quarta-feira, 17 de julho de 2013

Vamos Todos Cirandar




"Processos são passos dados em direção a algo, mantendo certa unidade e regularidade, sob influência de alguma coisa endógena e exógena.

Nas instituições, esses passos delineiam uma dança cuja natureza é resposta à música administrativa adotada.

Na dança das escolas, os dançarinos da gestão educacional não podem perder o ritmo. (É preciso dizer que todas as relações escolares se constituem, indubitavelmente, gestão educacional, já que visam a ações planejadas de aprendência e ensinamentos entre si e consigo mesmos e as propiciam.) Se algum destrambelhado não cadenciar — dance ele sozinho, com outro ou outros  — esse desastre afeta todos os seus colegas, comprometendo a estética funcional da instituição. No mundo de eficientes metodologias administrativas de hoje, como no maravilhoso mundo grego de outrora, o que é belo para alguma coisa é-lhe também bom.

Qualquer desafinação da composição musical da escola não só pode prejudicar a performance executiva de cada sistema, como comprometer a sua imagem interna e externa.

Como a dança requer técnica e expressividade almejando o belo, ela se caracteriza como arte. É processo artístico em andamento, mas, também, produto intermediário em busca de um produto final cada vez mais aprimorado.

Individual e coletivamente, os dançarinos carecem de ensaios e atualizações técnicas constantes; graça e garra na coreografia do cotidiano; engajamento e maturidade emocionais; comprometimento pessoal; sintonização de um com o outro e de todos com as danças institucionais. No emaranhado dessas danças, há aquelas que analisam, informam, projetam e checam as outras, que, para serem magistralmente dançadas, precisam de instrumentos que toquem adequadamente.

Quem dança  — independentemente de ser dançarino principal, coadjuvante ou mero figurante  —, se não desafinado por desídia, incompetência e que tais, contribui relevantemente para o êxito do espetáculo institucional. Assim, merece cooperação dos colegas, respeito humano, reconhecimento dos públicos a que serve, direito ao usufruto pleno do diapasão que lhe cabe na instituição.

Os diversos e vários processos utilizados pela escola, para o desempenho máximo de suas funções de educadora maior da sociedade, requerem dançarinos exímios e dedicados.
Qualquer que seja a dança do organismo institucional, das mais complexas às mais simples, os setores e pessoas que nela trabalham devem, sempre, estar harmônicos, por mais competitivos sejam aqueles e competidoras estas.

As danças decorrentes das músicas administrativas adotadas por esta ou aquela escola, conforme sua missão, visão e metodologia, não podem deixar de seguir os sábios ensinamentos das danças circulares para alcançar a apoteose institucional.

As danças circulares, que existem desde as comunidades primitivas às pós-modernas de hoje e nas diversas partes do mundo, dizem-nos que se dança de mãos dadas uns com os outros, para que ninguém perca o ritmo, porque a beleza do espetáculo só pode ocorrer se não houver exclusão ou humilhação de ninguém.

Espera-se, dos maestros e maestrinas que regem as músicas das escolas, um gestual de batuta no ritmo e na harmonia adequados às danças que geram a formação eficaz, eficiente e integral dos dançarinos escolares: alunas e alunos; professoras e professores; administradoras e administradores; administradas e administrados."
 


Fernando Caramuru Bastos Fraga
Editorial da Revista Dois Pontos - nº 43 - julho/agosto de 1999

Um comentário:

  1. Olá, Gilmar
    A música enaltece o melhor de nós e deve ser bem ensinada nas escolas para formar bons valores...
    Abraços fraternos de paz e bem

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