segunda-feira, 22 de julho de 2013

Chegadas e Partidas - Ainda Ser Feliz



Agora é dizer sobre  partidas e chegadas... 

Opto então por pensar “partidas e chegadas” enquanto processos evolutivos do ser, enquanto instâncias de refazimento de si e de criação das novas metas, em constante processo "espiralado" de reconstrução.

Essa evolução, por todos experimentada, talvez com ponto de partida bem delineado, mas sem ponto final ou de chegada definido, por conta também das involuções sofridas, é a trajetória natural de cada ser humano.

A falta do ponto final nos remete à estrada sem fim, à amplidão do rumo, onde o horizonte é tingido, aos nossos olhos, por cores de nevoeiro, poeira, chuvas torrenciais, escuridão, reflexos de luzes, enfim, são metáforas dos desafios a ultrapassar, das curvas montanhosas a sobreporem declives e aclives acentuados, e tudo isso nas desconhecidas formas e condições de prosseguir os passos.

Evolui-se entre tantas chegadas e tantas partidas, por vezes concomitantes. Alguns param na chegada. Outros não querem mais a partida. Alguns se aquietam nos pontos de descanso da estrada e não se pode dizer que são menos felizes por isso. São escolhas. Optou-se por permanecer naquele lugar, independentemente das limitações impostas. É que nem todos tem a aptidão para explorar outros caminhos, a alma não é expedicionária e nela não mora a curiosidade, nem tampouco a ousadia. Ou nada disso. Apenas se escolheu ficar...

Outros são afoitos nas partidas. Não saboreiam a chegada. Não permitem que os olhos descansem, por segundos sequer, nas novas paragens. Não apreendem, portanto não aprendem. O pensamento intuitivo ignora o convite reflexivo. Etapas são puladas. Esses também não são menos felizes por isso! Só há pressa. O olhar, talvez, esteja lançado adiante. Outras são as escolhas. Também esses não são menos felizes por isso...

Outros ainda enamoram-se das chegadas, tecem laços emotivos para além do tempo permitido. Acomodam-se na intensificação do sabor experimentado. Lambuzam-se, em demasia. Adormecem nos braços convidativos da suposta felicidade que não reclama reforço, cuidados ou sonhos. O tempo, quem sabe, um pouco mais adiante, vai exigir desses algum desapego e releituras.  E também não são menos felizes por isso!

Há então os que titubeiam ante as escolhas de partir ou de chegar. Há medo de partir, pois não se quer abrir mão do que já tem. Há medo de chegar, pois o enfrentamento dos desafios vestidos de  “novo e desconhecido”  faz desestabilizar a autonomia.  Incertos dos passos e dos rumos, acolhem os ditames de outros viajantes, muitos desses oriundos de lugares inóspitos e inabitados por almas humanas. Incautos, sobrevivem à sombra de si mesmos, desconhecendo dores aguçadas e sorrisos engrandecidos, por isso respiram involução, num edema pulmonar prestes a subtrair-lhes a vida. Esses sim, provavelmente são menos felizes por isso!

Ser feliz então, entre partidas e chegadas ou entre chegadas e partidas, exige a capacidade de seguir adiante, com a humilde consciência do aprender a aprender e do aprender a ser; do refazer-se, do desconstruir e reconstruir-se, em permanente estado de alerta. É insistir nos passos, ir com as mãos vazias e límpidas, dando sacudidelas nos entulhos não recicláveis, revigorando-se e lançando fora o que já não serve mais. Seguir evoluindo, não desconhecer as involuções, mas jamais fugir das escolhas.


E, se preciso for, vale o “metamorfoseio” ambulante, já cantado por Raul: “... prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Sobre o que é o amor, sobre o que eu nem sei quem sou...”


E você!?

