quarta-feira, 5 de julho de 2017

A Galinha Afetuosa



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Gentil galinha, cheia de instintos maternais, encontrou um ovo de regular tamanho e espal­mou as asas sobre ele, aquecendo-o carinhosa­mente. De quando em quando, beijava-o, enter­necida. Se saia a buscar alimento, voltava apressada, para que lhe não faltasse calor vitalizante. E pensava, garbosa:
Será meu pintainho! será meu filho!

Em formosa manhã de céu claro, notou que o filhotinho nascia, robusto.

Criou-o, com todos os cuidados. No entanto, em dourado crepúsculo de verão, viu-o fugir pelas águas de um lago, sobre as quais deslizava contente. Chamou-o, como louca, mas não obteve resposta. O bichinho era um pato arisco e fujão.

A galinha, desalentada por haver chocado um ovo que lhe não pertencia à família, voltou muito triste, ao velho poleiro; todavia, decorrido algum tempo e encontrando outro ovo, repetiu a experiência.

Nova criaturinha frágil veio à luz. Protegeu-a, com ternura, dedicou-se ao filho com todas as forças, mas, em breve, reparou que não era um pintainho qual fora, ela mesma, na infância. Tratava-se dum corvo esperto que a deixou em doloroso abatimento, voando a pleno céu, para juntar-se aos escuros bandos de aves iguais a ele.

A desventurada mãe sofreu muitíssimo. Entretanto, embora resolvida a viver só, foi surpreendida, certo dia, por outro ovo, de delicada feição. Recapitulou as esperanças maternas e chocou-o. Dentro em pouco, o filhote surgia. A galinha afagou-o, feliz, mas, com o transcurso de algumas semanas, observou que o filho já crescido perseguia ratos à sombra. Durante o dia, dava mostras de perturbado e cego; no entanto, em se fazendo a treva, exibia olhos coruscantes que a amedrontavam. Em noite mais escura, fugiu para uma torre muito alta e não mais voltou. Era uma coruja nova, sedenta de aventuras.

A abnegada mãe chorou amargamente. Porém, encontrando outro ovo, buscou ampará-lo. Aninhou-se, aqueceu-o e, findos trinta dias, veio à luz corpulento filhote. A galinha ajudou-o como pôde, mas, em breve, o filho revelou crescimento descomunal. Passou a mirá-la de alto a baixo. Fez-se superior e desconheceu-a. Era um pavãozinho orgulhoso que chegou mesmo a maltratá-la.

A carinhosa ave, dessa vez, desesperou em definitivo. Saiu do galinheiro gritando e dispunha-se a cair nas águas de rio próximo, em sinal de protesto contra o destino, quando grande galinha mais velha a abordou, curiosa, a indagar dos motivos que a segregavam em tamanha dor.

A mísera respondeu, historiando o próprio caso. A irmã experiente estampou no olhar linda expressão de complacência e considerou, cacarejando:

— Que é isto, amiga? não desespere. A obra do mundo é de Deus, nosso Pai. Há ovos de gansos, perus, marrecos, andorinhas e até de sapos e serpentes, tanto quanto existem nossos próprios ovos. Continue chocando e ajudando em nome do Poder Criador; entretanto, não se prenda aos resultados do serviço que pertencem a Ele e não a nós, mesmo porque a escada para o Céu é infinita e os degraus são diferentes. Não podemos obrigar os outros a serem iguais a nós, mas é possível auxiliar a todos, de acordo com as nossas possibilidades. Entendeu? 
A galinha sofredora aceitou o argumento, resignou-se e voltou, mais calma, ao grande parque avícola a que se filiava.

O caminho humano estende-se, repleto de dramas iguais a este. Temos filhos, irmãos e parentes diversos que de modo algum se afinam com as nossas tendências e sentimentos. Trazem consigo inibições e particularidades de outras vidas que não podemos eliminar de pronto. Estimaríamos que nos dessem compreensão e carinho, mas permanecem imantados a outras pessoas e situações, com as quais assumiram inadiáveis compromissos. De outras vezes, respiram noutros climas evolutivos.

Não nos aflijamos, porém. A cada criatura pertence a claridade ou a sombra, a alegria ou a tristeza do degrau em que se colocou.

Amemos sem o egoísmo da posse e sem qual­quer propósito de recompensa, convencidos de que Deus fará o resto.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Alvorada Cristã. Ditado pelo Espírito Neio Lúcio. FEB
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segunda-feira, 19 de junho de 2017

A Viagem de Trem


Metáfora
 Dia desses, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem.  Uma comparação extremamente interessante, quando bem interpretada.
 
Interessante, porque nossa vida é como uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis com alguns embarques e de tristezas com os desembarques... 


Quando nascemos, ao embarcarmos nesse trem, encontramos duas pessoas que, acreditamos que farão conosco a viagem até o fim: nossos pais. Não é verdade. Infelizmente, em alguma estação, eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinho, proteção, amor e afeto. Mas isso não impede que, durante a viagem, embarquem pessoas interessantes que virão ser especiais para nós: nossos irmãos, amigos e amores.


