segunda-feira, 28 de junho de 2010

Se eu fosse mulher por um dia...

Cupid's Arrow, de José de Almeida & Maria Flores


Se eu fosse mulher, por um dia, queria desconhecer o cansaço e a irritabilidade da rotina, nos afazeres de casa. Não conseguiria ser essa mulher multifunções, "multitudo". Essa mulher "prendada" não sobreviveria!

Queria navegar em descobertas esfuziantes e a primeira curiosidade seria sobre os "mistérios" que povoam o banheiro feminino. Saber porque se vai ao banheiro feminino em duplas ou tríades, o que acontece lá dentro e porque o retorno é sempre acompanhado de largos sorrisos na face. Talvez sejam os encantos do "espelho espelho meu", em meio a bolsas recheadas de surpresas. Talvez...

Outra sensação, que deve ser deliciosa para se descobrir, seria o uso despudorado do cartão de crédito. Essa moeda plástica, que tantos desatinos provoca, tem seus segredos revelados em sapatos, roupas e outras tantas sacolas de grifes. Deve ser fantástica a emoção compulsiva das compras! Loja após loja, num infindável movimento de despir e vestir, até o "é esse"! Mais uma relíquia para o closet.

De outras tantas eu fugiria. Depilação então, nem pensar! Precisaria ser sofisticada, a laser ou qualquer outra tecnologia indolor. Nada de stress! Nada de baixas na autoestima!

De algumas não abriria mão: perfumes marcantes, hidratantes rejuvenescedores, peelings revigorantes, silhueta justa e contornos de violão, uma sereia que não exigisse dietas mirabolantes. Comer sem culpa, viver sem culpa! Por um só dia é até imaginável!

O melhor seria mesmo descobrir o "secreto" das falas, das conversas informais, dos segredos femininos discutidos sem receios, entre iguais. Saber tanto das dores quanto do êxtase! As aventuras inconfessas, as ousadias e transgressões segredadas.

Mas ser mulher, por um só dia, não seria apenas deliciar-me em futilidades da moda, medidas do corpo, pernas torneadas, bumbum enrijecido, pele delicada, cabelos tratados, cosméticos milagreiros e tantos outros "apetrechos" admoestadores do necessário embelezamento. Xô celulites, Xô estrias, Xô culotes. Por um só dia dá prá ficar sem tudo isso!

Ela também é espiritualizada, batalhadora, racional, ímpar. Eu seria então uma mulher superpoderosa, fazendo escolhas de felicidade, não as malogradas. Num só dia dá prá apostar nessas possibilidades.

Todas essas questões de ordem profissional, social e familiar, não seriam tão impossíveis de contornar, afinal, só um dia, passa rápido demais. A enxaqueca nem conseguiria se aproximar.

O grande problema seria controlar a libido. Ah, este seria um problema desastroso a se resolver. É que, enquanto mulher, ainda que só por um mísero dia, não me desvencilharia do meu lado "gay"!

"Arrgggg"! Homens? Nem pensar! Coisa mais esdrúxula, mais repugnante! Os trejeitos arrogantes, a empáfia de conquistadores, o machismo "imbecilóide", os hábitos constrangedores. Não! Isso já seria sacrificante, ultrajante até! Melhor revigorar o meu lado "gay", enquanto mulher!

O lado masculino, na mulher por um só dia, seria o imperativo a não escapulir dos traços. E ele é tão forte, tão encantado pela mulher, que mesmo em sua pele, seria impossível não se perder na beleza do olhar, no desenho dos lábios, no contorno da face, no convite dos olhos, na sedução do andar e no desejo que faz exalar!

Se eu fosse mulher, por um só dia, haveria de fazer sobreviver e sobrepor a todos os outros, a todo custo, o meu lado "gay"! Seria impossível, insípido e intragável imaginar diferente! 




Este texto participa da Blogagem Coletiva proposta pelo Espaço Aberto.



quinta-feira, 24 de junho de 2010

Precisa-se


Foto: Estrada Fria, de Bruno Ramalho

Precisa-se de alguém que ensine a alegria, quando a dor dilacera o espírito. Alguém que mitigue a mágoa e o rancor, porque a perda foi por demais dolorida. Alguém que ensine passos de dança, talvez um bolero, um tango, ou quem sabe um foxtrot, para aliviar os pés metidos na lama do desencontro. Que faça o corpo inquietar-se ao som da música, já que a mesmice paralisa os movimentos.


Precisa-se de alguém que ensine a assobiar músicas antigas, das mais melodiosas ao chorinho bem ligeiro, assim, quem sabe, a voz se erga e não mais retorne ao chão. Alguém que saiba acender fogo atritando paus ou triscando pedras, no meio do nada e no vazio do ser, assim, quem sabe, a alma se aqueça no sopro e no abano e resolva não mais chorar.

