sábado, 30 de abril de 2011

Baú dos Caminheiros: Desforrar de Uma Fantasia

Quando estiveres sobre o meu corpo,
Plagies as ondas do mar, que tocam
Levemente e lambem os rochedos 
Que nele há...

Com tua boca, sorva, absorva 
Cada gota que teu toque me faz
Exalar, com ela explore em mim
Cada algar...

Com tuas mãos, divague, percorra
Cada protuberância do corpo
Que estás a um passo de amar.

Agora ficas ao longe, te peço,
Olha-me, observe como meu
Corpo está...vejo em teus olhos
Cobiça, sede, avidez no olhar;
Mas agora não quero mais.

Esta noite não dormirás em paz,
Recordarás lamentavelmente
Do que uma mulher é capaz.

Eis aí uma pessoa muito especial! Mila escreve com a doçura, o ardor e a sensualidade da alma feminina, por isso mesmo encanta, logo no primeiro encontro! E, além da poesia encantadora, ela também escolhe, com extremado bom gosto, as imagens que exalam poesia tanto quanto as letras gravadas!

Eu sou suspeito para tecer quaisquer outros comentários! Clique e conheça "Pensamentos da Mila"! Tenho a mais absoluta certeza de que também se encantará!


quinta-feira, 28 de abril de 2011

A coceira e o advogado !

Advogado


Quintas de Humor

Tiago era um alto funcionário da corte do Rei Akbar. Há muito tempo nutria um desejo incontrolável de “sugar”  os voluptuosos seios da rainha até se fartar.

Todas as vezes que tentou, porém,  deu-se mal.

Um dia, ele revelou seu desejo a Birbal, principal conselheiro e Advogado do Rei, e pediu que ele fizesse algo para ajudá-lo.

Birbal, depois de muito pensar, concordou, sob a condição de Tiago lhe pagar mil moedas de ouro, que aceitou o acordo.

No dia seguinte, Birbal preparou um líquido que causava comichões e derramou no sutiã da rainha, que o deixara fora enquanto tomava banho.

Logo a coceira começou e aumentou de intensidade, deixando o rei preocupado.

Médicos de todo o reino foram chamados, mas nada resolveram.  Birbal  então  disse  ao  Rei    que apenas uma saliva especial, se aplicada  por quatro horas, curaria aquela espécie  de coceira.

Birbal também disse que essa saliva só poderia ser encontrada na boca de Tiago, pois ele já havia realizado pesquisas, justamente buscando uma solução para o problema que afligia a rainha.

O Rei Akbar ficou muito feliz e então chamou Tiago que, pelas quatro horas seguintes, fartou-se em “sugar”, com vontade, os  suculentos e deliciosos peitões  da rainha. 

Lambendo, mordendo, apertando e passando a mão, ele fez o que sempre desejou.

Satisfeito, ele se encontrou com o advogado Birbal que queria receber o combinado. 

Com seu  desejo  plenamente  realizado  e  sua libido satisfeita, Tiago se recusou a pagar ao advogado e, ainda por cima, o escorraçou e zombou de sua cara, pois sabia que Birbal nunca poderia contar o fato ao rei.

Mas Tiago havia subestimado o Advogado Birbal. No dia seguinte, por vingança, Birbal colocou   o mesmo líquido na cueca do rei. E o rei naquela maior coceira...

MORAL DA HISTÓRIA: Você pode ficar devendo pro mundo inteiro. Mas nunca, nunca mesmo, pense em dever para um Advogado!!!

Uma ótima quinta a todos!

terça-feira, 26 de abril de 2011

O galo e a pérola


Curvo Semedo


 Outros Autores

Num monturo esgravatando,
Formoso galo aguerrido
Acha uma pérola fina,
Qu’havia um nobre perdido.
Por três vezes a escoucinha
Sem nela querer pegar,
À quarta, erguendo-a no bico,
Se põe a cacarejar.
Vêm logo algumas galinhas
Cuidando qu’era algum grão;
Mas vendo a pérola, tristes
Vão-se, deixando-a no chão.
Acaso passa um ourives,
E apanhando-a, alegre diz:
“É uma pérola fina!”
“Que belo achado fiz!”
“Homem”, lhe pergunta o galo,
“Tanto essa jóia merece?
Pois eu por um grão de milho
Te dera mil, se as tivesse.”
Pérola em poder de galo,
Que lhe não sabe o valor,
É como entre as mãos dum néscio
As obras de um sábio autor.

SEMEDO, Curvo. Fábulas. Mem  Martins, Europa-América, s.d., p.56

sábado, 23 de abril de 2011

Hoje tem aniversário!


