância de unir, juntar pessoas, pensamentos e situações, com muita sabedoria, assim como você fez muitas vezes no exercício da  sua função como líder.

LIGUINHA: é sempre bom lembrar a importância da flexibilidade perante constantes mudanças da vida. Nisso também você foi exemplo, um verdadeiro artista contorcionista resolvendo tudo com um jeitinho todo Especial.

VELA: deve ser usada para lembrar de nossa luz interior e de colocar clareza em nossas ações. Mateus (5:16), diz assim:  “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas obras e glorifiquem a vosso Pai que está no céu”. Você fez a diferença porque a sua luz interior demonstrou um grande brilho em nossa comunidade de Ceilândia.

BOMBOM: para dar sabor especial ao seu dia a dia, onde quer que você esteja, em qualquer momento de sua vida, que haja doçura.

SEMENTE: Nunca se esqueça da sementinha que você plantou no “Educs”, motivando-nos enquanto profissionais, nos ensinou com gestos simples a compartilhar mais e semear amor.

LÁPIS: representa um instrumento que você utilizou para deixar registrado um pouco da sua história em nossas vidas, como exemplos que ficarão para sempre, marcados em nossas lembranças, para que possamos continuar nosso trabalho seguindo o seu exemplo de amor ao próximo e solidariedade.

Que Deus te abençoe abundantemente. Nunca se esqueça de nós, pois jamais nos esqueceremos de você.
Um forte abraço da equipe 'Educs' - 8º Batalháo de Ceilândia.

Ceilândia, 17 de agosto de 2007"