segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O Matuto Zé da Prosa

Meus Rabiscos



Aquele matuto, o Zé da Prosa, era mesmo "treteiro". Gostava de uma boa mentira. E qualquer "causo" era sempre aumentado. Não tinha jeito com ele. Fosse o que fosse, ele tinha sempre uma boa história para contar. Coisa errada? Jamais admitia que errava ou que cometia qualquer engano, qualquer desventura sofrida.

Os amigos da turma buscavam, de qualquer jeito, uma forma de aprontar uma pegadinha, mas o Zé sempre dava um jeito de sair por cima. Ele era muito esperto.

Por conta disso foi armada uma pegadinha pelo Tibúrcio, matuto de voz grave, bigode enorme e branquinho, os fios rebeldes, já faziam volta no queixo e cresciam prá cima. O cabelo branco não dava conta de esconder o "moleque arteiro" que ainda vivia naquele matuto "tinhoso".

Sô Tibúrcio então combinou com a turma de levar o Zé da Prosa para a fazenda. Eles iriam jogar truco, tomar umas cachaças, cozinhar joelho e pé de porco e, se desse tempo, ainda pescar.

E assim fizeram! Noite de sábado, lua bonita, enchendo o céu de briho, quase ofuscando as estrelas, e lá estavam eles, na fazendo do Sô Tibúrcio.

Enquanto o joelho de porco cozinhava, outros aperitivos foram preparados. Jogaram algumas partidas de truco e, lá pelas tantas, o Zé da Prosa começou com seus casos:

- Gente, ocêis num imagina o susto que eu levei dia desses, quando tava vortando prá casa de bicicreta. Tinha um risco branco, marcando a estrada, de fora a fora. Eu pensei que era até assombração. Mas dipois, fui matutando, matutando e discubri o pobrema.

Ele nem parava de cortar o fumo, ia aparando a palha, moendo o fumo com os dedos e passando a palha na boca. E continuava assim mesmo, com aquela voz mansa, arrastada. Já era engraçado só ouvir a voz do Zé, imagina então contando caso. E ele continuava.

- Eu tinha saído da venda do Nonô com um saco de açucar e tinha que subi a serra prá vortá pra casa.  A bicicreta num tinha garupa e o jeito foi ajeitá o saco no cano e no guidom. E lá eu fui, pedalano a bicicreta. As perna já tava dueno dimais, mais num pudia disisti. Pricisava chegá em casa e a noite já tava chegano. Lá praquelas bandas tem muita onça, se bobiá, o bicho mata mesmo. Mais intão eu subi um morrinho e a istrada istreitava. Vinha um tratô e prá saí fora do bitelo, eu juguei a bicicreta no barranco e saí arrastano o barranco, mato e raiz, até o tratô passá. Isfolei o braço, mais num pudia pará não. Tava ouvindo uns miado isquisito. Paricia que a onça tava chegano. Aumentei as pedalada. E no que aumentei as pedalada, a bicicreta foi ficano mais leve e quanto mais leve ficava, mais dipressa eu andava. Peguei um carrerão e subi um morro num fôlego só. Pricisava vê, sô! Quando eu cheguei lá em cima, já quais em casa, parei um tantinho pra respirá. No que oiêi prá tráis, vi um risco branco, branquinho na istrada. Achei que era o tar do etê me siguino ou intão uma assombração das mais cumprida. Gente, muntei na bicicreta di novo, apertei a pedalada e só fui pará na portêra de casa. E a bichinha tava andano era muito dipressa. Quando eu oiêi, o risco tinha diminuido, tinha afinado, mas fui caçá o saco de açucar, cadê... Tinha sobrado só um tiquinho dele. Acho que na istripulia do barranco, o saco furô e foi sortano o açucar. E eu pensano que era os tal dos etê ou assombração!

Aí o Tibúrcio torceu o bigode. Esse Zé inventa cada uma, pensava ele. Resolveu então colocar o plano em ação. É hoje que pego esse sujeitinho! Assim o Tibúrcio repetia aos amigos.