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A metáfora do lápis



Hoje, por alguma razão que desconheço, deparei-me com um discurso que fiz numa formatura, quando ainda dirigia uma faculdade. Rememorar... Permitir que outro mundo desfile, uma vez mais, em lembranças impregnadas de carinho e, porque não, também de saudades das pessoas com as quais se compartilha uma grande caminhada.

Nesse texto, como sempre eu fazia ao final da fala, há uma metáfora simples, mas contundentemente significativa naquele contexto específico. Eis a metáfora:


O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:
— Vovó! A senhora está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E, por acaso, é uma história sobre este seu neto?
A avó parou de escrever a carta, sorriu e comentou com o netinho:
— Estou escrevendo sobre você, é bem verdade, entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
— Mas ele é igual a todos os outros lápis que vi em minha vida!
A avó, pacientemente, então explicou:
— Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, fará de você sempre uma pessoa em paz com o mundo...
Primeira Qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à sua vontade.
Segunda Qualidade: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo e usar um apontador. Isso faz com o lápis sofra um pouco, mas no final, ele estará mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.
Terceira Qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho do bem e da justiça.
Quarta Qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.
— Finalmente, a Quinta Qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida, irá deixar traços. Portanto, procure ser consciente e grandioso em cada ação realizada.



Pois é... uma metáfora simples, mas que instiga! Propicia a reflexão e convida a não temer a prática revisionista, afinal, mudança é antes de tudo um ato de bravura. Por vezes é preciso saber usar a borracha... não alimentar a dor.

E a alma, feito o grafite, precisa sobreviver às intempéries, principalmente com atitudes de humildade e lealdade. Feito isso, certamente seremos incansáveis na arte de lançar traços por onde a estrada nos levar e, ao longo do tempo, uma aquarela multicores espelhará o ser que nunca se cansa de aprender: haverá sempre um traço novo a ser realizado!

É um convite!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Vamos Todos Cirandar




"Processos são passos dados em direção a algo, mantendo certa unidade e regularidade, sob influência de alguma coisa endógena e exógena.

Nas instituições, esses passos delineiam uma dança cuja natureza é resposta à música administrativa adotada.

Na dança das escolas, os dançarinos da gestão educacional não podem perder o ritmo. (É preciso dizer que todas as relações escolares se constituem, indubitavelmente, gestão educacional, já que visam a ações planejadas de aprendência e ensinamentos entre si e consigo mesmos e as propiciam.) Se algum destrambelhado não cadenciar — dance ele sozinho, com outro ou outros  — esse desastre afeta todos os seus colegas, comprometendo a estética funcional da instituição. No mundo de eficientes metodologias administrativas de hoje, como no maravilhoso mundo grego de outrora, o que é belo para alguma coisa é-lhe também bom.

Qualquer desafinação da composição musical da escola não só pode prejudicar a performance executiva de cada sistema, como comprometer a sua imagem interna e externa.

Como a dança requer técnica e expressividade almejando o belo, ela se caracteriza como arte. É processo artístico em andamento, mas, também, produto intermediário em busca de um produto final cada vez mais aprimorado.

Individual e coletivamente, os dançarinos carecem de ensaios e atualizações técnicas constantes; graça e garra na coreografia do cotidiano; engajamento e maturidade emocionais; comprometimento pessoal; sintonização de um com o outro e de todos com as danças institucionais. No emaranhado dessas danças, há aquelas que analisam, informam, projetam e checam as outras, que, para serem magistralmente dançadas, precisam de instrumentos que toquem adequadamente.

Quem dança  — independentemente de ser dançarino principal, coadjuvante ou mero figurante  —, se não desafinado por desídia, incompetência e que tais, contribui relevantemente para o êxito do espetáculo institucional. Assim, merece cooperação dos colegas, respeito humano, reconhecimento dos públicos a que serve, direito ao usufruto pleno do diapasão que lhe cabe na instituição.