Precisa-se, desesperadamente, de alguém que ensine o olhar da lua, majestosa em seu brilho, e assim acalmar a desesperança. Alguém que saiba oferecer o abraço, para impedir que a distância aumente. Alguém que ensine plantar rosas vermelhas, em canteiros de terra em água salobra, assim, quem sabe, o adubo da cumplicidade faça nascer pétalas de ânimo.

Precisa-se, com extremada urgência, de alguém que empreste uma lamparina e assim as sombras da solidão, mirando no filamento de luz, permitam-se à claridade do outro. Alguém que saiba receitas de chás de raízes e que as conheça muito bem, é para evitar que as ervas daninhas se proliferem no coração e acabem sendo servidas com gosto de remédio caseiro.



Precisa-se, irremediavelmente, de alguém que ensine a magia do circo. Que ensine malabares, trapézio, mágica e acrobacias. Quem sabe, assim, seja possível aprender
flexibilidade e tolerância. Aprender a generosidade do palhaço, que espalha o riso, para não deixar que jamais morra a criança que ainda se esconde, no circo da vida,  sob lonas carcomidas e cheias de furos.



Precisa-se de alguém que saiba conjugar verbos complexos, que explique com clareza o pretérito imperfeito e o gerúndio. Quem sabe, assim, o futuro do presente se evidencie nas atitudes e elas não mais regridam no tempo em busca de respostas que já se perderam.


Precisa-se de alguém que seja exímio em matemática, para desmistificar a subtração e a divisão que se vestem do pranto e ensinar, então, a soma de fragmentos, ora desconexos, e a multiplicação de valores que não morreram, só esmoreceram.



Precisa-se de alguém que saiba consertar molduras e ensine como restaurar o quadro que reflete a história de vida. Ensine a pincelar ranhuras expostas, a colorir com vivas cores o cinza dos percalços. Quem sabe, assim, se aprenda a olhar prá dentro de si mesmo, admirar o desenho das conquistas e constatar que outras interpretações ainda são possíveis.



Precisa-se de alguém que ensine exercícios de respiração, para que o abdômen perceba-se importante e o diafragma apague a sofreguidão da agonia. Talvez, assim, sejam soprados, para muito longe, a tristeza nos olhos, o silêncio no coração e a solidão das palavras.



Precisa-se, mais que nunca, de alguém que saiba implodir prédio humano, derrubar paredes de ódio e desmanchar telhados de covardia. Alguém que saiba ao menos esboçar projetos. Assim, quem sabe, ainda restará um fio de esperança na reconstrução de um novo sujeito, com paredes solidárias e apaziguadas, cobertas por telhas de lealdade.



Precisa-se de alguém que não seja míope: é para ajudar a encontrar os óculos da verdade, perdidos nos descaminhos da frustração.

 
Precisa-se, desesperadamente, de uma "vuvuzela" que faça dispersar os pesadelos, vibrar com o time dos sonhos e acordar, definitivamente, para si mesmo. Reconhecer-se errante, mas amparado em todas e cada uma das necessidades gritadas.


 
 
 
Precisa-se, sem pressa alguma, com toda paciência, de um beijo demorado, de um sorriso balbuciando frases desconexas, de um abraço ofegante e de olhos que fazem suspirar a paixão.




Precisa-se...






Créditos das fotos:
1- Tango: Marko Zirdun
 2- Lua: Hermínio
3- Palhaço: José Neves
4- Pintura: João Vasco
5- Implosão: Paulo Liebert
6- Vuvuzela: Darko Vojinovic
6- Beijo: Gutobp

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Olhar Feminino

Dos olhares que me encantam, não há como me esquivar, é o da mulher o que mais fala à alma deste homem! Esconde segredos que não consigo desvendar. E são tantos olhares num só, que é impossível deles não me enamorar!

Olhar de aconchego... Que inspira o abraço, pedaço que se dá. Olhar de paz anunciada, de ninho oferecido. É acalento de prantos, na redenção do encontro.

Olhar de luta... Que não se embrutece na diferença. Que não recua!  Que não desiste. Que persevera, porque assim faz crer sua história. Que não cede ao silêncio das sobras e nem se permite violentar na voracidade de preconceitos da segregação profissional. Não se entrega nem se deixa avassalar. Resiste! Insiste!



Olhar de dor... Que não se furta às lágrimas. Que se transforma em força brotada das entranhas. Que avança, mesmo quando os estilhaços ainda machucam os pés. Que não faz quedar ou prostrar o ânimo. Que escancara o sofrimento, mas declara um sempre recomeçar.

