sábado, 18 de outubro de 2014

A Loja de CD's

Metáfora
Amor adolescente



Era uma vez um garoto que nasceu com uma doença que não tinha cura. Tinha 17 anos e podia morrer a qualquer momento. Sempre viveu na casa de seus pais, sob o cuidado constante de sua mãe.

Um dia decidiu sair sozinho e, com a permissão da mãe, caminhou pela sua quadra, olhando as vitrines e as pessoas que passavam. Ao passar por uma loja de discos, notou a presença de uma garota, mais ou menos da sua idade, que parecia ser feita de ternura e beleza.

Foi amor à primeira vista. Abriu a porta e entrou, sem olhar para mais nada que não a sua amada. Aproximando-se timidamente, chegou ao balcão onde ela estava.

Quando o viu, ela deu-lhe um sorriso e perguntou se podia ajudá-lo em alguma coisa. Era o sorriso mais lindo que ele já havia visto, e a emoção foi tão forte que ele mal conseguiu dizer que queria comprar um CD.

Pegou o primeiro que encontrou, sem nem olhar de quem era, e disse:

— Esse aqui...

— Quer que embrulhe para presente ? — perguntou a garota, sorrindo ainda mais...

Ele balançou a cabeça para dizer que sim e disse:

— É para mim mesmo mas eu gostaria que você embrulhasse.

Ela saiu do balcão e voltou, pouco depois, com o CD muito bem embalado. Ele pegou o pacote e saiu, louco de vontade de ficar por ali, admirando aquela figura divina.

Daquele dia em diante, todos as tardes voltava à loja de discos e comprava um CD qualquer. Todas as vezes a garota deixava o balcão e voltava com um embrulho cada vez mais bem feito, que ele guardava em sua gaveta, sem sequer abrir.

Ele estava apaixonado, mas tinha medo da reação dela, e assim, por mais que ela sempre o recebesse com um sorriso doce, não tinha coragem para convidá-la para sair e conversar.

Comentou sobre isso com sua mãe e ela o incentivou, muito, a chamá-la para sair. Um dia, ele se encheu de coragem e foi para a loja.

Como todos os dias comprou outro CD e, como sempre, ela foi embrulhá-lo. Quando ela não estava vendo, escondeu um papel com seu nome e telefone no balcão e saiu da loja correndo.

Alguns dias depois o telefone tocou e a mãe do jovem atendeu. Era a garota perguntando por ele. A mãe, desconsolada, nem perguntou quem era, começou a soluçar e disse:

— Então, você não sabe? Faleceu ontem.

Passado alguns dias mais, a mãe entrou no quarto do filho, para olhar suas roupas e ficou muito surpresa com a quantidade de CDs, todos embrulhados e guardados em sua gaveta.

Ficou curiosa e decidiu abrir um deles. Ao fazê-lo, viu cair um pequeno pedaço de papel, onde estava escrito: "Você é muito simpático, não quer me convidar para sair? Eu adoraria".

Emocionada, a mãe abriu outro CD e dele também caiu um papel que dizia o mesmo, e assim todos quantos ela abriu traziam uma mensagem de carinho e a esperança de conhecer aquele rapaz.

Assim é a vida:

Não espere demais para dizer a alguém especial aquilo que você sente. Ainda dá tempo...

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Cor-respondência

Outros Autores


Remeta-me os dedos
em vez de cartas de amor
que nunca escreves
que nunca recebo.
Passeiam em mim estas tardes
que parecem repetir
o amor bem feito
que você tinha mania de fazer comigo.
Não sei amigo
se era o seu jeito
ou de propósito
mas era bom, sempre bom
e assanhava as tardes.
Refaça o verso
que mantinha sempre tesa
a minha rima
firme
confirme
o ardor dessas jorradas
de versos que nos bolinaram os dois
a dois.
Pense em mim
e me visite no correio
de pombos onde a gente se confunde
Repito:
Se meta na minha vida
outra vez meta
Remeta.

Elisa Lucinda

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Confissão estratégica



Humor
No confessionário, chega o pequenino Joãozinho e confessa:
  

- Padre, eu pequei. Fui seduzido por uma mulher casada que se diz séria.


- És tu, Joãozinho?


- Sou, Sr. Padre, sou eu.


- E com quem estivestes tu?


- Padre, eu já disse o meu pecado... Ela que confesse o dela.


- Olha, mais cedo ou mais tarde eu vou saber, assim é melhor que me digas agora!....


- Foi a Isabel Fonseca? Perguntou o padre.


- Os meus lábios estão selados, disse Joãozinho.


- A Maria Gomes?


- Por mim, jamais o saberá...


- Ah! A Maria José?


- Não direi nunca!!!


- A Rosa do Carmo?


- Padre, não insista!!!


- Então foi a Catarina da pastelaria, não?


- Padre, isto não faz sentido.


O Padre rói as unhas desesperado e diz-lhe então:


- És um cabeça dura, Joãozinho, mas no fundo do coração admiro a tua reserva. Vai rezar vinte Pais-Nossos e dez Ave-Marias... Vai com Deus, meu filho. . . 


 Joãozinho sai do confessionário e vai para os bancos da igreja.O seu amigo Maneco desliza para junto dele e sussurra-lhe:


 - E então? Conseguiu a lista?


- Consegui. Tenho cinco nomes de mulheres casadas que dão para todo mundo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

MEU JEITO DE DIZER QUE TE AMO!

Meus Rabiscos


Meu jeito de dizer que te amo é torto, carregado de erros, sinônimos de mim mesmo. Não se parece com contos de fadas e nem rimas sabe aprontar.  Mas você sabe o grande segredo: o segredo de quem é o homem que este jeito sabe guardar!