  Primeira postagem do Caminhar & Ruminar! 23 de abril de 2010!

Construímos o aprendizado num plano de relações efetivas e afetivas, mediado por mestres, cuja memória ainda pulsam firmes em nossas vidas, colocando-se como referenciais do "SER". O legado de nossos mestres é constituído por atitudes assim, de admiração, respeito, carinho, reconhecimento, agradecimento, reverência, amizade, verdade e, com certeza, exemplo. Já dizia Confúcio, há centenas de anos: “Conte-me, e eu vou esquecer; mostre-me, e eu vou lembrar; envolva-me, e eu vou entender”.

A açaõ de educar, por vezes, confunde-se, metaforicamente ao plantio de uma árvore gigantesca, centenária, que nossos olhos vêem crescer, mas não sabemos se verão florir nas próximas primaveras.Todavia, não hesitamos em semeá-las em cenários futurísticos, resultantes de nossa crença no ser humano, na otimização da sociedade e na consolidação de um mundo melhor, de pessoas melhores, que nunca mais serão as mesmas, porque criarão em si uma nova consciência e compreensão do pleno exercício da liberdade e da cidadania.

E o ato pedagógico que se evidencia no cotidiano não é tarefa fácil, posto que, exige disponibilidade constante, aceitação, capacidade de abertura a si próprio e a outrem e mais, exige compreensão do outro, como pessoa e enquanto coletividade. É portanto um ato de profunda relação de fé e afetividade, onde as relações educacionais impõem, a cada instante, uma permanente predisposição para o aprender-ensinar e para o ensinar-aprender. E será sempre assim, sem dúvida alguma, nessa constância de propósitos, servidos à luz da verdade e lealdade, que a excelência do que somos e fazemos se revelará reconhecida.


Assim nasceu o Caminhar & Ruminar! No dia 23 de abril de 2010, uma sexta-feira! E hoje, sábado, 23 de abril, celebra o seu primeiro aniversário!

É tempo então de agradecer a cada uma e a cada um que transitou por aqui, que se manifestou, comentou ou só espiou; que se fez cúmplice; que esteve de passagem ou demorou-se; que emprestou amizade e até um pouco mais... Tempo de agradecer a cada uma e a cada um que se dispôs a seguir o Caminhar & Ruminar!

Tempo de agradecer a cada um que se fez presença nesta caminhada! Agradecer, de coração, a cada uma e a cada um que ainda permanece cúmplice do Caminhar & Ruminar! Uma palavra apenas: obrigado! De coração, obrigado!

Visitarei, amanhã, domingo de páscoa, a cada um dos blogs que transitam por aqui para, mais uma vez, agradecer pelas pegadas demarcadas nesta estrada!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Baú do Caminhar: Blogar, Simplesmente!



Blogar, Simplesmente! 

Texto publicado em 01 de junho de 2010. Republico agora, propositadamente, em razão do aniversário do Caminhar & Ruminar, amanhã. E o faço porque traduz muito do que penso acerca do verbo blogar, aliás, como o próprio texto diz, ou seja, "conjugar o verbo blogar é desafiador e ao mesmo tempo hipnótico.

Gosto muito deste texto, principalmente porque transcrevo uma fala do JefhCardoso que é simplesmente magistral. Tomara que você também goste!



Dia desses, fui invadido pela curiosidade, após visitar um blog que acompanho e me deparar com um convite para a “2ª Blogagem Coletiva”, cujo tema era “Fotografe e conte a história”.

Blogueiro iniciante que sou, mesmo ressabiado, lembrei-me de um texto que publicara semanas atrás. Não contive o ímpeto e decidi que deveria viver a experiência.

Contatos feitos, ajeitei meu texto, inseri o ícone da 2º Blogagem proposta pelo Espaço Aberto e mergulhei na maratona. Visitei cada um dos blogs participantes, cinqüenta no total! Cada qual mais bonito que outro, recheados de efeitos, cores cintilantes, arranjos e layouts convidativos. Tanta vibração! Tantas vidas se misturando! Tanta gente, se fazendo conhecer e costurando relações de amizade e mútua cumplicidade!

O tema, único, revelou plurais compreensões e, em igual medida, múltiplas formas de expressão: poesia, prosa poética, crônicas, enfim, rimas e textos exuberantes, a explicitar sentimentos e verdades confessadas na virtualidade dos encontros.

Eu, navegante do instante, busquei em cada comentário postado, ser um pouco analista e sintetista, interpondo à racionalidade, grandes pinceladas de intuição, com a devida humildade para assumir o meu próprio tamanho. Ainda assim, insisti na consciência dual, buscando enxergar a mínima parte no todo e o todo na imensidão da parte. Só podia nascer encantamento!

