quarta-feira, 18 de março de 2015

O Verdadeiro Educador


Outros Autores

O professor apenas instrui, o educador simplesmente educa.

O professor indica a direção, o educador acompanha na jornada.

O professor expõe o conteúdo exigido, o educador explora além do descoberto.

O professor se restringe ao plano de aula, o educador prioriza as necessidades do aluno.

O professor ignora o aluno enquanto indivíduo, o educador valoriza a contribuição pessoal do educando.

O professor corrige, o educador avalia.

O professor unicamente desempenha as obrigações, o educador ultrapassa o cumprimento do dever.

O professor se sente insignificante diante dos problemas educacionais, o educador considera-se responsável pelas soluções.

O professor inspira-se no modismo educacional, o educador transforma-se constantemente, na senda ilimitada do saber.

O professor limita-se em sua emoção, o educador amplia as fronteiras do seu próprio sentimento.

O professor torna-se uma pequena lembrança, o educador é um modelo a ser seguido.

Lúcia Alves

sábado, 14 de março de 2015

Flagrante no Motel

Meus Rabiscos



Cidade do interior tem essa coisa de todo mundo conhecer todo mundo. Às vezes é muito bom, facilita a solidariedade, noutras tantas, pode provocar alguns estragos irreparáveis.

Dia desses, um camarada resolveu dar uma "escapulida" à tarde. O comércio estava parado mesmo, sem qualquer movimento. Recomendou à balconista que se o procurassem, estaria na cidade vizinha, negociando algumas mercadorias para a loja. Correu até o pequeno banheiro, deu uma arranjada no cabelo, pincelou com o dedo algumas gotas de perfume, discou um número no celular e combinou a festa.

Separado, há alguns anos, vivia sua solteirice ao extremo. Nada de compromissos sérios. Valia experimentar sensações que imaginava estarem apagadas. Que nada! Renascera para a vida. Vivia, nas rodas de amigos, com largos sorrisos e muita prosa boa. Era um alívio não se obrigar a certas tramas matrimoniais.

Pouco tempo depois já estacionava o carro numa das vagas da suite 115, do motel "Êxtase". Curioso ao extremo, reparou, por entre a fresta da "portinhola" de lona, o veículo que estava estacionado na suite ao lado. Não era um carro comum, por isso a curiosidade foi aguçada. Abriu um pouco mais, para verificar o modelo. Haviam no máximo uns cinco daqueles na cidade e, como era fissurado em carros, já identificou, de pronto, os proprietários.

Enumerou, ali mesmo os donos, sempre se perguntando se seria ou não.
 —Será o Bartolomeu, o médico obstetra? O Carlúcio não pode ser, ele está na fábrica agora, passei por ele há pouco. O prefeito? Seria o prefeito? E se fosse o Magno, o amigo e pastor? Não! Ele era correto demais! Só podia ser então o Marcão! Esse é um mulherengo inveterado, casado, mas não dá ponto sem nó.

E quanto mais pensava, mais a curiosidade aumentava. Não aguentou. Abriu de vez a portinhola, entrou na vaga e constatou que era mesmo o carro do Marcão. Deu vontade de "sacanear" o amigo, bater na porta, aprontar uma confusão ali. Depois, repensando, achou melhor não exagerar. Observou que o vidro da porta do carro estava um pouco abaixado. Imaginou que, na pressa, no afã do prazer, Marcão se descuidara. Resolveu então que iria aprontar uma prá ele. Enfiou a mão pelo vidro, abriu cuidadosamente a porta e arrancou o dvd player do veículo, não todo, mas só o dispositivo de segurança. E era justamente o "equipamento importado", como gostava de gabar-se o amigo.

Feito isso, foi também para o seu cantinho do prazer. E já mal esperava o momento em que aprontaria a gozação com o Marcão.

Passados uns dois dias, numa tarde de domingo, quando a turma se reunia no boteco para a cervejinha, viu que Marcão estava na roda e todo prosa. Parou o carro, pegou o dispositivo do dvd player, colocou no bolso da blusa e se aprontou para a gozação.

O papo animado, como sempre numa roda de amigos, só falavam sobre mulheres. Os imaginários segredos quebravam-se todos naquela mesa. Cada um queria contar mais vantagem que o outro. E o Marcão estava mesmo todo prosa!
— Mulher gosta mesmo é de carinho! E lá em casa é assim, dou muito carinho à "patroa", que é prá nunca reclamar qualquer falta! Do jeito que a coisa anda, meus camaradas, quem gosta de ser Ricardão, não pode dar chance de ser surpreendido pelo cara... 

