quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Imagens e Humor III

"Máquina de escrever", de Edson Gil Santos Jr

Quinta de Humor

"Escritos" por aí, espalhados pelas cidades...

1- "Carregador" de doentes lá em Minas

2- Cão raivoso

3- Venda de cachorros especiais

4- Tecer ou teclar?!


5- Verdade absoluta


6- Descanso de quem?!

7- Benzedor dos "bão"


8- Carro que anda

9- Cassino no "terreiro"


10- Coisas de Minas

11- "Checão" checado


12- Garrafadas

13- Horário extraterrestre

14- Maldade de eleitor do Serra

15- Morte festiva

16- Recado explícito

17- Alimentação saudável


18- "Obviedade óbvia"

19- Propaganda enganosa

20- Juventude apressada

21- Ressurreição comprovada


22- Empresa solidária

Depois de tantos e tantos "escritos" mirabolantes, melhor ficar com a imagem de uma boa "prosa". Um papo cabeça! Nada a escrever!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ressurgir!

Foto: "Renascer para continuar", de Luisa Abreu


SOBRE RESSURGIR
Lucila Rupp de Magalhães



"Em vida quantas vezes morremos?

Morremos e ressurgimos. Sempre morremos em dor.
Dor da perda, dor da decepção, dor da traição, dor da incerteza, da insegurança, da rejeição e num sem-fim de dores. E quase sempre ressurgirmos em lutas e batalhas, crescendo e aprendendo.

A cada ação corresponde uma reação inversa e com igual força, diz uma lei da Física. Se se aplica ao caso, parece que aqui a reação é mais forte que a ação que a originou. Pode ser que ela nasça até mais fraca, mas se faz, pouco a pouco, mais forte. A próxima morte não será tão bruta. Não será tão violenta. Não será tão doída.

É uma grande esperança. Ao remexermos nossa caixinha de lembranças da vida, vamos encontrar muitas das nossas mortes e muitas das nossas ressurreições. É possível que para algumas das mortes nós não tenhamos dado a chance de ressurreição; gostamos de sofrê-las e não as deixamos emergir para dizimá-las com força da que existe em nós. Nesse movimento podemos aprender muito sobre nós mesmos e sobre como temos feito uso de nosso poder pessoal, no todo dia dos pequenos grandes acontecimentos."

Lucila Rupp de Magalhães é Mestre em Educação e
autora do livro “Aprendendo a lidar com gente”.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Remédio para o ronco!


Quinta de Humor

Chega a uma cidadezinha do interior, já cansado do seu dia de trabalho, um vendedor medindo 2 metros e 10 centímetros de altura e extremamente forte, que precisa repousar e vai para o único hotel da cidade, mas que, infelizmente, não tem mais vaga.

O sujeito entra e fala: 
- Dê um jeito, por favor, que preciso dormir, nem que seja uma cama apenas. Estou muito, mas muito cansado e desde ontem não durmo!

O recepcionista responde:

- Olha, tenho um quarto com duas camas, onde está hospedado um sujeito que me disse que gostaria de rachar as despesas com alguém. Mas tenho que avisá-lo, o sujeito ronca até não mais poder. Tanto que os vizinhos telefonam se queixando de que não conseguem dormir.

- Sem problema, fico com o quarto, preciso dormir!

O recepcionista apresenta os hóspedes um ao outro e diz que o jantar está servido, para quem quiser.

No dia seguinte, o vendedor desce ao restaurante para tomar café e, contrariando as expectativas, estava bem disposto.

O recepcionista pergunta:

- O senhor conseguiu dormir?
- Sem problema!
- Mas os roncos não o atrapalharam?
- Nada! Ele não roncou nem por um minuto.
- Como assim?
- Bom, foi simples. O sujeito já estava dormindo quando entrei no quarto. Então me aproximei da cama dele e beijei a bunda dele, dizendo: boa noite, coisinha linda... E o sujeito passou a noite toda sentado na cama me olhando assustado, com medo de dormir...


terça-feira, 28 de setembro de 2010

"Bem-aventuranças do Poder"

Foto: "Bem Aventurados", de Iris

Outros Autores

Bem-aventuranças do Poder

Frei Betto


“Bem-aventurados os que governam para que todos tenham pão, paz e prazer, e
transmutam antigas estruturas na multiplicação da fartura;