Conjugar o verbo blogar é desafiador e ao mesmo tempo hipnótico. Ninguém melhor do que JefhCardoso para falar sobre isso:

“O Blog, á nossa maneira, á maneira do blogueiro amador, blogueiro por amor, não dá dinheiro; mas dá prazer. Isso sim. Quando bem trabalhado dá muito prazer. Quando elaboramos uma postagem nos percorre os sentidos uma onda de alegria. Somos tomados por uma euforia pueril. Tornamo-nos escritores ou escritoras que “parem” seus filhos; tornamo-nos editores; ou produtores; ou mesmo jornalistas, ainda que não o sejamos; tornamo-nos poetas e poetisas; contistas e cronistas; romancistas; críticos até. Queremos compartilhar o quanto antes aquilo que criamos. Criar é uma parte deliciosa do “blogar”; e blogar é a expressão máxima da democratização literária – e os profissionais que não façam caretas, pois, se somarmos todos os leitores de blog que há por aí divididos fraternalmente entre os milhões de blogs espalhados pelo grande mundo virtual, teremos mais leitores que Dan Brown e muitos clássicos adormecidos sob muitos quilos de poeira.
Postar é tudo de bom! Quando recebemos comentários o prazer é dobrado. Vem gente mais letrada que a gente, vem gente simples como a gente, vem gente nova e gente experiente; vem toda a gente; ou simplesmente não vem gente. Em meu caso, especificamente, quando não veio gente eu chamei as pessoas de meu convívio; ofereci um papelzinho do tipo convite com o link e fiquei esperando, ou então enviei o link por email; os amigos não me decepcionaram. (sorrio). A eles sigo muito grato. Pois se não são os comentários... Ai de nós blogueiros quando solitários! Confortamo-nos com a possibilidade das visualizações dos leitores tímidos”.

O Jefh foi  extremamente feliz neste texto! Conseguiu exprimir, com primazia, os sentimentos dos quais, todos nós blogueiros, somos tomados.

Penso que os comentários têm então a função precípua de precipitar a maturação da reflexão, do texto “apossado”. É um ponto de partida, sem o ponto de chegada. É o exercício da empatia no rompimento do isolacionismo, posto que, tudo está conectado.

Os comentários, necessariamente, devem consentir a ampliação do ser humano, que se direciona, na individualidade de cada um, para a autorealização e, claro, na virtualidade da coletivização em direção à inter-relação.

Não se trata, portanto, de conspirar ou rechaçar egoísticamente a pluralidade de manifestações. Antes, porém, trata-se de aprender a conhecer-se refletido no outro e apreender o outro como possibilidade de melhorar o ser que habita nossa simples alma de blogueiro.

Resta pois, voltar a cada um dos blogs, perscrutando leituras. Saber mais. Sorver mais. Saborear mais. E sem dúvida, uma vez dentro, comentar: concordar, discordar, acordar...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Japa Nervoso

Sumô


 Quintas de Humor

Um japonês entra num ônibus na rodoviária do Tietê em São Paulo e diz para o motorista: 

- Olha, eu estou indo só até Taubaté, mas como este ônibus está indo para o Rio de Janeiro e eu estou muito cansado, temo não acordar e passar do ponto, de forma que eu gostaria que o senhor me acordasse quando chegarmos a Taubaté.

- Não tem problema, eu te acordo.

- Tem mais uma coisa, disse o japonês. Quando eu acordo fico muito, mas muito mal humorado, de modo que, caso eu xingue, brigue, ou ofenda o senhor, recusando-me a descer, não me leve a mal e, se for preciso, pode até me jogar para fora do ônibus, contando que eu desça em Taubaté.

- Pode deixar comigo. Diz o motorista com um sorriso sarcástico. 

Só que, quando o japonês acorda, para sua surpresa, dá logo de cara com o Corcovado. Enfurecido, levanta-se e parte prá cima do motorista, esbravejando e xingando-o de tudo que é nome. Um passageiro, vendo tal cena, comenta com o colega ao lado: 

- Puxa, mas que japônes nervoso! 

Ao que o outro retruca: 

- Nervoso? Isso não é nada. Você tinha que ver o outro japonês que o motorista pôs prá fora do ônibus em Taubaté!

Uma ótima quinta a todos! 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Vaquinha no precipício

Vaquinha Vaidosa

 Metáfora da Semana

Um sábio mestre e seu discípulo andavam país afora, havia dias. Os pés, embora acostumados ao pedregulho da estrada, já clamavam por um pouco de sossego. Procuraram então, num lugarejo simples, onde descansar durante a noite. Avistaram um casebre rústico no alto de um morro e resolveram pedir abrigo para passarem a noite. Ao chegarem, foram recebidos pelo dono, um senhor jovem, mas aparentando mais idade, maltrapilho e cansado. Convidados a entrar, foram apresentados à esposa e seus três filhos.