E caiam em risadas desmedidas. Era sempre hilário ridicularizar os coitados dos homens, daquela cidadezinha, que nem sabiam da existência de um Ricardão em casa.

E, nesse embalo, nessa conversa de Ricardão, foi ali que resolveu aprontar com o Marcão. Tirou um dvd do bolso e, como o carro do Marcão estava bem na porta do boteco, foi logo dizendo:
— Aí Marcão! Comprei esse DVD aqui, muito bem recomendado. Dizem que o som é magnífico. São os sucessos de Vitor e Leo, gravados ao vivo! Que tal a gente ligar no seu carro, para animar a turma aqui?!

O Marcão, meio sem graça, retrucou:
— Pessoal, eu lamento. Não vai ter jeito não! É que, na sexta-feira passada minha esposa saiu no carro prá fazer umas compras  e, segundo ela, quando retornou ao estacionamento, haviam roubado o dvd player do carro. Aquele equipamento é tecnologia pura e de primeiro mundo, mas ela se esqueceu de retirar o dispositivo de segurança. E sem ele fica imprestável. E o pior é que ninguém viu nada! Quem pegou vai faturar grana alta. Eu fiquei no maior prejuízo.

O amigo, sem saber se dava uma boa gargalhada ou se chorava a dor do Marcão, engoliu a seco as palavras. Aquele super-homem virou pateta! Sexta-feira, naquela hora, não era o Marcão, mas a esposa dele quem estava naquela suite...

Sem saber o que fazer com o "bendito" dispositivo importado, permaneceu calado e pensativo: "é meu amigo, o seu prejuízo é muito maior do que você imagina e vai crescer ainda mais..."
Publicado originalmente em 07 de agosto de 2010

terça-feira, 10 de março de 2015

Amor a Deus

Metáfora
Discípulo



Certo discípulo, ao caminhar com seu mestre pela areia da praia, ficou encantado ao perceber o quanto este era querido. Todos os transeuntes manifestavam a mais explícita alegria pela passagem do mestre.



Curioso, perguntou ao mestre:



— Pôr que você é assim tão querido mestre?



O mestre respondeu:



 — É porque amo a Deus.



Não satisfeito, o discípulo insistiu:



—  Mas mestre, é só isso?        



O mestre, mais uma vez, com paciência lhe diz a mesma resposta.



Os dias se passaram e o discípulo continuava a insistir na mesma pergunta e sempre obtendo a mesma resposta:



Certo dia, após fazer a mesma pergunta, o mestre o convida para tomar banho no rio. O discípulo, meio ressabiado, hesita e pensa:  "Tomar banho no rio? Que estranho". Contudo, ante o chamado do mestre, por fim aceita e lá foram eles rumo ao límpido rio do lugarejo



Chegando ao rio, puseram-se a mergulhar. De repente, o mestre agarra o discípulo pelo pescoço e afunda-o na água, segurando-o firmemente. O discípulo, assustado, tentava se desvencilhar do mestre e não conseguia. O mestre o segurou lá por um bom tempo.



Quando finalmente foi solto, o mestre lhe disse:



—  Você sempre me pergunta porque todos me amam e me querem bem e você nunca aceitou a minha resposta. Pois bem, esta é a resposta.



O discípulo sem nada entender, retruca:



—  Mas mestre, eu quase me afoguei. O que tem isso a ver?



O mestre, paciente, lhe  responde:



—  Quando você estava embaixo da água, no que pensava? O mais você  queria?



O discípulo diz:



—  Queria respirar. Queria viver.



—  Pois bem, o dia em que você for capaz de amar a Deus tanto quanto desejava respirar, tanto quanto a vida que tem, então será este o amor de que tanto falo.

sexta-feira, 6 de março de 2015

A "primeira vez" do Joãozinho



 
Humor
Joãozinho, mineiro, da quinta série D, agora vai recitar a poesia: 

"A primeira vez" 

Minha primeira vez foi assim...
O céu estava claro,
A lua quase dourada,
Ali no campo eu e ela,
E não se via mais nada.

A pele suave,
Ela de quatro,
As ancas expostas,
Os quadris largos,
E eu tocando de leve,
O macio de suas costas.