Ele já sabia que o Zé não gostava de pescaria à noite. Morria de medo de cobras e onças. E mais! Sabia também que ele adorava tomar leite de vaca! Então deixou tudo preparado. Chamou a turma, pegaram as varas e foram ao açude pescar alguns bagres e traíras. E por lá ficaram um pouco mais de uma hora.

Já de volta, depois de limpar as traíras e os três bagres, a turma se ajeitou para retomar o jogo. O Tibúrcio encheu duas travessas de biscoitos de polvilho e pão de queijo. E chamou:
- Ô turma! Vamo cumê umas merenda aqui, tomá um cafezinho cum leite prá gente aguentá esperá o cuzido e forrá o estômago.

A turma, já no conluio com o Tibúrcio, se juntou à mesa. E o Tibúrcio, ao pegar a vazilha de leite para servir, fingiu olhar dentro e foi logo falando:
- Uai Zé! Ocê tomou o leite que tava aqui sô?! Tomou quase a metade! Nossa Senhora, sô!

O Zé da Prosa, no jeitão dele de não admitir qualquer malfeito, foi logo discordando:
- Ô Tibúrcio! Eu num tomei não sô! Ocê deve de tá inganado, purquê num divia de tê esse leite todo aí na travessa não! Ocê deve de tá inganado! Eu num tomei não, pode aquerditá!

E o Tibúrcio pensou: é agora Zé! E já foi dizendo, com ar de alívio:

- Ô Zé, ainda bem sô! Nossa Senhora! Eu fiquei foi preocupado dimais. Tem andado uns bicho por aí, não sei se é gato ou rato, ou o que é, uma tropa deles e os bichano tem comido de tudo aqui. Eles num respeitam mesmo. Aí, sô, eu resolvi botá um veneno no leite, prá vê se acabo com essa cambada de bicho que come o que num deve. E eu deixo sempre a travessa lá na pia, com o leite.

Nisso o Zé já estava de olhos arregalados, mas não abriu a boca e nem deu o braço à torcer. E o Tibúrcio continuava:
- E eu esqueci de falá com ocê, ô Zé, que o leite tava preparado. E como ocê gosta de leite, Nossa Senhora, eu fiquei preocupado dimais. Achei que iria precisá de fazê um preparado aqui, prá cortá o efeito do veneno. Eu até já tenho pronto aqui, na garrafinha, só que  ia precisá fortalecê mais o preparado de raíz. Ainda bem sô! Quais morri de susto! Imagina se ocê virasse os olhos e começasse a sortá ispuma pela boca? Nossa Senhora, ia sê uma tristeza, Zé! Ocê num ia vivê muito mais não, só umas poucas horas.

Aí o Zé, já morrendo de medo, com os olhos arregalados, não sabia o que dizer. Não podia confessar. Então, meio sem jeito, mas espertalhão como sempre, foi logo emendando a fala do Tibúrcio:
- Ô Tibúrcio, se esse trem que ocê colocou no leite é tão marvado assim, intão eu acho melhó tomá um gole tamém, só prá previni, né mesmo?!

E lá foi o Zé. Avançou na garrafa do Tibúrcio, no maior desespero. E de uma só golada tomou metade do preparado da garrafinha. Tomou num fôlego só. Respirou e noutro fôlego, tomou o resto. E limpando a boca com a manga da camisa, arrematou:
- Num custa nada privini, né mesmo?!

A turma então caiu na risada!
- É Zé! Hoje ocê caiu na brincadeira! Sua mentira num deu certo, sô! Num tinha nada no leite não! Era só um jeito de te pegá na mentira!

E o Tibúrcio falou:
- E o pior, ô Zé, é que nessa garrafinha tinha um preparado com leite de magnésio! Ocê vai limpa as tripa tudo sô! Mas vai pensá milhó antes de falá mentira, né Zé?!