Bem-aventurados os que governam com o coração, livres de maquiavelismos e
macabras intenções, servidores públicos de anseios, direitos e utopias;

Bem-aventurados os que governam sob a arte de saber ouvir e assinam
decretos e decisões sem tingir o papel de sangue;

Bem-aventurados os que governam conspirando a favor da maioria,
sonegando aos poderosos privilégios e honrarias;

Bem-aventurados os que governam para o bem comum, indiferentes
à própria imagem e felizes com a ira dos inimigos do povo;

Bem-aventurados os que governam em equipe e fazem da política
um grande mutirão democrático;

Bem-aventurados os que governam deixando-se governar pela população,
inabaláveis diante das pressões dos oligopólios e das corporações da ganância;

Bem-aventurados os que governam em favor da vida,
coibindo violências e reduzindo desigualdades;

Bem-aventurados os que governam impregnados dos princípios
evangélicos, boca e atos num único beijo.

Bem-aventurados os que governam em prol dos direitos humanos,
destituídos da lógica perversa que traz o dinheiro público num cofre
cujo segredo os pobres jamais descobrem;

Bem-aventurados os que governam sem apego ao poder, fazendo da própria vida
sacramento do serviço ao próximo, sobretudo aos mais necessitados.

Eis que eles estarão salvos, nesta vida, do purgatório dos medíocres, do inferno dos corruptos e do céu daqueles que cobrem de louvores os assassinos do povo."


E eu digo, em alto e bom som: AMÉM! Tomara que assim seja!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

"Dedique uma canção a quem você ama!"




Há diversas músicas que marcaram situações e momentos vividos, entretanto, não me lembro de nenhuma que seja assim decisivamente marcante, pelo menos as confessáveis!

Então, trago uma situação que me emociona até hoje e que diz respeito ao meu filho Lucas e a mãe. Ele tinha 5 anos e a escola de Educação Infantil, que frequentava, decidiu fazer uma homenagem às mães, com uma missa.  Num determinado momento da celebração, as crianças juntaram-se no altar e cantaram a música “Velha Infância”, dos Tribalistas.

O fato é que a emoção foi tão intensa e tão forte, que marcou para sempre. A mãe não se conteve e chorou copiosamente. O filho, ao ver a mãe chorar, continuou a cantar, com lágrimas também descendo à face. Depois da música se abraçaram demoradamente. E, a partir daquele momento, por vontade espontânea de ambos, aquela música ficou eternizada como sendo a música dos dois. E até hoje, onde quer que ouçam “Velha Infância”, um dos dois logo  procura o olhar do outro e verbalizam: “olha a nossa música!”.

E eu entendo o tamanho do amor que anunciam!

Velha Infância

Tribalistas

Composição: Arnaldo Antunes/ Carlinhos Brown/ Marisa Monte


Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...
Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...
Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...
Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só...
Você é assim
Um sonho pra mim
Você é assim...
Você é assim...
Você é assim...
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Penso em você
Desde o amanhecer
Até quando me deito
Eu gosto de você
Eu gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor.



Esta postagem faz parte da
Blogagem Coletiva proposta pelo Espaço Aberto
cuja temática é "dedique uma canção a quem você ama!".

sábado, 25 de setembro de 2010

O Nome do Filho

 
Foto: "Ups... desculpa!", de Isidro

O nome fora ouvido em algum lugar, do qual não se lembrava mais. E era mesmo mágico pronunciá-lo! Quanto esplendor! Quanta pompa ensejava! E ela, no seu nono mês de gestação, não parava de perambular pela vizinhança, soprando, nos ouvidos disponíveis, aquele nome fabuloso! Era assim que queria batizar o filho que chegaria em breve! E era também assim que colhia as opiniões, aproveitando-se, com esperteza, para ajudar que gravassem a pronúncia correta. A rua inteira já participava daquela "enquete"!

Tudo havia sido cuidadosamente verificado: a pronúncia e a escrita! Nada lhe escapara. Karl-Heinz Rummenigge! Esse era o sonhado e adorado nome! Karl-Heinz Rummenigge de Souza! Coincidentemente ela e o marido assinavam Souza, embora fossem de famílias distintamente de origens diferentes.