Não sabendo começar,
Olhei o corpo esguio.
E decidi pôr as mãos,
Sobre seus peitos macios.

Eu sentia medo.
Meu coração forte batia,
Enquanto ela bem lentamente,
As firmes pernas abria.
 
Vitória! Eu consegui!
Tudo então melhorou.
Pelo menos desta vez,
O líquido branco jorrou.

Finalmente tudo acabou,
E quase saio de maca.
Foi assim a primeira vez
Que eu tirei leite da vaca.


Tenha um bom dia e pare de pensar besteira...

segunda-feira, 2 de março de 2015

Receita de Alfabetização e Alfabetização sem Receita



RECEITA DE ALFABETIZAÇÃO


Pegue uma criança de seis anos. Enxugue-a com cuidado, enrole-a num uniforme e coloque-a sentadinha na sala de aula. Nas oito primeiras semanas, alimente-a com exercícios de prontidão. Na nona semana, ponha uma cartilha nas mãos da criança.Tome cuidado para que a criança não se contamine no contato com livros, jornais, revistas e outros perigosos materiais impressos. Abra a boca da criança e faça com que ela engula as vogais. Quando tiver digerido as vogais, mande-a mastigar, uma a uma, as palavras da cartilha. Cada palavra deve ser mastigada no mínimo 60 vezes, como na alimentação macrobiótica. Se houver dificuldade para engolir, separe as palavras em pedacinhos. Mantenha a criança em banho-maria durante quatro meses, fazendo exercícios de cópia. Em seguida, faça com que a criança engula algumas frases inteiras. Mexa com cuidado para não embolar.


Ao fim do 8o mês, espete a criança em um palito, ou melhor, aplique uma prova de leitura e verifique se ela devolve pelo menos 70% das palavras e frases engolidas. Se isto acontecer, considere a criança alfabetizada. Enrole-a num bonito papel de presente e despache-a para a série seguinte.


Se a criança não devolver o que foi dado para engolir, recomece a receita desde o início, isto é, volte aos exercícios de prontidão. Repita a receita quantas vezes for necessário. Ao fim de três anos, embrulhe a criança em papel pardo e coloque um rótulo: “aluno renitente”.


  OBS: Se não gostar desta receita, parabéns. Nesse caso, pratique a Alfabetização sem Receita.



ALFABETIZAÇÃO SEM RECEITA


 Pegue uma criança de seis anos, ou mais, no estado em que estiver, suja ou limpa, e coloque-a numa sala de aula onde existam muitas coisas escritas para olhar e examinar. Servem jornais velhos, revistas, embalagens, propaganda eleitoral, latas de óleo vazias, caixas de sabão, sacolas de supermercado, enfim, tudo que estiver entulhando os armários da escola e da sua casa. Convide a criança para brincar de ler, adivinhando o que está escrito: você vai descobrir que ela já sabe muitas coisas.


Converse com a criança, troque as ideias sobre quem são vocês e as coisas de que gostam e não gostam. Escreva no quadro algumas das frases que foram ditas e leia em voz alta. Peça à criança que olhe as coisas escritas que existem por aí, nas lojas, no ônibus, nas ruas, na televisão. Escreva algumas destas coisas no quadro e leia para a turma. Deixe as crianças cortarem letras, palavras e frases dos jornais velhos e não esqueça de mandá-las limpar o chão depois, pra não criar problema na escola. Todos os dias leia em voz alta para a criança, alguma coisa interessante, historinha, poesia, notícia de jornal, anedota, letra de música, adivinhações. Mostre para a criança alguns tipos de coisas escritas que talvez ela não conheça: um catálogo telefônico, um dicionário, um telegrama, uma carta, um bilhete, um livro de receitas de cozinha.


Desafie a criança a pensar sobre a escrita e pense você também. Quando a criança escrever, deixe-a perguntar ou ajudar ao colega. Não se apavore se a criança estiver comendo letras: até hoje não houve caso de indigestão alfabética. Acalme a Diretora e a Supervisora se elas ficarem alarmadas.


Invente sua própria cartilha. Use sua imaginação sua capacidade de observação para ensinar a ler. Leia e estude você também.

 

P.S: Se não gostar deste processo, aplique a Receita de Alfabetização.

 

Marlene Carvalho

Faculdade de Educação - UFRJ