sábado, 26 de julho de 2014

Diálogo em Serviço



Mãos de luz

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O discípulo, recém-vindo ao cenáculo da prece, ouviu comentários em torno das lições e exemplos do Cristo, e exclamou, eufórico, na oração que foi convidado a pronunciar:

Senhor, o meu coração freme de alegria ao aceitar-te!... Agora, Amado Jesus, peço que me aceiteis, doando-me algum encargo em teu serviço!...

O novo aprendiz, sufocado de lágrimas, nada mais conseguiu dizer.

Desde aquele instante, começou vida nova. Carregava as horas repletas de atividade, relacionando compreensão humana e trabalho beneficente.

Os dias correram sobre os dias, somando muito tempo, até que, em certa noite, ao recolher-se, exausto, viu-se fora do corpo físico, à frente de Jesus que lhe sorria. O servidor ajoelhou-se e exclamou, sensibilizado:

Senhor, envergonho-me por nada te oferecer. Entreguei-me debalde em tuas mãos. Das tuas sementes de amor que espalhei, nenhuma conseguiu germinação. Falei de ti aos que sofriam e raramente não amarguei reações de revolta e desespero; em teu nome, procurei os homens de inteligência e apenas tive deles manifestações de ironia vestidas de belas palavras; apelei para as pessoas robustas e contentes da vida rogando abraçassem os infelizes e obtive promessas de cooperação que até hoje não apareceu; conversei com os irmãos ofendidos sobre o perdão, solicitando-lhes tolerância para com os agressores e, conquanto muitos movimentassem os lábios dizendo que desculpavam as afrontas recebidas, vi, no fundo de suas almas, as chagas de ressentimento a lhes corroerem as forças do coração; insisti com amigos queridos de passagem por tuas oficinas de boas obras para que permanecessem fiéis às tuas esperanças e desertaram, desalentados, descrevendo-te das promessas.... Que fazer, Senhor, se planto os teus ensinamentos, sem qualquer resultado?

Jesus afagou-lhe a fronte e falou compassivo:


Amigo, continua servindo e não temas. Onde viste o lavrador que deitasse as sementes na terra e as visse germinar, no mesmo instante? O serviço que te confiei é aquele mesmo que o Pai me deu a fazer... Nenhum gesto de bondade e nenhuma palavra de amor se perdem na construção do Reino do Bem Eterno...

O aprendiz retornou ao corpo que o descanso restaurava mas, claramente desperto, ainda ouviu as palavras do Mestre que concluía:

Continuaremos a compreender e a servir, a amar e a semear... Deus, Nosso Pai, sabe onde, como e quando fazer o resto.


Extraído do Livro: Palavras do Coração

Médium: Francisco Cândido Xavier

Espírito: Meimei

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