E a vizinhança até que se acostumara às investidas daquela mulher. Não era o primeiro filho! O casal já tivera outros dois, uma menina e um menino. E, claro, os nomes eram comuns, nada sofisticados. A menina chamava-se Ângela, em homenagem à avó materna e o menino chamava-se Paulo, em homenagem a São Paulo, de quem a  avó paterna era devota!

Se nas outras vezes não pudera fazer valer a sua vontade, desta não escaparia. Na primeira fora sua mãe a exigir que homenageasse a avó e na segunda a sogra não deixou por menos.

Karl-Heinz Rummenigge! Ela adorava esse nome. Já havia bordado babadores, viramantas, toalhas e mantos, aos montes. E o mais incrível é que ela nem dava notícias sobre quem fora aquele alemão que tinha aquele nome. Somente a cinco dias do parto é que um vizinho resolveu intrometer-se na conversa das comadres e informou  que se tratava de um ex-jogador de futebol da alemanha. Fez grandes elogios, dizendo tratar-se de um verdadeiro craque da bola.

Mais convicta ela ficou. Craque? Então meu filho terá o nome de um grande homem! E ela estava tão decidida e entusiasmada que sequer partilhava com o marido os seus desejos. Na verdade a gravidez, depois do quarto mês, provocou o afastamento do casal. Ela não suportava o cheiro de suor do marido. Dava náuseas intermináveis. Ele, matuto de pouca prosa, também não se incomodou com aquilo, mesmo porque, pensava ele, "mulher prenha num tem jeito de bolinar". E, nós aqui bem sabemos, casal que abdica do diálogo nem sempre encontra harmonia.

O parto foi natural, como os outros dois. "Ela é uma boa parideira", pensava o marido já calmamente fumando seu cigarrinho de palha.

O tempo foi passando e com ele vieram alguns "carinhosos" apelidos. A avó chamava o pequenino de "Kazinho", a outra avó, para ser diferente, chamava de "Ruguinho". Os vizinhos ora optavam por um, ora por outro. Nome difícil aquele.

Ela, no entanto, não arredava mão da pronúncia correta e completa: Karl-Heinz Rummenigge. O "Souza" sempre ficava para segundo plano, esquecido na pronúncia. Ainda assim, havia um brilho nos olhos, de orgulho extremo, e a cada visita, "estufava" o peito para dizer em alto e bom som: Karl-Heinz Rummenigge!

Chegou o dia de registrar a criança. Ela foi logo despachando o marido:
- Vá logo homem! Não quero que passe muito tempo sem o registro.

Ele, com toda a calma do mundo, típica de um matuto tranquilo, respondeu  entremeando o cigarrinho de palha nos lábios, molhando e enrolando o "pito":
- Tá bom! Eu vou. Mas eu num sei dizer o nome não! Você vai ter que escrever no papel aí, senão vou fazer confusão. O nome é danado de difícil.

Assim feito, lá foi ele cumprir sua obrigação! E os dias foram passando. Visitas chegando. Família se reunindo. E os apelidos, para contrariedade dela, já formavam uma grande lista. Havia o Kazinho, o Kaka, O Ru, o Ruguinho e tantos outros. Até piadinhas já faziam:
- Heins?
- Quehins?

Num domingo, com família reunida, aí é que os apelidos soavam alto! A própria mãe já aceitava o simples Rummenigge. Aí ele, o marido, já não aguentando a situação, resolveu que devia acabar com aquela confusão toda. No meio da varanda da casa, na cabeceira daquela enorme mesa, ele se levantou, pigarreou e soltou a bomba:

- Olha pessoal, eu até acho bonitinho os apelido que ocêis colocaram no moleque. Cada um falando de um jeito, cada um inventando uma forma, mas eu acho melhor ocêis acostumarem a chamar ele pelo nome, senão depois não vai ter mais jeito.

Ao tempo em que falava, a mulher sorria, orgulhosa. Finalmente alguém iria dizer o que precisava, sair em sua defesa. Nem chegou a avançar em pensamentos, enquanto ele continuava:

-  Olha gente, é sério mesmo! Acho melhor a gente mudar isso logo. Todo mundo deve se acostumar a chamar o molequinho pelo nome dele e não esses apelidos aí, que ocêis arranjaram. Melhor acostumar. O nome dele não é esse tal de "Cal" ou "Rumenigue". O nome dele de registro é Izaac! Izaac de Souza Filho!