E cairam todos na risada. O pobre do Zé da Prosa passou a noite visitando o banheiro. Era uma correria prá lá e prá cá, a noite inteira. Era de dar dó o coitado gemendo de tanto fazer força. O Tibúrcio pensou que ele aprenderia a lição.

Aprendeu? Que nada! Alguns dias depois o Tibúrcio surpreendeu o Zé, numa roda de amigos, lá na pracinha da cidade, contando o caso:
_ ... Pois é gente, ocêis pode aquerditá. Eu tomei veneno de matá cobra, dessas bruta que tem por aí e num murri. Eu tinha um remedinho dos bão comigo. É um preparado de raíz que eu fiz, que cura quarqué coisa. O causo acunteceu assim...

O Tibúrcio balançou negativamente a cabeça, e apressou o passo resmungando:
- É... Esse num tem conserto mesmo! 
Publicado originalmente em 11 de julho de 2013

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Flor e família...

Metáfora
Flor de ouro



Havia uma jovem muito rica, que tinha tudo: um marido maravilhoso, filhos perfeitos, um emprego que pagava muitíssimo bem, uma família unida.


O estranho é que ela não conseguia conciliar tudo isso, o trabalho e os afazeres lhe ocupavam todo o tempo e a sua vida estava deficitária em algumas áreas. Se o trabalho consumia muito  tempo, ela tirava  dos filhos, se surgiam problemas, ela deixava de lado o marido... E assim, as pessoas que ela amava eram sempre deixadas para depois... Até que um dia, seu pai, um homem muito sábio, lhe deu um presente: uma flor muito cara e raríssima, da qual havia um exemplar apenas em todo o mundo. E disse à  ela:


— Filha, esta flor vai te ajudar muito mais do que você imagina! Você terá apenas que regá-la e podá-la de vez em quando, ás vezes conversar um pouquinho com ela, e ela te dará em troca esse perfume maravilhoso e essas lindas flores.


A jovem ficou emocionada, afinal a flor era de uma beleza sem igual. Mas o tempo foi passando, os problemas surgiam, o trabalho consumia todo o seu tempo, e a vida, que continuava confusa, não lhe permitia cuidar da flor.


Ela chegava em casa, olhava a flor e as flores ainda estavam lá, não mostravam nenhum sinal de fraqueza ou morte, apenas estavam lá, lindas, perfumadas. Então ela passava direto. 


Até que um dia, sem mais nem menos, a flor morreu. Ela chegou em casa e levou um susto! Estava completamente morta, suas raízes estavam ressecadas, suas flores caídas e suas folhas amarelas. A Jovem chorou muito e contou a seu pai o que havia acontecido.


Seu pai  então respondeu:


—Eu já imaginava que isso aconteceria,e eu não posso te dar outra flor, porque não existe outra igual a essa, ela era única, assim como seus filhos, seu marido e sua família. Todos são bênçãos que o Senhor te deu, mas você tem que aprender a regá-los, podá-los e dar atenção a eles, pois assim como a flor, os sentimentos também morrem. Você se acostumou a ver a flor lá, sempre florida, sempre perfumada, e se esqueceu de  cuidar dela. Cuide das pessoas que você ama!


E você? Tem cuidado das bênçãos que Deus tem te dado? Lembra-se da flor, pois como ela são as bênçãos do Senhor: Ele nos dá, mas nós é que temos que cuidar delas.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Dissídio no Coletivo

Humor

Ônibus superlotado, uma mulher volta-se para o passageiro inconveniente:


- O senhor quer fazer o favor de desencostar, afastar essa coisa volumosa que me incomoda.

- A senhora se engana, não é o que está pensando. Este volume é o dinheiro do pagamento que recebi hoje. Enrolei num pacote e botei no bolso esquerdo da calça.

- Ah, então o senhor é um funcionário exemplar!

- Não entendi, senhora.

