sábado, 30 de outubro de 2010

Palavras desagradáveis


Imagens que falam (II)

A imagem de hoje é forte! É como um eco do provérbio chinês: “há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”.

Comentários “desagradáveis” também se vestem de subjetividade, ficando  à “mercê” de nossa capacidade de absorção, ou ainda melhor, compreensão.

As distorções são normais, triviais até! Difícil é lidar com elas!

A Psicoterapeuta e Filósofa , Adriana Tanese Nogueira, do blog Psicologia Dialética, discute a questão dos “Maus, antipáticos e desagradáveis”, numa abordagem bem mais abrangente e sobre um outro viés, mas ainda assim, tomo emprestado dois “pedaços” de seus argumentos”.

“Ser acusados, na cara ou pelas costas, de sermos ‘maus, antipáticos e desagradáveis’ é algo que fere a autoestima de qualquer um, e tem o efeito de baixar nossa imunidade psicológica, tornando-nos alvos passivos de qualquer crítica, mesmo quando infundada. Essa experiência de rejeição explícita à nossa pessoa é como uma ferida aberta que facilmente se infecciona, debilitando-nos para reagir pronta e saudavelmente perante os acontecimentos da vida”.
“Quando as críticas externas são construtivas mas dolorosas, a  rebelião interior frequentemente representa a tenacidade do ego encardido que não dá o braço a torcer. Mas se a crítica externa for baseada em estereótipos e estiver voltada para a criação e manutenção de um monopólio que nos exclui, a voz interna é o grito sagrado de justiça e liberdade. Se o recalcarmos, transformamos a crítica em cheque mate e permitimos estupidamente nossa derrota”.

Eu, particularmente, gosto do contraponto. Gosto de saber as outras versões e visões. Gosto da dialogicidade das diferenças. Então, reflexiva e empaticamente, proponho-me ao exercício do aprender a transigência. Dialogar com os limites aflorados.

Palavras ferem, é bem verdade! Machucam e dilaceram! Entretanto, em grande parte, talvez na maior parte das vezes, é porque encontraram no receptor algumas portas carcomidas pela fuligem, emperradas na autoestima e empobrecidas na madura consciência de si. Aí elas entram arrombando, fazendo um barulho ensurdecedor, sangrando fragilidades e cutucando, tantas vezes, a arrogância do revide frenético.

Então penso como  Eleanor Roosevelt quando diz que "ninguém pode fazer você se sentir inferior sem o seu consentimento", pois é isso que palavras desagradáveis podem provocar quando alguns “senões” não dão plantão.

Por vezes nosso senso crítico se perde no desmensurado volume de informações e contra informações que se impõem ao nosso cotidiano. Acometidos de tal ilegitimidade, as palavras não guardam o cuidado necessário e não mantém intactos os valores humanos, antes conservados. É nossa humana propensão ao equívoco. Quem nunca precipitou palavras?!

Não há receitas nem dogmas. Entretanto, cabe sim o exercício de maturação de si, numa prática revisionista de posturas e compreensões. Por exemplo, é preciso aprender a eliminar os preconceitos morais, éticos e sociais, sem o que, não haverá a compreensão plena do sentido de liberdade. É preciso respeito ao ponto de vista do outro. E é preciso, dentre tantas e tantas atitudes saudáveis às relações interpessoais, valorizar sempre os aspectos positivos da natureza individual, sem com isso ameaçar a intimidade dos outros ou paternalisticamente encobrir os defeitos.

E, para concluir, dizem que há sempre três lados numa discussão: o seu, o meu e o lado de quem está certo. Aqui ainda cabem incontáveis argumentos. Um dos propósitos da imagem é mesmo esse inconcluso despertamento.

É vez do seu lado se pronunciar... Fique à vontade!


Imagem: desconheço os direitos autorais. 
Ela foi escaneada de um quadro encontrado "num armário de escola", sem maiores informações.
Se alguém souber a origem, por favor, me comunique! 
Gostaria muito de dar créditos ao autor ou autora, pela relevância e significado da obra.

12 comentários:

  1. Respeito...uma palavra facil de escrever, pronunciar e utilizar.
    Esse seu post é maravilhoso Gilmar.
    Beijossssssssssss

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  2. Ainda não inventaram analgésicos que curem a dor desse tipo de machucado... por isso mesmo a considero entre o top 10 das piores dores que carrego. "Sou muito sensível às palavras!!!" Jal Magalhães

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  3. É meu querido amigo, realmente palavras tem poder ... que saibamos usa-las sempre com respeito para com o outro.... pois todos merecem.
    Beijos...
    Valéria

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  4. Olá, Gilmar
    A boca fala do que o coração está cheio...
    Todos deveríamos refletir esse seu post.... suas palavras...
    Tg 3 diz que a nossa boca pode bendizer ou amaldiçoar...
    Que sempre possamos proferir palavras de conforto... alívio... pois é dando que se recebe...
    Seja feliz e abençoado, meu irmão!!!
    Abraços fraternos e votos de paz interior.

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  5. quem sabe um grande abraço entre as partes não os façam sorrir!
    Tenho um duplix,feito com o amigo Elcio espero que goste,doçuras e travessuras
    Boas energias
    Mari

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  6. Gilmar, excelente post. Acredito, sinceramente, que a discordância é extremamente benéfica, desde que feita com educação, respeito e carinho. A discordância acontecerá por diversas vezes, somos pessoas diferentes, com pontos de vitas diferentes, mas até para colocarmos o nosso diferente ponto de vista, o devemos fazer sempre com carinho. Afinal que é dono da verdade?
    Um beijo

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  7. Gilmar, Hoje, mais do que nunca, esse texto causou muito ecos dentro de mim.Um beijo, Deia

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  8. Com certeza,as palavras são como facas que podem realmente ferir!Excelente texto!abraços,

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  9. Oi Gilmar,

    Com certeza as palavras surtem efeitos positivos e negativos, dependendo do que se pretende com elas. E nem sempre a conciliação é possível, após causar danos a outrém.

    Beijos e boa semana,

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  10. Gostei Gilmar
    Precisamos ter cuidado com as palavras , não com as opiniões .
    As palavras tem leveza e força , maltrata e acaricia.
    Gosto delas e de quem sabe fazer bom uso.
    grande abraço, obrigada pela singeleza sempre, de suas palavras.

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    Acho natural que cada um tenha a sua forma de pensar e agir.
    Ela pode coincidir com a de uns ou ser contrário. Essa discordância é construtiva, válida e é onde se cria a competição, a concorrência, a criatividade e a busca para que cada um possa fazer prevalecer a sua opinião, mas isso tudo mantendo-se o respeito.

    Beijos

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Fique à vontade!
Os comentários têm a função precípua de precipitar a maturação da reflexão, do texto “apossado”. É um ponto de partida, sem o ponto de chegada. É o exercício da empatia no rompimento do isolacionismo, posto que, tudo está conectado. É a sua fala complementando a minha. Por isso mesmo fique à vontade para o diálogo: comentar, concordar, discordar, acordar...

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