quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ruídos nas Informações

Foto: Rui Soares


Quinta de Humor



É muito comum as interpretações equivocadas, feitas por “escutas imaginárias” ou percepções distorcidas. Dois casos aqui ilustram bem o assunto. No primeiro, inclusive, há um duplo ruído e o segundo demonstra o quanto a fofoca pode ser surpreendida.

I -  Um velhinho tarado

Aquele velhinho cismava que a idade não o alcançara em perda de ânimo e apetite sexual. Estava sempre batendo à porta do médico, no posto de saúde, solicitando vitaminas e outros “energéticos”.

Certo dia, nem reparou na superlotação do posto de saúde, com atendimentos apressados e uma correria só. O médico, que sempre lhe atendia, já estava quase “neurótico”, tamanha pressão dos populares.

Ainda assim, lá foi ele. Bateu à porta e foi logo entrando.
— Seu Doutor, hoje o assunto é grave! É que arranjei uma namoradinha, bem novinha, dessas bem “fogosa” e preciso demais de um “remedinho azul”.
Mas o senhor, com a sua idade, não pode ficar tomando tais remédios não. Sua pressão não permite! Depois dos 80 é sempre um risco! Melhor não facilitar. Precisamos pensar em outro procedimento, talvez alguma vitamina elaborada especialmente para o seu perfil clínico.
Nisso tudo a confusão só aumentava lá fora. E, na correria, nem bem o velhinho perguntou o que poderia ser então e o médico, tentando ganhar um tempo, já foi logo dizendo:
O senhor come pão de queijo. Faz bem à saúde e pode ajudar. Isso. É isso. Come pão de queijo e volta aqui depois de amanhã. Aí conversaremos direito.
E saiu para os atendimentos.
Nisso o velhinho saiu resmungando. "Será que pão de queijo faz o "negócio" ficar duro? Será que endurece mesmo? Nunca ouvi falar disso não, mas isso não é coisa prá discutir".
Assim, tentando entender, já correu para a primeira padaria e foi logo pedindo:
Minha filha, me vê aí 40 pães de queijo!
A mocinha, sorrindo, já disse:
Xiiii! Vai endurecer a metade!
O velhinho nem pensou:
É mesmo? De verdade? Então me vê logo 80, que vou levar pra comer agora!


II- Confusão no Velório

Eram dois pescadores gêmeos. Um casado e outro solteiro. O solteiro tinha uma lancha de pesca já velha.

Um dia, a mulher do casado morre. E como desgraça nunca vem só, a lancha do irmão solteiro afunda-se no mesmo dia.

Uma senhora, dessas velhotas curiosas e fofoqueiras, soube da morte da mulher e resolve dar os pêsames ao viúvo, mas confunde os irmãos e acaba por se dirigir ao irmão que perdeu a lancha.

- Eu só soube agora. Que perda enorme. Deve ter sido terrível para você.

O solteiro, sem entender bem, explicou:

- Pois é. Estou arrasado. Mas é preciso ser forte e enfrentar a realidade. De qualquer modo, ela já estava muito velha. Tinha o traseiro todo arrebentado, fedia a peixe e vazava água como nunca vi. É verdade que ela tinha uma grande racha na frente e um buraco atrás que, cada vez que eu a usava, ficava ainda maior. Mas eu acho que o que ela não aguentou foi que eu, de vez em quando, a emprestava a quatro amigos que se divertiam com ela. Eu sempre lhes disse para eles irem com calma, mas desta vez foram os quatro juntos e isso foi demais para ela...

A velha fofoqueira desmaiou!


Uma ótima quinta, a todos!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Decálogo da Serenidade

Foto de M. Silva: Serenidade..


OUTROS AUTORES



DECÁLOGO DA SERENIDADE
João XXIII 


"I - Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez.

II - Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência: cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo.

III - Hoje, apenas hoje, serei feliz na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste.

IV - Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a adaptarem-se aos meus desejos.

V - Hoje, apenas hoje, dedicarei 10 minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que, assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.

VI - Hoje, apenas hoje, farei uma boa ação, e não o direi a ninguém.

VII - Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.

VIII - Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado. Talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos escrevê-lo-ei. E fugirei de dois males, a pressa e a indecisão.

IX - Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem ao contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não existisse mais ninguém no mundo.

X - Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor, de modo especial não terei medo de gozar o que é belo, e de crer na bondade."


Uma semana apaziguada, a todos!
Abraços!

sábado, 4 de setembro de 2010

Incomode-se!

No silêncio de um olhar, de J.Pedro Martins



É difícil calar a voz, quando se aprende a falar...

Incomode-se quando não puder gritar contra as transgressões cotidianas.
Incomode-se com a letargia enxergada, nas pessoas e em si mesmo.
Incomode-se, sobremaneira, com a cabisbaixa postura daqueles que podem exercer mudanças, fazê-las acontecer.

Incomode-se em saber que se pode mais, quando, no entanto, o ânimo já desfalecido, não retumba, não faz ecoar ousadias.
Incomode-se com a palermice que chegou e não quer mais voltar.
Incomode-se com a falência múltipla dos sentidos de sobrevivência, que não têm mais o arrebatamento de outrora.

Incomode-se com a alegria não mais aguçada. 
Incomode-se com a procrastinação dos sonhos, antes tão decisivos e impulsionadores.
Incomode-se com a incerteza da escolha, na encruzilhada da estrada. 

Incomode-se com a angústia da sensatez que se mistura, no bojo das contradições, com orgulho ferido e maculado.
Incomode-se com o uso constante de muletas a amparar inconstâncias da lucidez.
Incomode-se quando blasfemar contra a própria história e não reconhecer os pilares erguidos no tempo.

Incomode-se ante os avessos que perturbam, fazendo-se verdades nos absurdos da incongruência.
Incomode-se quando não der conta de expurgar pensamentos revanchistas, enquanto o convite é para a festa da harmonia.

Incomode-se com o rufar dos canhões apostos, tingindo de sangue as amizades mal cuidadas.
Incomode-se com o "pântano enganoso das bocas", a surrupiar a autoestima.
Incomode-se com a carícia regrada, medida na rotina, sufocada na mornidade.

Incomode-se com a repetição dos equívocos, na covardia de não fazer o rompimento exigido.
Incomode-se em enxergar, pelo binóculo da experiência, o quão longe se vai o homem.
Incomode-se com a cegueira ante a proximidade dos desmazelos, dos "fast foods" diários.

Incomode-se com a timidez da fala, a malícia dos pensamentos e a recusa dos gestos.
Incomode-se com o conflito de fé, a minúscula entrega e a ardente sede de Deus, não saciada.
Incomode-se com os transtornos da humildade, a fragilidade da esperança e o contraste de valores.

Incomode-se com os olhares titubeantes, lançados às sombras de pensamentos dúbios, nefastos em sua essência.
Incomode-se com a própria imperfeição, tão evidenciada nas recaidas de decisões tomadas no auge da espiritualidade.
Incomode-se com este "rosário" de erros e defeitos, ainda não corrigidos, evidenciando o quanto a estrada é escorregadia.


Não se incomode, em tempo algum, com a estreita crença, com a utopia que nutre a alma, com a inatingível índole de conduta e com a inarredável postura ética... Não! Não se incomode! Talvez, se forem tão insistentemente validadas no cotidiano, as dores sejam menos intensas e as incomodações não passem de devaneios... meros devaneios.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Conselho Profissional



 QUINTA DE HUMOR

Um padre está dirigindo sua antiga caminhonete, de volta para sua paróquia, quando vê, na estrada, uma freira conhecida. Ele para e diz: 
- Irmã! Suba! Levo você até o convento.
A freira sobe, acomoda-se no banco do passageiro, cruza as pernas e o habito se abre, deixando à mostra as coxas esculturais.
O padre quase não se contém, mas continua dirigindo. Numa troca de marcha, no entanto, ele acaba colocando a mão sobre a perna da freira, que lhe diz: 
- Padre, lembre-se do salmo 129.
O padre pede desculpas e continua dirigindo. E aquela pernoca ali, ao lado, deixando-o louco. Cada vez mais desconcentrado.
Mais adiante, em outra troca de marcha, ele coloca a mão novamente sobre a perna da freira, que repete: 
- Padre, lembre-se do salmo 129.
O padre se desculpa, dizendo: 
- Perdoa-me, irmã, mas você sabe que a carne é fraca.
Chegando ao convento, a freira desce. O padre logo chega à sua igreja e corre  para ler o tal salmo 129. E depara com que está escrito:
“SEGUE BUSCANDO, QUE LOGO ACIMA ENCONTRARÁS A GLÓRIA”.