- É que desde o embarque até aqui, o senhor já teve três aumentos salariais... E já já vai perder todos eles num "tabefe" só!




sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Mensagem ao Educador

Outros Autores
FICA DITO QUE
Agora vale a nossa verdade
Que agora vale a vida
E que de mãos dadas
Trabalharemos todos pela vida verdadeira.


FICA DITO QUE
Todos os dias de nosso encontro,
Inclusive, as aulas mais cinzentas,
Têm o direito de converter-se em manhãs de domingo.

FICA DITO QUE
Deste instante em diante
Haverá erros em todas as aulas,
E que erros terão direito
A abrir-se dentro da verdade;
E que as aulas devem permanecer o dia inteiro,
Abertas para o verde onde cresce a esperança.

FICA DITO QUE
As notas, símbolos que são,
Não terão a força representativa do saber,
Enquanto que a presença viva,
Durante as aulas-encontro
Contarão através da vivência
O saber eterno do compreender.

FICA DITO QUE
Os alunos e professor estarão livres do jugo da mentira.
Nunca será preciso usar
A couraça do silêncio
Nem a armadura das palavras.
Os alunos e professor se sentarão
Com seus olhares limpos
Porque a verdade passará a ser servida antes do fim da aula.

FICA DITO QUE
O homem
Não precisará nunca mais duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem,
Como um menino confia em outro menino.

FICA DITO QUE
Estabelece-se durante este ano,
Se possível para sempre,
A prática sonhada pelo profeta Isaías,
E o lobo e o cordeiro pastarão juntos.
E a comida de ambos terá o mesmo gosto de outrora.

FICA DITO QUE
A maior dor
Sempre foi e será sempre
Não poder dar-se amor a quem se ama,
E saber que é a água
Que dá à planta o milagre da flor.

FICA PERMITIDO A
Qualquer pessoa, em qualquer momento da aula
O uso de traje branco.

FICA PROIBIDO
O uso da palavra liberdade,
A qual será suprimida do vocabulário,
E do pântano enganoso das bocas.

A PARTIR DESSE INSTANTE
A LIBERDADE será algo vivo e transparente
Como um fogo ou um rio,
Ou como a semente do trigo,
E a sua moradia será sempre o coração do homem.

E, sobretudo FICA DITO QUE só uma coisa é
Permanentemente proibida: AMAR SEM AMOR!


N. Cassiano
(Texto baseado em “Os Estatutos do Homem”  , de Thiago de Mello)


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Reencontro e Refazimentos

Meus Rabiscos

Confome prometido, esta é a sexta e última "imagem que fala". Nas últimas cinco  transitei por temas instigantes e que possibilitaram, enquanto metáforas de vida, diversas outras abordagens, nas mais plurais compreensões.

Coincidentemente as imagens misturaram-se ao meu contexto, nos enfrentamentos, desencontros e percalços sofridos. Os argumentos então revelaram intimidades, valores e crenças, mas substancialmente, também permitiram reencontros e refazimentos imprescindíveis. E a imagem de desfecho, agora publicada, não poderia ser melhor! Ela traduz, com primazia, o fluxo das reflexões e dos estágios vivenciados. É emblemática!

Recapitulando, apenas para sanar curiosidades e oferecer releituras, estruturei a cronologia das postagens inserindo recortes que remetem à imagem de hoje, inclusive por explicitarem as posturas construídas nas ruminanças:

