sexta-feira, 19 de julho de 2013

A metáfora do lápis



Hoje, por alguma razão que desconheço, deparei-me com um discurso que fiz numa formatura, quando ainda dirigia uma faculdade. Rememorar... Permitir que outro mundo desfile, uma vez mais, em lembranças impregnadas de carinho e, porque não, também de saudades das pessoas com as quais se compartilha uma grande caminhada.

Nesse texto, como sempre eu fazia ao final da fala, há uma metáfora simples, mas contundentemente significativa naquele contexto específico. Eis a metáfora:


O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:
— Vovó! A senhora está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E, por acaso, é uma história sobre este seu neto?
A avó parou de escrever a carta, sorriu e comentou com o netinho:
— Estou escrevendo sobre você, é bem verdade, entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
— Mas ele é igual a todos os outros lápis que vi em minha vida!
A avó, pacientemente, então explicou:
— Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, fará de você sempre uma pessoa em paz com o mundo...
Primeira Qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à sua vontade.
Segunda Qualidade: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo e usar um apontador. Isso faz com o lápis sofra um pouco, mas no final, ele estará mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.
Terceira Qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho do bem e da justiça.
Quarta Qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.
— Finalmente, a Quinta Qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida, irá deixar traços. Portanto, procure ser consciente e grandioso em cada ação realizada.



Pois é... uma metáfora simples, mas que instiga! Propicia a reflexão e convida a não temer a prática revisionista, afinal, mudança é antes de tudo um ato de bravura. Por vezes é preciso saber usar a borracha... não alimentar a dor.

E a alma, feito o grafite, precisa sobreviver às intempéries, principalmente com atitudes de humildade e lealdade. Feito isso, certamente seremos incansáveis na arte de lançar traços por onde a estrada nos levar e, ao longo do tempo, uma aquarela multicores espelhará o ser que nunca se cansa de aprender: haverá sempre um traço novo a ser realizado!

É um convite!

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Os comentários têm a função precípua de precipitar a maturação da reflexão, do texto “apossado”. É um ponto de partida, sem o ponto de chegada. É o exercício da empatia no rompimento do isolacionismo, posto que, tudo está conectado. É a sua fala complementando a minha. Por isso mesmo fique à vontade para o diálogo: comentar, concordar, discordar, acordar...

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