segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Preocupações Educacionais

Meus Rabiscos



O sistema educacional brasileiro, antagônico e fragmentado, que impera e predomina “patrioticamente” na prática das ações de sala de aula, é sem dúvida alguma o grande responsável pela acentuada desvalorização do educador.


O professor tornou-se apenas o coadjuvante de pouca significância, perdendo sua importância social, técnica e política, ante a modernidade globalizante, resultado de paradigmas traçados ao sabor da inculcação hegemônica e dominante, num país que ainda se arrasta rumo a propostas efetivamente sérias e inovadoras.


Aliada a esta circunstância político-ideológica, numa relação de mútua interdependência, coloca-se a questão da precariedade das condições de trabalho dos profissionais de educação. É lamentável este quadro caótico, de desrespeito, de desvalorização, de baixa remuneração  e de condições mínimas de dignidade.


E o educador resigna-se, ante à pressão, mas aceita o simples papel de executar os planejamentos tecnocráticos, formulados pela insensatez dos olhos fechados à realidade.


Por outro lado, o hábito de transferir ao educador toda culpa e responsabilidade pelo fracasso da educação nacional, constitui-se então desculpa “esfarrapada” de uma elite mercenária do saber, que fustiga e oprime quaisquer levantes coletivizados que ousem erguer-se nesse confronto social.


O reflexo é imediato nas relações pedagógicas traçadas no interior da sala de aula. Ali as deturpações são espantosas, onde vivências coercitivas redundam na formação carregada de estereótipos e fragilidades. O educando, na sua inocência, ao ler as questões sociais, o fará na intensidade do saber “recebido”, visto que esta leitura indubitavelmente depende da qualidade da visão educacional construída e  a educação tem como arcabouço os valores culturais que regem a sociedade.


Urge mudanças. “A boa relação pedagógica que resulta em verdadeiro aprendizado, em autonomia moral e cognitiva para os ocupantes dos  dois pólos da relação, depende das relações democráticas, de respeito mútuo, de cooperação e não de dominação”(FREITAG, Barbara). Caso contrário, haveremos de sofrer intermitentes avanços e retrocessos, súbitas conquistas e derrocadas, pois a inconsistência das ações está pautada à subserviência, à submissão, no sentido de classe desencontrada e competitiva. É preciso pois libertar-se da tutela do sistema e do próprio individualismo.


As preocupações e questionamentos são salutares à dinamicidade que a educação requer; são imprescindíveis para uma retomada de consciência e revalorização do educador, de cuja formação depende as transformações.


A questão da formação perpassa pois todos os ângulos abordados, numa gestação contínua, fazendo “vidas” cada dia mais indagadoras e em busca de uma possível completude. Que nunca virá, mas será perenemente buscada.


É por isso que Rubem Alves diz que  “a tarefa do professor não é produzir, mas seduzir”.


Que haja então sedução!!


Texto elaborado na disciplina PMTSE. Curso Pedagogia. Anos 96/97.

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