terça-feira, 27 de maio de 2014

História de Amizade

Metáfora




Numa aldeia vietnamita,  um orfanato dirigido por um grupo de missionários foi atingido por um bombardeio. Os missionários e duas crianças tiveram morte imediata e as restantes ficaram gravemente feridas. Entre elas,  uma menina de oito anos,  considerada em pior estado.



Era necessário chamar ajuda por um rádio e,  ao fim de algum tempo,  um médico e uma enfermeira da Marinha dos EUA chegaram ao local. Teriam que agir rapidamente,senão a menina morreria,  devido aos traumatismos e à perda de sangue. Era urgente fazer uma transfusão,  mas como?



Reuniram as crianças e,  entre gesticulações,  arranhadas no idioma,  tentavam explicar o que estava acontecendo e que precisariam de um voluntário para doar o sangue.



Depois de um silêncio sepulcral,  viu-se um braço magrinho levantar-se timidamente. Era um menino chamado Heng. Ele foi preparado às pressas,  ao lado da menina agonizante,  e espetaram-lhe uma agulha na veia. Ele se mantinha quietinho e com o olhar fixo no teto.



Passado algum momento,  ele deixou escapar um soluço e tapou o rosto com a mão que estava livre. O médico lhe perguntou se estava doendo,  e ele negou. Mas não demorou muito a soluçar de novo,  contendo as lágrimas. O médico ficou preocupado e voltou a lhe perguntar,  e novamente ele negou. Os soluços ocasionais deram lugar a um choro silencioso,  mas ininterrupto.



Era evidente que alguma coisa estava errada. Foi então que apareceu uma enfermeira vietnamita vinda de outra aldeia. O médico pediu então que ela procurasse saber o que estava acontecendo com Heng. Com a voz meiga e doce, a enfermeira foi conversando com ele e explicando algumas coisas. E o rostinho do menino foi se aliviando. Minutos depois ele estava novamente tranquilo.



 A enfermeira então explicou aos americanos:





  Ele pensou que ia morrer,  não tinha entendido o que vocês disseram e estava achando que ia dar todo o seu sangue para a menina não morrer.



O médico aproximou-se dele e,  com a ajuda da enfermeira ·perguntou:





  Mas,  se era assim,  porque então que você se ofereceu a doar seu sangue?



E o menino respondeu,  simplesmente:





  ELA É MINHA AMIGA...


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