quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Loira na primeira classe



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Humor



Em um avião indo para Nova York, a comissária se dirige a uma loira sentada numa poltrona reservada, na primeira classe daquele voo, e pede para que ela se mude para a classe econômica, pois ela não tinha a passagem para aquele lugar que ocupava.
A loira replicou dizendo:

— Eu sou loira, eu sou bonita, estou indo para Nova York e eu não vou sair.

Não querendo abrir discussão desnecessária com a passageira, a comissária pede para o co-piloto para falar com ela.

E, com toda boa vontade, ele foi falar com a mulher pedindo que ela fizesse a gentileza de sair da primeira classe.

Novamente, a loira respondeu:

— Eu sou loira, eu sou bonita, estou indo para Nova York e eu não vou sair.

O co-piloto voltou para a cabine de comando e perguntou para o piloto o que ele deveria fazer.

O comandante lhe respondeu:

— Eu sou casado com uma loira e eu sei como lidar com isso. 

O comandante calmamente se dirigiu à primeira classe, abordou a loira e lhe sussurrou no ouvido algumas palavras...

Ela imediatamente pulou da cadeira e correu para o setor econômico resmungando para si mesma, sozinha e com cara de espanto:

— Porque ninguém me disse antes?

Surpresos, a comissária e o co-piloto perguntaram o que ele havia dito para a loira que a convenceu a sair tão rapidamente assim.

Ele disse:

— Eu disse a ela que a primeira classe não estava indo para Nova York!


domingo, 15 de fevereiro de 2015

O Amor Acaba




 Outros Autores
O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

Paulo Mendes Campos

Nota: texto extraído do livro "O amor acaba", Editora Civilização Brasileira – Rio de Janeiro, 1999, pág. 21, organização e apresentação de Flávio Pinheiro.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Incomode-se...

Meus Rabiscos

É difícil calar a voz, quando se aprende a falar...

Incomode-se quando não puder gritar contra as transgressões cotidianas.
Incomode-se com a letargia enxergada, nas pessoas e em si mesmo.
Incomode-se, sobremaneira, com a cabisbaixa postura daqueles que podem exercer mudanças, fazê-las acontecer.

Incomode-se em saber que se pode mais, quando, no entanto, o ânimo já desfalecido, não retumba, não faz ecoar ousadias.
Incomode-se com a palermice que chegou e não quer mais voltar.
Incomode-se com a falência múltipla dos sentidos de sobrevivência, que não têm mais o arrebatamento de outrora.

Incomode-se com a alegria não mais aguçada. 
Incomode-se com a procrastinação dos sonhos, antes tão decisivos e impulsionadores.
Incomode-se com a incerteza da escolha, na encruzilhada da estrada. 

Incomode-se com a angústia da sensatez que se mistura, no bojo das contradições, com orgulho ferido e maculado.
Incomode-se com o uso constante de muletas a amparar inconstâncias da lucidez.
Incomode-se quando blasfemar contra a própria história e não reconhecer os pilares erguidos no tempo.

Incomode-se ante os avessos que perturbam, fazendo-se verdades nos absurdos da incongruência.
Incomode-se quando não der conta de expurgar pensamentos revanchistas, enquanto o convite é para a festa da harmonia.

Incomode-se com o rufar dos canhões apostos, tingindo de sangue as amizades mal cuidadas.
Incomode-se com o "pântano enganoso das bocas", a surrupiar a autoestima.
Incomode-se com a carícia regrada, medida na rotina, sufocada na mornidade.

Incomode-se com a repetição dos equívocos, na covardia de não fazer o rompimento exigido.
Incomode-se em enxergar, pelo binóculo da experiência, o quão longe se vai o homem.
Incomode-se com a cegueira ante a proximidade dos desmazelos, dos "fast foods" diários.

Incomode-se com a timidez da fala, a malícia dos pensamentos e a recusa dos gestos.
Incomode-se com o conflito de fé, a minúscula entrega e a ardente sede de Deus, não saciada.
Incomode-se com os transtornos da humildade, a fragilidade da esperança e o contraste de valores.

Incomode-se com os olhares titubeantes, lançados às sombras de pensamentos dúbios, nefastos em sua essência.
Incomode-se com a própria imperfeição, tão evidenciada nas recaidas de decisões tomadas no auge da espiritualidade.
Incomode-se com este "rosário" de erros e defeitos, ainda não corrigidos, evidenciando o quanto a estrada é escorregadia.


Não se incomode, em tempo algum, com a estreita crença, com a utopia que nutre a alma, com a inatingível índole de conduta e com a inarredável postura ética... Não! Não se incomode! Talvez, se forem tão insistentemente validadas no cotidiano, as dores sejam menos intensas e as incomodações não passem de devaneios... meros devaneios.
Publicado originalmente em 04 de setembro de 2010

sábado, 7 de fevereiro de 2015

O Rio e o Oceano

Metáfora



Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo.
 
Olha para trás, para toda a jornada,
 
os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso
 
através das florestas, através dos povoados,
 
e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele
 
nada mais é do que desaparecer para sempre.
 
Mas não há outra maneira.
 
O rio não pode voltar.
 
Ninguém pode voltar.
 
Voltar é impossível na existência.
 
Você pode apenas ir em frente.
 
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
 
E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece,
 
Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano,
 
Mas tornar-se oceano.
 
Por um lado é desaparecimento
 
 e por outro lado é renascimento.
 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Terapia de Grupo do Mineirinho





 Humor
Quatro pacientes estão reunidos na sala, com o seu terapeuta.
O terapeuta pede que se apresentem, que digam qual é sua atividade, e comentem, porque a exercem.
O primeiro diz:
- Me chamo Francisco, sou médico porque me agrada tratar da saúde e cuidar das pessoas.
O segundo se apresenta:
- Me chamo Angelo. Sou arquiteto porque me preocupa a qualidade de vida das pessoas e como vivem.
A terceira fala:
Meu nome é Maria e sou lésbica. Sou lésbica porque adoro peitos e bundas femininas e fico louca só de pensar em fazer sexo com mulheres.
O quarto, um mineirinho, diz:
- Sô o Tunico, e inté gorinha achava qui era pedrêro, mais cabei de discubrí qui sô é lésbico... e dos bão!