Durante o jantar, o discípulo percebeu que a comida era escassa até mesmo para somente os quatro membros da família e ficou penalizado com a situação. Olhando para aqueles rostos cansados e subnutridos, perguntou ao dono como eles se sustentavam e sobreviviam, mesmo porque, naquele lugar não havia sinais de pontos de comércio e de trabalho. O pai daquela família respondeu:

- Está vendo aquela vaquinha lá fora? É dela que tiramos o nosso sustento com a ordenha do leite que consumimos e fazemos queijo. O pouco de leite que sobra, trocamos por outros alimentos na cidade. Ela é nossa fonte de renda e de vida. Conseguimos viver com o que ela nos fornece.

O discípulo olhou para o mestre que jantava de cabeça baixa e  como nada fosse dito, terminou de jantar, também em silêncio.

Pela manhã, o mestre e seu discípulo se levantaram antes que a família acordasse e preparavam-se para ir embora quando o mestre ordenou ao seu discípulo:

- Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali na frente e empurre-a, jogue-a lá em baixo.

O jovem discípulo arregalou os olhos assustado e questionou o mestre sobre o fato da vaquinha ser o único meio de sobrevivência daquela família, mas o mestre, calmamente replicou a ordem. E como percebeu que nada adiantaria ser dito, resignado foi cumprir a determinação do seu Mestre.

O discípulo indignado e contrariado, jogou a vaca precipício abaixo e ainda a viu morrer. Nunca mais se esquecera daquela cena triste.

O discípulo ainda sentia remorso pelo que havia feito e muitos anos mais tarde decidiu abandonar seu mestre e visitar aquela família. Queria contar o que houve, pedir perdão pela maldade e se redimir de alguma forma.

Assim fez, e quando se aproximava do local avistou uma casa enorme e muito bonita, com árvores floridas, com carros na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou triste e desesperado imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sítio para sobreviver, "apertou" o passo e chegando lá, logo foi recebido por um caseiro muito simpático. Perguntou sobre a família que ali morava:

- Você sabe para onde foi à família que vivia no casebre que havia aqui?

- Sim, claro! Eles ainda moram aqui, estão ali nos jardins. – disse o criado, apontando para frente da casa.
 
O discípulo caminhou na direção da casa e pôde ver um senhor altivo, brincando com três jovens bonitos e uma linda mulher. A família que estava ali não lembrava em nada os miseráveis que conhecera tempos e tempos atrás.

Quando aquele senhor avistou o discípulo, reconheceu-o de imediato e o convidou para entrar em sua casa.

O discípulo quis saber como tudo havia mudado tanto desde a última vez que os viu. O senhor então falou:

- Depois daquela noite que vocês estiveram aqui, nossa vaquinha caiu no precipício e morreu. Como não tínhamos mais nossa fonte de renda e sustento, fomos obrigados a procurar outras formas de sobreviver. Descobrimos muitas outras formas de ganhar dinheiro e desenvolvemos habilidades que sequer imaginávamos ou sabíamos que éramos capazes de fazer. 

E continuou:

- Perder aquela vaquinha foi horrível, mas aprendemos a não sermos acomodados e conformados com a situação em que estávamos. Às vezes precisamos perder para ganhar mais adiante. Foi um difícil e ótimo aprendizado.

Só então o discípulo entendeu a profundidade do que o seu ex-mestre o havia ordenado fazer.

sábado, 16 de abril de 2011

Baú dos Caminheiros: Onde

Imagem : http://images.google.com.br
 Baú dos Caminheiros: Valéria

ONDE

Numa noite como essa,
tudo o que eu queria
era estar em teus braços...
Mas, abraço o vazio, que você deixou.
E diante de tantos cansaços
da quase morte da esperança,
insisto em me perguntar,
desafiando sua indiferença...
Onde te encontrar?
Senão aqui...no meu coração
lugar que te dei morada,
ainda que por ti abandonada...
Onde você está agora...
além de em meus pensamentos,
que nessa imensa solidão
mais parecem tormentos...
ValériaC



A poesia de Valéria foi publicada em abril de 2010, poucos dias depois do nascimento do DolceAlgodão e coincidentemente, no mesmo mês em que nascia o Caminhar & Ruminar.