Olhar de saudade... Que é nascida da sensibilidade, mas não se deixa consumir por ela. Que refuta a privação e faz altaneiros os sonhos perseguidos. É feito a própria palavra, quase indecifrável em outras línguas, mas tão bem alimentada nos olhos da mulher brasileira.

Olhar de sedução... Que surge feito jeito tímido e suave de dominação, de conquista. É audácia despindo o desejo. Faz despertar no outro a ousadia pelo magnetismo das vontades confessadas. Insinuação que exala perfume. É o flerte da poesia, ou como diz o poeta, “o beijo de agora na boca de amanhã”!


Olhar de cumplicidade... Que explicita sintonia. É a simbiose do pertencimento, feito pacto da intimidade, onde já se sabe do mais profano ao mais sagrado, no mais secreto dos mundos. Não há oposições ou contraposições, somente justaposições.



 Olhar de reprovação... Que faz calar a voz no jeito de dizer não, sem gritar. É a recusa ante o fascínio da oferenda! É o jeito de dizer do pouco que a descontenta, sem contradizer sua grandiosa dádiva maternal.

Olhar carente... Que se passa por desamparado, largado e reclamando abraço, mas que no laço da sedução enfeitiça, só porque reclamou proteção.

Olhar de carinho... Que alcança a intimidade, oferecendo bonança ao desavisado. Não reprime, só sabe incluir. Não reivindica, só sabe doar. Não julga, antes sabe perdoar.

Olhar petulante... Que se prontifica intimidador. Que não é arrogante, mas atrevido. Que não é desaforado, mas que inspira cuidados. São fragmentos de autosuficiência lançados feito flechas vicejantes, abocanhadas na senda dos desencontros.

Olhar de êxtase...  Que arrebata os sentidos, confundindo tato e paladar, olfato e audição, numa entrega infindável. Os olhos, mesmo sem perder o encanto, já não se arregalam... Pausam movimentos. Semicerrados, não se apavoram e cedem seu brilho aos sussurros lânguidos. É o frenesi do instante.

Olhar de prazer... Que é confessado na intimidade, no alcance do delírio que excede, desmedido em si mesmo.

Olhar de mulher... Que na intensidade da emoção revela a fêmea consciente do que busca, nos seus múltiplos e maduros olhares. E por conta de tantas mulheres habitarem uma só e de tantos olhares repousarem numa mesma mulher, não há olhar de homem que dê conta de decifrá-los.  É legítimo então se render a ela: à mulher e seu olhar...




Este texto participa da "Promoção Feminina" do Blog Milk Shake de Palavras






Crédito das fotos: Olhares.com - Fotografia Online
1- Encantamento: Carlos Pereira
2- Luta: Nuri
3- Dor: Ana Rita Jacinto Rodrigues
4- Saudade: Paulo Cesar
5- Sedução: Nuno Manuel Baptista
6- Cumplicidade: Fernando Tavares
7- Carente e Carinho: Nuno Runa
8- Êxtase: Fernando Bagnola
9- Mulher: Tiago Grácio

domingo, 20 de junho de 2010

Prêmio Dardos


Prêmio Dardos. Indicação do Johnny'sPub.

Sou um principiante no mundo dos blogs, por isso mesmo, não tenho a correta noção daquilo que é bom ou que incomoda, daquilo que agrada ou constrange e do que é reverência ou apenas modismo.

Esse preâmbulo é prá dizer que recebi do Johnny, do Johnny'sPub, a indicação ao "Prêmio Dardos" e algumas regras são necessárias, como por exemplo indicar 10, 15 ou 30 blogs, para também recebê-lo. Assim, de minha parte fico agradecido, pela reverência, pela indicação que acolho, com alegria.

Faço as indicações, após a explicação do que é o "Prêmio Dardos", lembrando a cada um dos meus indicados que fiquem à vontade para acolher ou declinar. Saberei entender, perfeitamente, a escolha que fizerem.
Desde já, meus sinceros agradecimentos ao Jonnhy (O blog encontra-se na lateral direita de minhas postagens, no cantinho que chamei de "Simplesmente Blogar"). Igual agradecimento manifesto aos blogs que indiquei, pela permissão que me dão de fazê-lo.



"Mas o que é o Prêmio Dardos?
O Prêmio Dardos é um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc., que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras.

Esses Selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Estas são as regras:

- Exibir a imagem do Selo no Blog.
- Exibir o link do blog que você recebeu a indicação.
- Escolher 10, 15 ou 30 blogs para dar a indicação, e avisá-los".

Eis então os meus indicados:

  

Além dos indicados, você, que sempre passa por aqui, receba-o também de coração. Você também partilha um pouquinho de si.