  •  Uma só vez
E, preste bastante atenção! Uma só vez que encontrar-se perdido de si mesmo e receber amparo, é porque Deus ouviu seus lânguidos gritos, já sufocados nos desencontros intermináveis e elegeu seres sem cores, sem faces e sem formas prediletas ou viçosas, para ancorarem suas utopias e buscas. Você tem a permissão de guardá-los no peito e chamá-los de amigos. Aproveite os passos!
  • Palavras Desagradáveis
Não há receitas nem dogmas. Entretanto, cabe sim o exercício de maturação de si, numa prática revisionista de posturas e compreensões. Por exemplo, é preciso aprender a eliminar os preconceitos morais, éticos e sociais, sem o que, não haverá a compreensão plena do sentido de liberdade. É preciso respeito ao ponto de vista do outro. E é preciso, dentre tantas e tantas atitudes saudáveis às relações interpessoais, valorizar sempre os aspectos positivos da natureza individual, sem com isso ameaçar a intimidade dos outros ou paternalisticamente encobrir os defeitos.
  • Mexericos
 Tempo então de manter as mãos límpidas! Tempo de refletir propósitos de vida! Tempo de convidar Deus a agir e pertencer na fé! Tempo de entrega plena! Indescritivelmente plena!
Tempo de afetividade! Tempo de aprender!
  • Reciclar é preciso...
Jogar fora o lixo que impregna as falas maltrapilhas, que entorpece as crenças e turva as  visões de mundo e de ser humano, é desafio heróico na reconstrução humanizadora de qualquer novo homem ou nova mulher! Não é nada fácil abrir mão das "coisas"! E tudo "coisificado" que já ocupava lugares vitais...
Então, ainda que seja árdua a decisão de esvaziar-se, como eu já pontuei, o mais difícil é enxergar o que precisa ser esvaziado. O mais difícil é saber-se em processo de inacabamento e refazimento, consciente, na exata medida, de quais gargalos e atrofiamentos reclamam reciclagem!

Refazer conceitos, posturas, atitudes, propósitos... Refazer-se emocionalmente! Refazer-se espiritualmente! E alguns reencontros, em Deus, são esplêndidos! Precisam ser precipitados, ou seja, precisam ser iniciados. Tudo o mais será acrescentado no tempo certo!
  •  Adversidades
Resistir de forma resiliente significa construir a própria capacidade de absorção das intempéries mudanças; de agir na transformação de tais mudanças, convertendo-as em oportunidades de melhoria; significa exercer, sistematicamente, o aprendizado na ambiguidade dos desencontros. Significa ousar escolhas sem abrir mão de si mesmo, não perder-se de si, não abdicar-se de si mesmo. Não abrir mão de protagonizar o próprio refazimento.


A imagem de hoje convida a não subestimar os próprios talentos, a própria competência e a conscientizar-se de que os acontecimentos, nos embates cotidianos, exigem atitude resiliente. E como tenho insistido na resiliência!

Gigantescos problemas, supostamente imbatíveis e incontroláveis, com um pouquinho de inventividade e descobertas íntimas atiçando a vontade, tombam ao chão. E isso só é possível quando tomo consciência do meu inacabamento, da minha humana incompletude e começo a acreditar, de verdade,  que a minha melhor parte, também a mais humanizada, é a mais forte! Nela exercito o poder de transformar e aprender!

Pronto! Já extrapolei os propósitos da imagem. Hoje nada precisaria ser dito! Nada deveria ser dito! O propósito é tão somente o convite ao olhar reflexivo. A imagem, longe das minhas palavras, pode dizer muito mais! Muito mais!

Permita-se!






Imagem: desconheço os direitos autorais. 
Ela foi scaneada de um quadro encontrado "num armário de escola", sem maiores informações.
Se alguém souber a origem, por favor, me comunique! 
Gostaria muito de dar créditos ao autor ou autora, pela relevância e significado da obra.

Publicado originalmente em 27 de novembro de 2010

domingo, 11 de outubro de 2015

Acreditar em milagres...

Metáfora
Deus de milagres


Uma garotinha esperta, de apenas seis anos, ouviu seus pais conversando sobre seu irmãozinho mais novo.

Tudo que ela sabia era que o menino estava muito doente e que estavam completamente sem dinheiro.

Iriam se mudar para uma casinha num subúrbio, porque seu pai não tinha dinheiro  para pagar as contas do médico, o aluguel do apartamento, o condomínio...