E esta é uma das poucas poesias em que a tristeza passeia pelos versos de Valéria. Aqui ela falava de solidão. A imagem, tão bem escolhida, também remetia à solidão. E, nos comentários, pairava no ar a compreensão da ausência provocando dores, mas também convidando a refazer-se, a recomeçar, a "reinaugurar" outros sonhos!

As poesias de Valéria "escutaram"... Ela canta o amor, de um jeito alegre e convidativo, que instiga e provoca despertamentos em quem passeia pelo DolceAlgodão e por lá se "lambuza" de encantamentos.

E o que dizer de Valéria?! Não é necessário o uso de superlativos... Basta dizer que é uma amiga muito especial! Tão especial que já anda de "sandalinhas" no meu coração! Sempre presente! 

Presença-viva! Não preciso dizer mais...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Taxistas

"Taxi???", de Ray Ross


Quinta de Humor
O taxista e o fanho

Um fanho entra num táxi.O taxista, como gosta de zoar, pensa:
- Vou zoar esse fanho.
Eles começaram a andar e o motorista diz:
- Olha que mulher bonita! Nossa, ela é um tesão!
E o fanho:
- Feia!
O motorista:
- Feia nada! Ela é gostosa pra caramba!
E o fanho:
- Feia!
- Que feia o quê!! Tá louco??? responde o motorista.
E o fanho:
- Feia!
O motorista que não estava olhando pra frente, bate em outro carro.
Então fala pro fanho:
- Você viu que eu ia bater!!! Por que não me avisou?
E o fanho:
- Eu ava entando alar az uma ora, feia, feia, feia, as ocê não me icuta....


Taxista novato
Uma senhora acabava de chegar no Rio de Janeiro e pegou um táxi, em direção ao hotel onde ficaria hospedada.

O taxista, por incrível que pareça, não disse quase nada durante a maioria do percurso, até que a senhora quis fazer-lhe uma pergunta e tocou no seu ombro. Ele gritou, perdeu o controle do carro e, por pouco, não provocou um terrível acidente. Com o carro sobre a calçada, a senhora virou-se para o taxista e disse:

- Francamente, eu não sabia que você se assustaria tanto com um toque no ombro!
- Não me leve a mal, senhora... É que esse é o meu primeiro dia como taxista.
- E o que o senhor fazia antes disso? - perguntou ela.
- Eu fui motorista de carro funerário por 25 anos!


 Taxista na porta do bingo

O cara foi para um bingo com 1000 reais. Jogou quase toda a noite sem ganhar um tostão. Quase manhã, com 5 reais no bolso, decide ir embora. No ponto de taxi, fala para o motorista:
- Por favor, me ajude a ir para casa. Só tenho 5 reais e estou com fome e frio.
O motorista responde de forma grosseira:

- Você acha que eu tenho cara de quem sustenta vagabundo? Vá se danar! Vá seu &*%$#@!!

Já que estava na roubada mesmo, ele decide voltar ao bingo e jogar o resto da grana. Na primeira rodada ganha 1.000 reais. Insiste e nas outras 3 rodadas fatura quase 10.000 reais. Mais que depressa, para de jogar e volta ao ponto de taxi. Chegando lá, vê aquele mesmo motorista lá no fim da fila. Decide se vingar dele. Arquiteta rapidamente um plano. Se vira para o primeiro motorista da fila e diz:

- Toma aqui 300 reais para você me levar até Osasco e mais 500 para me fazer uma “chupetinha”!

- Ora seu vagabundo, vá se danar! Seu &*%$#@! Sai daqui senão vou lhe encher é de pancada!

Ele então se dirige ao segundo taxista, faz a mesma proposta e recebe os mesmos insultos e ameaças. Faz isso então com um por um dos taxistas, sempre quase apanhando, até chegar ao último, que era o que havia lhe negado ajuda antes de ganhar os prêmios no cassino.

Com esse, ele foi generoso:

- Eu entendo que você não poderia mesmo me ajudar e foi até bom, pois eu voltei ao cassino e ganhei uma boa grana. Então, para lhe recompensar, toma aqui 200 reais para você me levar até Osasco e mais 200 para você passar por seus colegas sorrindo e dando tchauzinho!


Uma ótima quinta a todos!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Pensamentos são coisas

James Allen
"Pensamentos", de Joel Santos



Outros Autores


Assim como pensas, assim andas, assim caminhas.
Assim como amas, assim atrais.
Tu estás, hoje, onde os teus pensamentos te trouxeram;
Tu estarás, amanhã, lá onde os teus pensamentos te levarem.

Não podes escapar dos resultados dos teus pensamentos,
Mas podes suportar e aprender, podes aceitar e te regozijar.