Os diversos e vários processos utilizados pela escola, para o desempenho máximo de suas funções de educadora maior da sociedade, requerem dançarinos exímios e dedicados.
Qualquer que seja a dança do organismo institucional, das mais complexas às mais simples, os setores e pessoas que nela trabalham devem, sempre, estar harmônicos, por mais competitivos sejam aqueles e competidoras estas.

As danças decorrentes das músicas administrativas adotadas por esta ou aquela escola, conforme sua missão, visão e metodologia, não podem deixar de seguir os sábios ensinamentos das danças circulares para alcançar a apoteose institucional.

As danças circulares, que existem desde as comunidades primitivas às pós-modernas de hoje e nas diversas partes do mundo, dizem-nos que se dança de mãos dadas uns com os outros, para que ninguém perca o ritmo, porque a beleza do espetáculo só pode ocorrer se não houver exclusão ou humilhação de ninguém.

Espera-se, dos maestros e maestrinas que regem as músicas das escolas, um gestual de batuta no ritmo e na harmonia adequados às danças que geram a formação eficaz, eficiente e integral dos dançarinos escolares: alunas e alunos; professoras e professores; administradoras e administradores; administradas e administrados."
 


Fernando Caramuru Bastos Fraga
Editorial da Revista Dois Pontos - nº 43 - julho/agosto de 1999

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O Matuto Zé da Prosa



Aquele matuto, o Zé da Prosa, era mesmo "treteiro". Gostava de uma boa mentira. E qualquer "causo" era sempre aumentado. Não tinha jeito com ele. Fosse o que fosse, ele tinha sempre uma boa história para contar. Coisa errada? Jamais admitia que errava ou que cometia qualquer engano, qualquer desventura sofrida.

Os amigos da turma buscavam, de qualquer jeito, uma forma de aprontar uma pegadinha, mas o Zé sempre dava um jeito de sair por cima. Ele era muito esperto.

Por conta disso foi armada uma pegadinha pelo Tibúrcio, matuto de voz grave, bigode enorme e branquinho, os fios rebeldes, já faziam volta no queixo e cresciam prá cima. O cabelo branco não dava conta de esconder o "moleque arteiro" que ainda vivia naquele matuto "tinhoso".

Sô Tibúrcio então combinou com a turma de levar o Zé da Prosa para a fazenda. Eles iriam jogar truco, tomar umas cachaças, cozinhar joelho e pé de porco e, se desse tempo, ainda pescar.

E assim fizeram! Noite de sábado, lua bonita, enchendo o céu de briho, quase ofuscando as estrelas, e lá estavam eles, na fazendo do Sô Tibúrcio.

Enquanto o joelho de porco cozinhava, outros aperitivos foram preparados. Jogaram algumas partidas de truco e, lá pelas tantas, o Zé da Prosa começou com seus casos:

- Gente, ocêis num imagina o susto que eu levei dia desses, quando tava vortando prá casa de bicicreta. Tinha um risco branco, marcando a estrada, de fora a fora. Eu pensei que era até assombração. Mas dipois, fui matutando, matutando e discubri o pobrema.

Ele nem parava de cortar o fumo, ia aparando a palha, moendo o fumo com os dedos e passando a palha na boca. E continuava assim mesmo, com aquela voz mansa, arrastada. Já era engraçado só ouvir a voz do Zé, imagina então contando caso. E ele continuava.