Meu jeito já não carrega mais a delicadeza do namoro, dos beijos intermináveis e do abraço infindável. Ele agora, maduro, ainda conhece os lábios, mas as falas por eles pronunciadas têm o gosto da cumplicidade. O abraço é aconchego de sonhos que não morreram. Sobrevivem à rotina.

É o jeito de aprender a plasticidade humana, no meu espelho cotidiano. De oferecer paciência, quando há pressa. De sussurrar, quando a vontade é gritar. De olhar enternecedoramente, quando devorar se faz impossível.

Não carrega o desafio aturdido da angústia. Não reinventa paradigmas. Não permite sobejar a melancolia dos "prontos e acabados"! É, ao contrário, inconcluso porque se refaz a todo instante. É avesso a milagres, porque exige esforço, dedicação, comprometimento, entrega e compromisso. É sensível, porque sabe exercer a escuta que multiplica.

O meu jeito não é escrito nas novelas e não é visto nos filmes, onde a emoção convida a lágrima. Não sai da boca dos poetas, porque a poesia já foi quase esquecida. Não brota de textos magnânimos, pois as letras precisam acudir outros desatinos. Não ecoa feito melodia orquestrada, pois as partituras já se misturaram a esmo.

O meu jeito é enviesado no que aparenta. Confunde-se com displicência e desarranjos outros, mas não é egoísta. Carrega contradições da alma, no desvelamento do desejo. Ainda assim é insano, pois o querer insiste ressurgir a cada passo. Acaba por tornar-se pernóstico, pois sua parcialidade cega-lhe os rumos ante o surgimento do que desconhece.

Acontece de ser também um jeito clichê, perdendo-se em superficialidades e convencionalismos, porque a mutualidade da ressonância ousa distanciar-se. Ele então confunde proteção, de si mesmo, com necessidade de transbordamento.

Mas também se prontifica a proclamar, em alto e bom som, o quanto visceral é. O quanto nas entranhas ele habita.  E grita, sem medos ou reservas, por que assim o crê. Nada de exortação, convocação ou “decretos”. Grita porque se institui enquanto parte de mim mesmo. Porque se arrancado, desfaleço.

Meu jeito não transita num "céu de brigadeiro". Há nuvens remoendo trovões. Há raios que dilaceram. Mas é assim, desse jeito, no mais imperfeito, que aprendo a reconquistar.

Um jeito que encontra eco na afirmação de que “ninguém pode ensinar honestidade em palestras, lealdade com histórias, coragem por analogia ou maturidade pelo correio”. Então, o meu jeito também reclama não ser preciso debulhar palavras ao texto, engrandecê-lo de expressões cativantes, recheá-lo de superlativos mágicos e matizá-lo de verbos doces.

O meu jeito é incandescente, pois sua moradia é a verdade e não deixa adormecer a vontade! É metáfora deste homem, porque os significados residem na constante busca. É cheio de defeitos, quase irreparáveis, mas carrega, na simplicidade, o seu maior e mais contundente axioma: você!

O meu jeito de dizer é nascido da incompletude, porque a minha outra parte, a que eu mais amo, é você.

É o meu jeito...




Créditos
Foto 01 (Equilíbrio):Crystal Davis
Foto 02: (Espelho d'água): Bruno Deroose
Foto 03: (Tempestade): Jon Liu




Publicado originalmente em 12 de junho de 2010

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A Libélula

Metáfora
Libélula



Num lugar muito bonito, onde havia arvóres, flores e um lindo lago...

Certo dia, numa das árvores surgiu um casulo... E quando ele se rompeu, de dentro saiu voando uma linda libélula.

E ela ficou tão encantada com o lugar, que voou por cada pedaçinho... Brincou nas flores, nas árvores, no lago, nas nuvens...

E quando ela já tinha conhecido tudo...no alto de uma colina, avistou uma casa... A casa do homem...e a libélula havia de conhecer a casa do homem...e foi voando pra lá....

E então, a líbelula entrou por uma janela, justo a janela da cozinha...

E nesse dia, uma grande festa era preparada. Um homem com um chapéu branco...grande...dava ordens para os criados... Mas a libélula não se preocupou com isso.

Brincou entre os cristais, se olhou na bandeja de prata, como fizera no espelho das águas e explorou cada pedacinho daquele novo mundo... Quando, de repente, ela viu sobre a mesa...uma tigela cheia de nuvens!!!

E a libélula não resistiu, ela tinha adorado brincar nas nuvens...e mergulhou.... Mas quando ela mergulhou...ahhhhhhhh...aquilo não eram nuvens, e ela foi ficando toda grudada, e quanto mais ela se mexia tentando escapar...ahhhhhh mais ela afundava....

E a libélula então começou a rezar, e ela pedia ao Deus dos Insetos Voadores que a libertasse, fazia promessas e dizia que se conseguisse sair dali, dedicaria o resto de seus dias a ajudar os insetos voadores...e ela rezava e pedia...

Até que o chefe da cozinha começou a ouvir um barulhinho, e ele não sabia que era a libélula rezando e quando olhou na tigela de claras em neve...arghhhh um inseto!!! E ele pegou a libélula e a atirou pela janela...

A libélula então, se arrastou para um pedacinho de grama, e sob o sol começou a se limpar...e quando ela se viu liberta...ahhhhh ela estava tão cansada que se virou pra Deus e disse:

— Oh Senhor, eu prometi dedicar o resto de minha vida a ajudar os outros insetos voadores, mas agora eu estou tão cansada, que prometo cumprir minha promessa a partir de amanhã...

E a libélula adormeceu...

Mas o que ela não sabia, e você também não sabe, é que as libélulas vivem apenas alguns meses e aquele seria o último dos dias...

E naquele pedacinho de grama, a libélula adormeceu, e não mais acordou....