Fraterno abraço a todos!

sábado, 19 de junho de 2010

Esperança

Não me lembro mais o título. Não tenho mais a revista. Então, resolvi chamá-lo (tentando acertar) de Esperança, esse maravilhoso texto do Fernando Caramuru.  Merece ser saboreado!  A expressão "beijo de agora na boca de amanhã", por si só, já bastaria.  Eis o texto:

 
Anemone (Flor-da-esperança)

"Em duas situações extremas, a esperança não pode acontecer — quando todos os desejos são plenamente satisfeitos e quando eles deixam de existir. Ambas são posições de hipotético absoluto da existência, qual o céu das religiões e o inferno de Dante. Naquele, a felicidade é completa e eterna; neste, quem nele entra, deixa todas as esperanças na porta, para sempre.

Afora isso, ela é luz que alumia as noites escuras da existência humana e só vai embora quando o sol anuncia o dia. É a flor dama-da-noite, que começa a emanar perfume somente quando as últimas fímbrias do ouro solar rumam-se para o imperceptível, via linha do horizonte. O pio da coruja sob o manto noturno é um referencial de esperança.

Esperança é o sonho que nasce dos pesadelos. Ela surge altaneira no momento em que os desejos são contrariados pela “lógica rocha” (De Bono), a ciência sem humildade nas conclusões, os valores e as crenças únicos e excludentes.

É o beijo de agora na boca de amanhã.



É a estrela-guia da libertação da saga dos ineducáveis, desenganados, subjugados desocupados, diferentes, injustiçados, deficientes, desamados, loucos, excluídos.

Diga-se da esperança o que John Dewey falou do desejo: 'A atividade que procura caminhar para romper o dique que a detém'.

Ter esperança não é, portanto, quedar-se como os anacoretas, contemplando o que é, querendo-o de outra forma bem melhor. É, essencialmente, busca incessante, luta — só e com os parceiros— por aquilo que não tem lugar agora, mas, acredita-se, terá um dia.

Iris Branco na foto de Rose Nakamura (esperança e perseverança)


A expressão “andar de esperança” é usada em Portugal para se referir às mulheres grávidas.

Esperança é o filho que vai nascer. Devem-se tomar todos os cuidados pré-natais, levar um tempo para o nascimento acontecer; para que ele aconteça, é preciso muito esforço da parturiente e, quase sempre, a ajuda dos outros.

O desejo (a esperança) não pode ser tênue, pífio. Desse modo, não passa de veleidade, não é força suficiente para afastar a “doença mortal” (Kierkegaard) dos homens: a desesperança.

Essa doença aparece sempre que o desejo briga com a imaginação e esta sai ganhando — a coisa desejada não será obtida, garante a imaginação.

A Pedagogia da Esperança deve ser cultivada em todo processo educacional, seja ele sistemático ou assistemático, já que o homem e o mundo são produtos inacabados, passíveis de erros e acertos, desamor e amor, involução e evolução.

Com ela os homens aprenderão que, quando se deseja, se luta e se une para se conseguir o que se quer, o impossível não existe. E mais que isso, o que se tornou possível passa-se a provável".

FRAGA, Fernando Caramuru Bastos. Editorial.                   
Dois Pontos: Teoria e Prática em Educação,                 

Belo Horizonte, Vol.3, nº 24, p.3, Jan/Fev 96.

Fonte:Anemone

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Êxtase

Vejam só que interessante! Remexendo em coisas dos tempos da faculdade, quando cursava Pedagogia, editava um jornalzinho, o "Pirracinha", para brincar com as amizades construidas e lá encontrei uma poesia. Pois é! É isso mesmo! Na verdade um arremedo de poesia. E o título é até inspirador: Êxtase! Mas, como "morro de inveja" dos poetas e poetisas que visito sempre, notadamente a minha querida amiga Ester,  a quem admiro tanto, resolvi que deveria publicá-la.

Hoje, passados mais de 15 anos, é que vou relendo-a, com outro olhar, com outros gostos e com outras interpretações. Resolvi eternizá-la, aqui. Faz parte da memória!

Que me perdoem os poetas e poetisas do mundo virtual. Eis então o arremedo:


 Êxtase

Há um instante...
Uma miragem no horizonte...
Uma paixão estonteante...
Um coração esvoaçante...

Uma boca rósea... intrigante
Um corpo solto... elegante
Seios firmes... provocante
Jeito doce... insinuante

Passos lentos... avante
Quadris ao fogo... requebrante
Coxas lisas... delirante
Olhar malicioso... perturbante

Língua molhada... amante
Lábios suados... instigante
Batom desmanchado... insignificante
Corpos juntos... uma constante

Sussurros loucos... distante
Movimentos bêbados... viajante
Peles se encontrando... alucinante
Êxtase... Foi o instante!!


Foto: Negateven