sexta-feira, 17 de junho de 2016

Cumplicidade

Meus Rabiscos


Pois é... Remexer em arquivos dá nisso! Vasculhar arquivos é relembrar o tempo ido... O que é impressionante é que a poesia não se envelhece nunca e os rabiscos, um dia lançados a ermo, de repente são resignificados, ganham outros contornos, permitem outros voos, que não assombram... ao contrário, permanecem convidativos.

Numa dessas "remexidas" resgatei um texto construido, talvez por outro cara, ou quem sabe, pelo mesmo cara que ainda mora nesta alma de caminheiro. Eis o texto, que já nem me lembro de quando e como, mas que à época chamei de "Cumplicidade Virtual":


O ato da indagação supõe ousadas vontades travestidas de incertezas 

e incólumes desejos,
ambas as coisas, nascidas do sonho vivido.

Sonho que, inerte, pergunta se vale o caminhar...
Se o caminho existe...
Se espinhos são oferecidos...
Se pés descalços merecem o chão...
Se o caminheiro não é virtual...
Tão somente virtual...

Nesse íntimo e sombrio solilóquio,

ainda matizado pela virtualidade,
manifesta-se a euforia que não ressente o medo...
Que imagina a face, mas não vê o olhar...
Que toca os lábios, mas não ouve os sussurros...
Que se deleita na pele suave, mas não mergulha na alma...

É quando então ressurgirmos e junto carregamos o medo.
Medo de ousar...
De viver...
De pertencer...
De permitir-se...
De encontrar e desencontrar...

Medo do sonho ser verdade e da virtualidade, 

ainda que desconhecida a incompletude, 
faça repousar, insana, a vida em frenesi.

Só uma palavra então é permitida à imensidão dos olhos,

ao sussurro da voz e aos inquietos gestos de busca: 
ENCANTAMENTO!!

Já não há medo!

Já sou cúmplice do jeito de andar!!



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