Somente uma cirurgia muito cara poderia salvar o garoto, e não havia ninguém que pudesse emprestar o dinheiro.

A menina, após ouvir seu pai  dizer à sua mãe que somente um milagre poderia salvá-lo, foi ao seu quarto e puxou um vidro de seu esconderijo. Estava cheio de pequenas moedinhas.Despejou todo o dinheiro que tinha no chão e contou-o cuidadosamente, três vezes...

O total tinha que estar exato. Não havia margem de erro. Colocou as moedas de volta no vidro com cuidado e fechou a tampa.

Saiu devagarzinho pela porta dos fundos e foi até a farmácia.

Esperou pacientemente até que finalmente foi atendida!

— O que você quer?, perguntou o farmacêutico com voz aborrecida.

— Bem, eu quero lhe falar sobre meu irmão, respondeu a menina no mesmo tom aborrecido.

— Ele esta doente?

— Sim, disse ela, e eu quero comprar um milagre.

—Como?, balbuciou o farmacêutico admirado.

—Ele está com alguma coisa muito ruim crescendo dentro de sua cabeça e papai disse que só um milagre poderá salvá-lo e, por isso, que eu estou aqui.

—Então, quanto custa um milagre?

— Não vendemos milagres aqui, garotinha.

— Desculpe, mas não posso ajudá-la, respondeu o farmacêutico, com um tom mais suave.

— Escute, eu tenho o dinheiro para pagar. Se não for suficiente, conseguirei o resto. Por favor, diga-me quanto custa, insistiu a pequena.

O irmão do farmacêutico, que estava ali do lado, deu um passo à frente e perguntou a garota:

—Que tipo de milagre seu irmão precisa?

— Não sei, respondeu ela, levantando os olhos para ele. Só sei que ele esta muito mal e mamãe diz que precisa ser operado. Como papai não pode pagar, quero usar meu dinheiro.

— Quanto você tem?, perguntou o homem.

—Um real e 50 centavos, respondeu a menina num sussurro. É tudo que tenho, mas posso conseguir mais se for preciso.

— Puxa, que coincidência, sorriu o homem. É exatamente o preço de um milagre para irmãozinhos.

O homem pegou o dinheiro com uma mão e, dando a outra mão a menina, disse:

— Leve-me até sua casa. Quero ver seu irmão e conhecer seus pais.

Aquele senhor gentil era um cirurgião, especializado em neurocirurgia.

A operação foi feita com sucesso e sem custos. Alguns meses depois, o menino estava em casa novamente, recuperado. Foi um milagre que custou R$ 1,50, a inocência de uma criança e muito amor...

Tudo é possível quando se acredita!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Divórcio e Carro

Humor
Uma mulher é transferida para trabalhar em outra cidade. Depois de alguns dias, manda um telegrama ao marido que dizia:

— Por favor, envie urgente documentos para o divórcio. Encontrei um companheiro ideal. Possui as mesmas características do novo VECTRA da Chevrolet.

O marido, desesperado e sem entender nada, corre a uma concessionária e pergunta ao vendedor quais as características do tal carro. O vendedor lhe responde:

—  É mais potente, mais comprido, mais largo, mais rápido na subida, mais bonito e não bebe muito.

O marido compreende imediatamente o que a sua esposa quis dizer, mas resolve se vingar. Duas semanas depois é ela quem recebe um telegrama do marido, dizendo:

— Mandei os papéis do divórcio. Assine rápido!!!!!!! Encontrei a companheira ideal. Reúne todas as qualidades da nova CHEROKEE!.

Curiosa ficou então foi a mulher. Corre e vai a uma concessionária para perguntar sobre o tal carro que o marido falou. O vendedor lhe responde:

— É mais resistente. Suporta mais peso. Tem lubrificação automática. A carroceria é nova e mais arredondada. É mais charmosa, bonita e confortável. Possui air-bag. É mais silenciosa, não vaza óleo e aceita engate na traseira.