MORAL DA HISTÓRIA: ou você sabe tudo de sua profissão, ou vai perder as melhores oportunidades!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Ilusões do Amanhã

Outros Autores

Preocupo-me, sempre, em saber a veracidade dos e-mail's que recebo. Embora não tenha controle sobre tais informações, preciso crer nas fontes. Por isso sou sempre criterioso nas escolhas, ainda que tal atitude não me exima de equívocos.

A poesia, que hoje publico, neste espaço de "Outros Autores", foi enviada pelo professor Flamarion, companheiro desde os tempos de Brasília. Confio, portanto, nos argumentos por ele apresentados, mesmo optando por omitir maiores detalhes.

Segundo o professor, o poema foi escrito por um aluno da APAE,  e faz o seguinte apelo: "Peço que divulguem, para prestigiá-lo. Se esse garoto, com todas as barreiras que encontra, acredita  tanto no amor, por que a maioria das pessoas que se dizem 'normais' procuram, ao contrário, negar a existência deste mesmo amor?"




Ilusões do Amanhã

"Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
 Se a vida às vezes parece de mim esquecer?
 Procuro em todas, mas todas não são você.
 Eu quero apenas viver, se não for para mim que seja pra você.
 Mas às vezes você parece me ignorar, sem nem ao menos me olhar,
 Me machucando pra valer.
 Atrás dos meus sonhos eu vou correr.
 Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.
 Se a vida dá presente pra cada um, o meu, cadê?
 Será que esse mundo tem jeito?
 Esse mundo cheio de preconceito.
 Quando estou só, preso na minha solidão,
 Juntando pedaços de mim que caíam ao chão,
 Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.
 Talvez eu seja um tolo,
 Que acredita num sonho.
 Na procura de te esquecer,
 Eu fiz brotar a flor.
 Para carregar junto ao peito,
 E crer que esse mundo ainda tem jeito.
 E como príncipe sonhador...
 Sou um tolo que acredita, ainda, no amor."

 PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - APAE)


sábado, 28 de agosto de 2010

As Três Peneiras



Dona Flora foi transferida de seção na fábrica em que trabalhava. Para “fazer média” com o novo chefe, logo no primeiro dia, saiu-se com esta:
- Chefe, o senhor nem imagina o que me contaram a respeito da Zefinha...
Nem chegou a  terminar a frase porque “seu” Lico aparteou:
- Espere um pouco dona Flora. O que vai me contar já passou pelas três peneiras?
- Peneiras? Que peneiras “seu”Lico?
- A primeira é a da VERDADE. Tem certeza de que esse fato é absolutamente verdadeiro?
- Não, como posso? O que sei foi o que me contaram, mas eu acho que...
- Então sua história já vazou na primeira peneira. Vamos à segunda que é a da BONDADE. O que vai me contar é alguma coisa que gostaria que os outros dissessem a seu respeito?
- Claro que não! Deus me livre!
- Então, essa história vazou na segunda peneira. Vamos ver se vaza na terceira que é a da NECESSIDADE. A  senhora acha mesmo necessário contar-me esse fato ou mesmo passá-lo adiante?
- Não , chefe. Passando nessas peneiras vi que não sobrou nada mesmo do que eu ia contar.



Pessoas ocupam, todos os dias, os mesmos espaços, compartilham o mesmo ar, o mesmo tempo. E as diferenças atiçam os excessos e as incompreensões, tornando propensa a irritabilidade.

Como já disse em outros textos, aquilo que somos, a qualquer momento de nossas vidas, será determinado por nossos relacionamentos com aqueles que nos amam ou se recusam a nos amar, com aqueles a quem amamos e a quem nos recusamos a amar.

O certo é que o conflito existe e será saudável se soubermos trabalhá-lo com franqueza, serenidade e maturidade, para que nossas relações sejam de qualidade e assim "existam".

Enquanto atitude, é necessário propor-se a evidenciar valores e compartilhar alegrias, ao invés de "cozinhar azedumes".

Então, por hoje é isso: verdade, bondade e necessidade! Vale propagar!




Imagem:http://www-pensar.blogspot.com/2009/05/as-tres-peneiras.html