terça-feira, 5 de abril de 2011

Pescaria Inesquecível!

Autoria desconhecida

Metáfora da Semana

Ele tinha onze anos e, a cada oportunidade que surgia, ia pescar no cais junto ao chalé da família, numa ilha no meio de um lago de New Hampshire.

A temporada de pesca só começaria no dia seguinte, mas ele e o pai saíram no fim da tarde para pegar peixes-lua e percas, cuja pesca era liberada. O menino amarrou uma isca e começou a praticar arremessos, provocando ondulações coloridas na água. Logo as ondulações se tornaram prateadas por causa do efeito da Lua nascendo sobre o lago.

Quando o caniço vergou, soube que havia algo enorme do outro lado da linha. O pai olhava com admiração enquanto o garoto habilmente arrastava o peixe ao longo do cais.
Finalmente, com muito cuidado, ele levantou o peixe exausto da água. Era o maior que já tinha visto, mas era um dos peixes cuja pesca só era permitida na temporada.

O garoto e o pai olharam para o peixe, tão bonito, as guelras para trás e para a frente sob a luz da lua. O pai acendeu um fósforo e olhou o relógio. Eram dez da noite – faltavam duas horas para a abertura da temporada. O pai olhou para o peixe, depois para o menino.

- Você tem de devolvê-lo, filho – ele disse.
- Mas, papai! – reclamou o menino.
- Vai aparecer outro peixe – disse o pai.
- Não tão grande como este – choramingou o filho. 

O menino olhou à volta do lago. Não havia outros pescadores ou barcos visíveis ao luar. Olhou novamente para o pai.

Mesmo sem ninguém por perto, o garoto sabia, pela clareza da voz do pai, que a decisão não era negociável. Devagar tirou o anzol da boca do enorme peixe e o devolveu à água escura.

A criatura movimentou rapidamente seu corpo poderoso e desapareceu. O menino desconfiou que jamais veria um peixe tão grande como aquele.

Isso aconteceu há trinta e quatro anos. Hoje, aquele garoto é um arquiteto de sucesso em Nova York. O chalé de seu pai ainda está lá, na ilha do meio do lago, e ele leva seus filhos e filhas para pescar no mesmo cais.

E ele estava certo. Nunca mais conseguiu pescar um peixe tão maravilhoso como o daquela noite, há tanto tempo. Mas ele sempre vê o mesmo peixe – repetidamente – todas as vezes que se depara com uma questão de ética.

Porque, como seu pai lhe ensinou, a ética é simplesmente uma questão de certo e errado. Apenas a prática da ética é que é difícil. Agimos corretamente quando alguém está olhando? Nós nos recusamos a passar por cima de regras para conseguir entregar o projeto a tempo? Ou nos recusamos a negociar ações com base em informações que sabemos que não devíamos ter?

Faríamos isso se nos tivessem ensinado a devolver o peixe para a água quando éramos jovens. Porque teríamos aprendido a verdade.

A decisão de fazer a coisa certa está vívida em nossas lembranças. É uma história que contaremos com orgulho a filhos e netos.

Não é uma história sobre como tivemos a oportunidade de derrotar o sistema e aproveitamos, mas sobre como fizemos a coisa certa e ficamos fortalecidos para sempre.
James P. Lenfestey
Histórias para Aquecer o Coração dos Pais
Editora Sextante

8 comentários:

  1. Gilmar, este texto deveria ser lido todos os dias para nunca mais esquecermos de devolver o peixe. Deixo o meu afeto.

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  2. oi. muit bom o texto. gostei muito. etica = honestidade. apareça por la. abraços.

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  3. Olá Gilmar,

    Excelente texto. Gostaria apenas que os pais dos nossos políticos tivessem ensinado seus filhos a devolver o peixe.
    Porque falta ética naqueles que foram eleitos para nos representar, que foram escolhidos para decidir os rumos das cidades, estados e nação. Isso eu lamento. Quando vejo escândalo atrás de escândalo protagonizado por essa gente sem ética, fico imaginando como tudo poderia ser diferente... Se os pais tivessem ensinado a devolver o peixe.
    Parabéns pelo texto!

    Beijos

    Carla

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  4. Gilmar,que beleza de história!Realmente esse menino tem um grande pai,pois aprendeu algo para toda vida!Adorei te visitar!Uma leitura que valeu a pena!Bjs,

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  5. Lindo texto Gilmar
    Sensível e honesto .
    Será que os pais estão ensinando a devolver o peixe?
    não é muito promissor o que vemos nos mares por onde navegamos...
    Aqueceu meu coração de mãe.
    Obrigada

    abraço

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  6. Olá, Gilmar
    Resolvi entrar aqui porque achei interessante a coincidência. Este belíssimo texto foi por mim adotado para o primeiro post de abertura de um dos meus blogs - HISTÓRIAS DE ENCANTAR.
    Isto demosntra bem o quanto gostei do texto, não é verdade?
    Aproveitei estar cá dentro:) para dar uma espiada.
    Gostei! Tanto que hei-de voltar, com mais tempo.
    Vou me fazer sua seguidora. Se quiser fazer o mesmo dar-me-á muito prazer.

    Uma semana feliz. Beijinhos

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  7. Gilmar

    Uma história emocionante, uma lição de vida para todos.

    Vivemos hoje na esperança de que os jovens possam ter de seus pais os mesmos ensinamentos.

    Beijos

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  8. Olá Amigo,
    Ótimo texto. Gostaria, se possível, de receber textos semelhantes em meu email, para trabalhar com os meus alunos no "Reforço Escolar". Sou professora aposentada, e continuo dando aulas de "Reforço." Muito grata, Nilma nilmasolange@yahoo.com.br

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