Realizarás a visão (não os sonhos tolos) de teu coração,
Seja baixa, seja bela, ou ainda a mistura das duas;
Pois tu sempre gravitarás em torno daquilo
Que secretamente mais amas.

Em tuas mãos será colocado o exato resultado dos teus pensamentos.
Vais receber aquilo que mereces, mas não mais, não menos.

Seja qual for o teu ambiente atual,
Cairás, permanecerás ou te erguerás com teu pensamento,
Com tua visão,
Com teu ideal,
E te tornarás, então,
Tão pequeno quanto o desejo que te controla,
Ou te tornarás
Tão grande quanto a aspiração que te domina.

Texto extraído do livro "Desenvolvimento Comunitário - Princípios para a ação",
de Augusto Ferreira Neto e Sebastião Garcia, Editora Bloch, 1987, p.95

sábado, 9 de abril de 2011

Baú do Caminhar: Mãos de Educadores!


 

Mãos de Educadores! 

Texto publicado em 19 de maio de 2010, logo no início do Caminhar, quando ainda me perguntava por onde deviam ser os passos... Este foi um texto que escrevi e apresentei num Seminário de Educação Comunitária, ainda em Brasília.

Não há nada de extraordinário no texto. Ao contrário, é bem simples, mas guarda sintonia ao vídeo, que é magistral! Entáo, ainda na proposta de republicar alguns escritos, fica o convite: apenas imagine!


O vídeo de Ilana Yahav, uma artista que desenha na areia, sobre uma mesa de vidro, usando apenas os dedos e as mãos, confunde-se às "mãos" do educador... "mãos" que constróem a exuberância humana.

Mãos, que criam movimentos na areia viva, grão a grão, formando cenas e permitindo que a emoção ouse sussurrar o verbo encantar...

Mãos, que desenham o oceano humano e as peripécias das ondas, no constante movimento do aprender a aprender...

Mãos, que num mágico movimento, de areias lançadas, convidam nosso olhar ao redesenho do ser...

Então, imagine os movimentos das asas dos sonhos trazidos aos bancos da escola... dos sonhos que alimentam nossas crenças... nossos propósitos...

Imagine como o sol de cada aula acolhe, no diálogo do aprender, as vidas que se constróem nos gestos, olhares, sorrisos e afagos que o mestre empresta!

O sublime ato de educar "se identifica com o pensar e o refletir. E tanto o prensar como o refletir ocorrem a partir da construção do texto de cada um. Na verdade, ao pensar construímos dentro de nós um texto, um discurso, uma fala para dentro. Quando ensinamos, aprendemos, nós mesmos, a tomar posse de nossa reflexão, em nós ou no outro" (Carlos Abdalla).

Permita-se, antes, durante e depois das aulas mais cinzentas, ser pássaro, de asas brancas cor-de-paz, construindo gente... a cada dia... a cada instante!

Assim é você, educador: um grande artista da alma humana. Capaz de juntar cada grão de areia e dar-lhe vida, forma, cor e sentido! Suas mãos, Mestres, tecem o nascer do sol que faz respirar o amanhã!

Apenas Imagine!

 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Hoje não tem humor...

"Lágrimas de Sangue", de Nádia Seixas

Quem te enublou o peito em tão fúnebre luto,
e deu-te o coração tão acerbo fruto?
Por que afeiam teu rosto esses prantos a fio,
e dos teus olhos te mana esse abundante rio?
(...)
Quem te cravou no peito essas rijas espadas,
e as veias te fincou com flechas tão aguçadas?
Bem o sabes, meu crime é que fez essas chagas,
vibraram golpes ta is as minhas mãos aziagas!
(...)
Anchieta, 1988 

Hoje não pode o riso querer se libertar... Hoje não pode ser contada a piada, a tirinha engraçada, o "causo" alegre... O Caminhar & Ruminar também chora os sonhos ceifados; também partilha a dor e o pranto de pais e mães, de cujos filhos a vida foi covardemente roubada. O lugar onde se semeiam sonhos, a escola, sofreu o seu pior atentado! Foi manchada de sangue!

Hoje, ao procurar por uma imagem que simbolizassem as lágrimas de sangue, surpreendentemente, também encontrei os versos acima. E eles dizem muito! 

Hoje, o Quintas de Humor se veste de luto e recusa-se a pronunciar qualquer outra palavra! Basta a dor!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Pescaria Inesquecível!

Autoria desconhecida

Metáfora da Semana

Ele tinha onze anos e, a cada oportunidade que surgia, ia pescar no cais junto ao chalé da família, numa ilha no meio de um lago de New Hampshire.