- Eu tinha saído da venda do Nonô com um saco de açucar e tinha que subi a serra prá vortá pra casa.  A bicicreta num tinha garupa e o jeito foi ajeitá o saco no cano e no guidom. E lá eu fui, pedalano a bicicreta. As perna já tava dueno dimais, mais num pudia disisti. Pricisava chegá em casa e a noite já tava chegano. Lá praquelas bandas tem muita onça, se bobiá, o bicho mata mesmo. Mais intão eu subi um morrinho e a istrada istreitava. Vinha um tratô e prá saí fora do bitelo, eu juguei a bicicreta no barranco e saí arrastano o barranco, mato e raiz, até o tratô passá. Isfolei o braço, mais num pudia pará não. Tava ouvindo uns miado isquisito. Paricia que a onça tava chegano. Aumentei as pedalada. E no que aumentei as pedalada, a bicicreta foi ficano mais leve e quanto mais leve ficava, mais dipressa eu andava. Peguei um carrerão e subi um morro num fôlego só. Pricisava vê, sô! Quando eu cheguei lá em cima, já quais em casa, parei um tantinho pra respirá. No que oiêi prá tráis, vi um risco branco, branquinho na istrada. Achei que era o tar do etê me siguino ou intão uma assombração das mais cumprida. Gente, muntei na bicicreta di novo, apertei a pedalada e só fui pará na portêra de casa. E a bichinha tava andano era muito dipressa. Quando eu oiêi, o risco tinha diminuido, tinha afinado, mas fui caçá o saco de açucar, cadê... Tinha sobrado só um tiquinho dele. Acho que na istripulia do barranco, o saco furô e foi sortano o açucar. E eu pensano que era os tal dos etê ou assombração!

Aí o Tibúrcio torceu o bigode. Esse Zé inventa cada uma, pensava ele. Resolveu então colocar o plano em ação. É hoje que pego esse sujeitinho! Assim o Tibúrcio repetia aos amigos.

Ele já sabia que o Zé não gostava de pescaria à noite. Morria de medo de cobras e onças. E mais! Sabia também que ele adorava tomar leite de vaca! Então deixou tudo preparado. Chamou a turma, pegaram as varas e foram ao açude pescar alguns bagres e traíras. E por lá ficaram um pouco mais de uma hora.

Já de volta, depois de limpar as traíras e os três bagres, a turma se ajeitou para retomar o jogo. O Tibúrcio encheu duas travessas de biscoitos de polvilho e pão de queijo. E chamou:
- Ô turma! Vamo cumê umas merenda aqui, tomá um cafezinho cum leite prá gente aguentá esperá o cuzido e forrá o estômago.

A turma, já no conluio com o Tibúrcio, se juntou à mesa. E o Tibúrcio, ao pegar a vazilha de leite para servir, fingiu olhar dentro e foi logo falando:
- Uai Zé! Ocê tomou o leite que tava aqui sô?! Tomou quase a metade! Nossa Senhora, sô!

O Zé da Prosa, no jeitão dele de não admitir qualquer malfeito, foi logo discordando:
- Ô Tibúrcio! Eu num tomei não sô! Ocê deve de tá inganado, purquê num divia de tê esse leite todo aí na travessa não! Ocê deve de tá inganado! Eu num tomei não, pode aquerditá!

E o Tibúrcio pensou: é agora Zé! E já foi dizendo, com ar de alívio:

- Ô Zé, ainda bem sô! Nossa Senhora! Eu fiquei foi preocupado dimais. Tem andado uns bicho por aí, não sei se é gato ou rato, ou o que é, uma tropa deles e os bichano tem comido de tudo aqui. Eles num respeitam mesmo. Aí, sô, eu resolvi botá um veneno no leite, prá vê se acabo com essa cambada de bicho que come o que num deve. E eu deixo sempre a travessa lá na pia, com o leite.

Nisso o Zé já estava de olhos arregalados, mas não abriu a boca e nem deu o braço à torcer. E o Tibúrcio continuava:
- E eu esqueci de falá com ocê, ô Zé, que o leite tava preparado. E como ocê gosta de leite, Nossa Senhora, eu fiquei preocupado dimais. Achei que iria precisá de fazê um preparado aqui, prá cortá o efeito do veneno. Eu até já tenho pronto aqui, na garrafinha, só que  ia precisá fortalecê mais o preparado de raíz. Ainda bem sô! Quais morri de susto! Imagina se ocê virasse os olhos e começasse a sortá ispuma pela boca? Nossa Senhora, ia sê uma tristeza, Zé! Ocê num ia vivê muito mais não, só umas poucas horas.