Muitas pessoas tomam esse trem a passeio. Outras fazem a viagem experimentando somente tristezas. E no trem há, também, outras que passam de vagão em vagão, prontas para ajudar quem precisa.


Muitos descem e deixam saudades eternas. Outros tantos viajam no trem de tal forma que, quando desocupam seus assentos, ninguém sequer percebe.


Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso.Isso nos obriga a fazer essa viagem separados deles. Mas isso não nos impede de, com grande dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles. O difícil é aceitarmos que não podemos sentar ao seu lado, pois outra pessoa estará ocupando esse lugar.


Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques.  Sabemos que esse trem jamais volta.


Façamos essa viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajeto poderão fraquejar, e, provavelmente, precisaremos entender isso.


Nós mesmos fraquejamos algumas vezes. E, certamente, alguém nos entenderá. O grande mistério é que não sabemos em qual parada desceremos. E fico pensando: quando eu descer desse trem sentirei saudades? Sim.


Deixar meus filhos viajando sozinhos será muito triste. Separar-me dos amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será para mim dolorido.Mas me agarro na esperança de que, em algum momento, estarei na estação principal, e terei a emoção de vê-los chegar com sua bagagem, que não tinham quando embarcaram.


E o que me deixará feliz é saber que, de alguma forma, eu colaborei para que
essa bagagem tenha crescido e se tornado valiosa.


Agora, nesse momento, o trem diminui sua velocidade para que embarquem e desembarquem pessoas. Minha expectativa aumenta, à medida que o trem vai diminuindo sua velocidade...


Quem entrará? Quem sairá?


Eu gostaria que você pensasse no desembarque do trem, não só como a representação da morte, mas, também, como o término de uma história, de algo que duas ou mais pessoas construíram e que, por um motivo ínfimo, deixaram desmoronar.


Fico feliz em perceber que certas pessoas como nós, têm a capacidade de reconstruir para recomeçar.


Isso é sinal de garra e de luta, é saber viver, é tirar o melhor de "todos os passageiros". Agradeço muito por você fazer parte da minha viagem, e por mais que nossos assentos não estejam lado a lado, com certeza, o vagão é o mesmo.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Coisas de Atleticano



Humor
Miau
Diz o vilanovense zoófilo:
—E aí? Vamos transar com um gato!
Então diz o cruzeirense sádico:
—Vamos transar com um gato e depois torturá-lo!
E diz o americano assassino:
—Vamos transar com um gato, torturá-lo e depois matá-lo!
Diz o ipatinguense necrófilo:
— Vamos transar com um gato, torturá-lo e depois matá-lo e depois transamos  com ele outra vez!
E diz o tupizense piromaníaco:
— Vamos transar com um gato, torturá-lo e depois matá-lo e depois transamos com ele outra vez e colocamos fogo nele!
Segue um silêncio, todos olham para o atleticano masoquista e perguntam:
— E aí?
E diz o Atleticano:
—Miaaauuuu!!!


Pesadelo Terrível
Um pesadelo terrível. No pesadelo, me levanto da cama e me olho no espelho e descubro que sou vesgo. Procuro freneticamente nos bolsos, para ver minha foto na identidade, para ver se na foto sou realmente daquele jeito, e acho um passaporte, e descubro... que sou argentino. Não pode ser, meu Deus, e me sento inconsolável em uma cadeira. 

Mas que porra! É uma cadeira de rodas, o que significa que além de ser vesgo e argentino sou também deficiente físico! 

É impossível, digo para mim mesmo, que eu seja vesgo, argentino e deficiente físico... "Pois é verdade!", grita uma voz atrás de mim. É o meu namorado. Cacete! Sou também viado. "Foi você que pegou a minha seringa?" Ó Deus! Vesgo, argentino, deficiente físico, viado, viciado e soropositivo! Desesperado começo a gritar, a chorar, a arrancar os cabelos e...não!! Sou careca! Toca o telefone. É meu irmão: "desde quando mamãe e papai morreram você só faz se entupir de drogas, vagabundeando o dia inteiro! Procura um emprego, arranja algum trabalho!" Que merda, descubro que também sou desempregado!!! Tento explicar ao meu irmão que é difícil encontrar trabalho quando se é vesgo, argentino, deficiente físico, viado, viciado, soropositivo, careca e órfão, mas não consigo, porque... porque sou gago!! 

Transtornado, desligo o telefone, com a única mão que tenho, e com lágrimas nos olhos, vou até a janela olhar a paisagem. Milhões de barracos ao meu redor. Sinto uma punhalada no marca-passo: além de vesgo, argentino, deficiente físico, viado, viciado, soropositivo, careca, órfão, gago, maneta e cardíaco, sou também favelado. Nesse momento volta o meu namorado e diz: "Amor, vai começar o jogo do Atlético!" 

Ahh nãaoo!! Tinha de ser isso?!!!! Gaylo?! Atrético, NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOO!!!!!!!!!!