A temporada de pesca só começaria no dia seguinte, mas ele e o pai saíram no fim da tarde para pegar peixes-lua e percas, cuja pesca era liberada. O menino amarrou uma isca e começou a praticar arremessos, provocando ondulações coloridas na água. Logo as ondulações se tornaram prateadas por causa do efeito da Lua nascendo sobre o lago.

Quando o caniço vergou, soube que havia algo enorme do outro lado da linha. O pai olhava com admiração enquanto o garoto habilmente arrastava o peixe ao longo do cais.
Finalmente, com muito cuidado, ele levantou o peixe exausto da água. Era o maior que já tinha visto, mas era um dos peixes cuja pesca só era permitida na temporada.

O garoto e o pai olharam para o peixe, tão bonito, as guelras para trás e para a frente sob a luz da lua. O pai acendeu um fósforo e olhou o relógio. Eram dez da noite – faltavam duas horas para a abertura da temporada. O pai olhou para o peixe, depois para o menino.

- Você tem de devolvê-lo, filho – ele disse.
- Mas, papai! – reclamou o menino.
- Vai aparecer outro peixe – disse o pai.
- Não tão grande como este – choramingou o filho. 

O menino olhou à volta do lago. Não havia outros pescadores ou barcos visíveis ao luar. Olhou novamente para o pai.

Mesmo sem ninguém por perto, o garoto sabia, pela clareza da voz do pai, que a decisão não era negociável. Devagar tirou o anzol da boca do enorme peixe e o devolveu à água escura.

A criatura movimentou rapidamente seu corpo poderoso e desapareceu. O menino desconfiou que jamais veria um peixe tão grande como aquele.

Isso aconteceu há trinta e quatro anos. Hoje, aquele garoto é um arquiteto de sucesso em Nova York. O chalé de seu pai ainda está lá, na ilha do meio do lago, e ele leva seus filhos e filhas para pescar no mesmo cais.

E ele estava certo. Nunca mais conseguiu pescar um peixe tão maravilhoso como o daquela noite, há tanto tempo. Mas ele sempre vê o mesmo peixe – repetidamente – todas as vezes que se depara com uma questão de ética.

Porque, como seu pai lhe ensinou, a ética é simplesmente uma questão de certo e errado. Apenas a prática da ética é que é difícil. Agimos corretamente quando alguém está olhando? Nós nos recusamos a passar por cima de regras para conseguir entregar o projeto a tempo? Ou nos recusamos a negociar ações com base em informações que sabemos que não devíamos ter?

Faríamos isso se nos tivessem ensinado a devolver o peixe para a água quando éramos jovens. Porque teríamos aprendido a verdade.

A decisão de fazer a coisa certa está vívida em nossas lembranças. É uma história que contaremos com orgulho a filhos e netos.

Não é uma história sobre como tivemos a oportunidade de derrotar o sistema e aproveitamos, mas sobre como fizemos a coisa certa e ficamos fortalecidos para sempre.
James P. Lenfestey
Histórias para Aquecer o Coração dos Pais
Editora Sextante

domingo, 3 de abril de 2011

Baú dos Caminheiros: Altruísmo

"Aprender...", de Hugo


Baú dos Caminheiros: Eder Ribeiro


"procuro saber para me saber
conhecer o outro para me reconhecer,
isolado tudo que reflete não me é espelho
por isso cabe-me conjugar o verbo ser
somente na terceira pessoa do plural
posto que a vida a sós me é singular;
faço de cada um, espelho!
não necessariamente para sê-lo
somente me é possível ser
tendo o outro como companheiro;
procuro conhecer sem a intenção da completude
saber-me incompleto faz me ver em vários,
o outro não me é contrário
e nem tão pouco o meu inverso
visto que cada um eu recebo com um amplexo;
o universo em sua infinitude
dá a dimensão do que me é necessário
ser-vos antes de eu ser
posto que se eu sou, nada sou!
mas vós em mim, eu deixo de ser...
somos plurais"

Publicado em 05 de julho de 2008, no Gotas de Prosias.


O meu amigo Eder fez essa bela homenagem à sua mãe,  ressaltando o altruísmo vivenciado no cotidiano, refletido pois no aprendizado de vida e na formação do seu caráter.


É como assinalou o Élcio Tuiribepi, ao comentar o poema: "... muito lindo o saber-se assim, às vezes incompleto, que é na verdade saber-se inteiro..."


E eu concordo com o Eder, posto que, saber-se incompleto permite ver-se nos outros, compreender-se nos outros e,  por vezes, revirar-se ao avesso na constante busca do próprio refazimento de si.