Aí o Zé, já morrendo de medo, com os olhos arregalados, não sabia o que dizer. Não podia confessar. Então, meio sem jeito, mas espertalhão como sempre, foi logo emendando a fala do Tibúrcio:
- Ô Tibúrcio, se esse trem que ocê colocou no leite é tão marvado assim, intão eu acho melhó tomá um gole tamém, só prá previni, né mesmo?!

E lá foi o Zé. Avançou na garrafa do Tibúrcio, no maior desespero. E de uma só golada tomou metade do preparado da garrafinha. Tomou num fôlego só. Respirou e noutro fôlego, tomou o resto. E limpando a boca com a manga da camisa, arrematou:
- Num custa nada privini, né mesmo?!

A turma então caiu na risada!
- É Zé! Hoje ocê caiu na brincadeira! Sua mentira num deu certo, sô! Num tinha nada no leite não! Era só um jeito de te pegá na mentira!

E o Tibúrcio falou:
- E o pior, ô Zé, é que nessa garrafinha tinha um preparado com leite de magnésio! Ocê vai limpa as tripa tudo sô! Mas vai pensá milhó antes de falá mentira, né Zé?!

E cairam todos na risada. O pobre do Zé da Prosa passou a noite visitando o banheiro. Era uma correria prá lá e prá cá, a noite inteira. Era de dar dó o coitado gemendo de tanto fazer força. O Tibúrcio pensou que ele aprenderia a lição.

Aprendeu? Que nada! Alguns dias depois o Tibúrcio surpreendeu o Zé, numa roda de amigos, lá na pracinha da cidade, contando o caso:
_ ... Pois é gente, ocêis pode aquerditá. Eu tomei veneno de matá cobra, dessas bruta que tem por aí e num murri. Eu tinha um remedinho dos bão comigo. É um preparado de raíz que eu fiz, que cura quarqué coisa. O causo acunteceu assim...

O Tibúrcio balançou negativamente a cabeça, e apressou o passo resmungando:
- É... Esse num tem conserto mesmo!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Nostalgia pedagógica




Construímos o aprendizado num plano de relações efetivas e afetivas, mediado por mestres, cuja memória ainda pulsa firme em nossas vidas, colocando-se como referenciais do "SER". O legado de nossos mestres é constituído por atitudes assim, de admiração, respeito, carinho, reconhecimento, agradecimento, reverência, amizade, verdade e, com certeza, exemplo. Já dizia Confúcio, há centenas de anos: “Conte-me, e eu vou esquecer; mostre-me, e eu vou lembrar; envolva-me, e eu vou entender”.


A ação de educar, por vezes, confunde-se, metaforicamente, ao plantio de uma árvore gigantesca, centenária, que nossos olhos veem crescer, mas não sabemos se verão florir nas próximas primaveras.Todavia, não hesitamos em semeá-las em cenários futurísticos, resultantes de nossa crença no ser humano, na otimização da sociedade e na consolidação de um mundo melhor, de pessoas melhores, que nunca mais serão as mesmas, porque criarão em si uma nova consciência e compreensão do pleno exercício da liberdade e da cidadania.


E o ato pedagógico que se evidencia no cotidiano não é tarefa fácil, posto que, exige disponibilidade constante, aceitação, capacidade de abertura a si próprio e a outrem e mais, exige compreensão do outro, como pessoa e enquanto coletividade. É portanto um ato de profunda relação de fé e afetividade, onde as relações educacionais impõem a cada instante, uma permanente predisposição para o aprender-ensinar e para o ensinar-aprender. E será sempre assim, sem dúvida alguma, nessa constância de propósitos, servidos à luz da verdade e lealdade, que a excelência do que somos e fazemos se revelará reconhecida. E assim ressignificar... E assim transformar...