O Eder é uma das raras pessoas que sabem acolher com a generosidade do coração e que, por isso mesmo, qualquer um aprende fácil a admirá-lo, a querer sua amizade e a orgulhar-se da mútua pertença construida. Meu fraterno abraço, amigo Eder.


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sábado, 2 de abril de 2011

Um país de fortes contrastes!

Imagem retirada da reportagem do Globo Repórter

A semana foi marcada pela comoção do povo brasileiro em razão do falecimento do  ex -Vice-Presidente do Brasil. As mais diversas mídias repercutiram enfaticamente  o fato, ao longo dos dias. Não houve, creio eu, brasileiro que não desse notícia das faces emocionadas e vertendo lágrimas, tamanha a tristeza estampada.

Gente simples, comovida e devidamente retratada pelas mídias televisivas. Choros convulsivos, gritos de toda ordem e aplausos entusiásticos, flores, faixas, cartazes, dentre tantas e tantas manifestações.

Ainda sob o impacto de tamanha comoção, fui tomado pela repulsa ao assistir ao programa Globo Repórter, na noite de sexta-feira, onde uma matéria conduzida pela repórter  Graziela Azevedo, desnudava a “desgraça” a que se submetem, todos os dias, os brasileiros em busca de condições mínimas de saúde.

A cena, assustadora e dolorosa, levou-me às lágrimas. Incontidas lágrimas. Meu coração de pai não resistiu. Naquele leito de hospital, a pequena Ruth, de pouco mais de um ano, depois de quatro dias ali, mal conseguia respirar e  praticamente “jazia” ante a inércia da democracia; ante a maltrapilha cidadania. 

As cenas, fortes e dolorosas, podem ser acessadas no seguinte endereço:  (http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2011/04/mae-assiste-filha-morrer-por-falta-de-vaga-em-cti-infantil-no-para.html). No mesmo endereço o portal da globo retoma a reportagem, da qual transcrevo um pequeno diálogo entre a mãe e uma emocionada repórter:
“Márcia: Não sei se vou aguentar.
Globo Repórter: Calma. Como é que é o nome dela?
Márcia: Ruth.
Globo Repórter: Que idade ela tem?
Márcia: Um ano e três meses.
Globo Repórter: Ela chegou aqui já ruim assim?
Márcia: Ela chegou só com pneumonia, com uma febre e nada de eles darem remédio e deixando a menina piorar desse jeito.
Globo Repórter: Quanto tempo ela está aqui?
Márcia: Quatro dias.”

Enquanto o país chora a morte do ex-Vice-Presidente, já quase alçado a herói por sua tenacidade, vontade de viver e enfrentamento de um câncer, sofrendo e resistindo a mais de 13 intervenções cirúrgicas, além de tantos outros tratamentos específicos, este mesmo país assiste incólume, a cenas de horror, onde a miserabilidade do sistema de saúde impõe o "holocausto" a cidadãos de baixa renda, sujeitos às migalhas oferecidas pelo poder perpetrado por “engomadinhos engravatados”, larápios da dignidade e da cidadania.

É óbvio que também aplaudo a coragem e tenacidade de José de Alencar, todavia, ainda bem que ele não precisou utilizar nenhum recurso do SUS. Ainda bem que ele não precisou enfrentar quaisquer filas em hospitais públicos.  Ainda bem que não precisou dormir nas calçadas à espera de senhas. Ainda bem que não precisou contar com a “generosidade” de médicos. Ainda bem que haviam UTI’s disponíveis, remédios importados ou quaisquer outros e assistência de inquestionável competência... Ainda bem.  Ainda bem que, bem assistido, pode empreender benfeitorias públicas ao longo de sua vida... Uma pena, entretanto, é que Ruth não teve a mesma chance. Pouco mais de um ano de vida e, quando mais precisou do poder público, nada lhe foi permitido e a vida lhe foi ceifada, ou melhor dizendo, foi “surripiada”.

E esta é uma notícia que não dá “ibope”, não apraz às mídias a propagação. Não vende audiência! E é uma pena que a população deste país não se indigne a ponto de ocupar ruas, lançar ovos podres em políticos safados, gritar aos quatro cantos a dor que lhes sufoca, votar com a consciência ao invés da simples troca de favores e ocupar o lugar de heróis  que verdadeiramente são pela tenacidade em resistir aos desmandos e incompetências governamentais. É uma pena que a dor não alcance a compreensão de todo o povo,  de sorte a impor à “política tupiniquim” lições que deviam ser aprendidas no berço familiar, mas que, por conta de tanta ganância e impunidade, perpetuam em notícias de páginas policiais.

É... Somos um País de imenso contraste! Até quando nossas escolhas assim permitirão?!

Imagens dos Caminhos