segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Conselhos para Mudar



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Mudar...
Mude, mas comece devagar,

porque a direção é mais importante que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.

Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.

Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,

calmamente,

observando com atenção os lugares por onde você passa.

Tome outros ônibus.

Mude por uns tempos o estilo das roupas.

Dê os teus sapatos velhos.

Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia,

ou no parque,

e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...

depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de tv,

compre outros jornais...

leia outros livros,

Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida.

Ame a novidade.

Durma mais tarde.

Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.

Corrija a postura.

Coma um pouco menos,

escolha comidas diferentes,

novos temperos, novas cores,

novas delícias.

Tente o novo todo dia.

o novo lado,

o novo método,

o novo sabor,

o novo jeito,

o novo prazer,

o novo amor.

a nova vida.

Tente.

Busque novos amigos.

Tente novos amores.

Faça novas relações.

Almoce em outros locais,

vá a outros restaurantes,

tome outro tipo de bebida,

compre pão em outra padaria.

Almoce mais cedo,

jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado...

outra marca de sabonete,

outro creme dental...

tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores.

Vá passear em outros lugares.

Ame muito,

cada vez mais,

de modos diferentes.

Troque de bolsa,

de carteira,

de malas,

troque de carro,

compre novos óculos,

escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios,

quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco.

Vá a outros cinemas,

outros cabeleireiros,

outros teatros,

visite novos museus.

Mude.

Lembre-se de que a Vida é uma só.

E pense seriamente em arrumar um outro emprego,

uma nova ocupação,

um trabalho mais light,

mais prazeroso,

mais digno,

mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre,

invente-as.

Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,

longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas.

Troque novamente.

Mude, de novo.

Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores

e coisas piores do que as já conhecidas,

mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança,

o movimento,

o dinamismo,

a energia.

Só o que está morto não muda!

Repito por pura alegria de viver:

a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!


Clarice Lispector

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Aprender com atenção



Humor

Médico Cubano
Numa faculdade de medicina, o professor diz: 

- Os médicos têm que aprender duas coisas importantes:
1º - Ter muita atenção; 2º - Nem um pouco de nojo. Por isso, vamos fazer um teste. 

Trouxeram um cadáver e o professor enfiou o dedo no ânus do morto, lambeu tudinho e mandou todos fazerem o mesmo. 

Todos se entreolharam, com cara de nojo, mas fizeram o mesmo. 

Depois que todos lamberam o dedo, o professor disse: 

- Ótimo! Nojo vocês não têm. Agora só falta a atenção, pois eu enfiei um dedo e lambi outro.

domingo, 3 de agosto de 2014

Êxtase

Meus Rabiscos


Há um instante...
Uma miragem no horizonte...
Uma paixão estonteante...
Um coração esvoaçante...

Uma boca rósea... intrigante
Um corpo solto... elegante
Seios firmes... provocante
Jeito doce... insinuante

Passos lentos... avante
Quadris ao fogo... requebrante
Coxas lisas... delirante
Olhar malicioso... perturbante

Língua molhada... amante
Lábios suados... instigante
Batom desmanchado... insignificante
Corpos juntos... uma constante

Sussurros loucos... distante
Movimentos bêbados... viajante
Peles se encontrando... alucinante
Êxtase... Foi o instante!!




Publicado originalmente em 17 de junho de 2010

quarta-feira, 30 de julho de 2014

O Poder da Prece



Metáfora
Prece

Uma pobre senhora, com visível ar de derrota estampado no rosto, entrou num armazém, se aproximou do proprietário conhecido pelo seu jeito grosseiro, e lhe pediu fiado alguns mantimentos.


Ela explicou que o seu marido estava muito doente, que não podia trabalhar e que tinha sete filhos para alimentar.


O dono do armazém zombou dela e pediu que se retirasse do seu estabelecimento.Pensando na necessidade da sua família ela implorou:


—Por favor senhor, eu lhe darei o dinheiro assim que eu tiver...


Ele prontamente respondeu que ela não tinha crédito e nem conta na sua loja.


Em pé, no balcão ao lado, um freguês, que assistia a conversa entre os dois, se aproximou do dono do armazém e lhe disse que ele deveria dar o que aquela mulher necessitava para a sua família, por sua conta.


Então o comerciante falou meio relutante, mas também em tom sarcástico para a pobre mulher:


—Você tem uma lista de mantimentos?


—Sim. — Respondeu ela .


—Muito bem, coloque a sua lista na balança e o quanto ela pesar, eu lhe darei em mantimentos.


A pobre mulher hesitou por uns instantes e, com a cabeça curvada, retirou da bolsa um pedaço de papel, escreveu alguma coisa e o depositou suavemente na balança.


Os três ficaram admirados quando o prato da balança com o papel desceu e permaneceu embaixo.


Completamente pasmado com o marcador da balança, o comerciante virou-se lentamente para o seu freguês e comentou contrariado:


— Eu não posso acreditar!


O freguês sorriu e o homem começou a colocar os mantimentos no outro prato da balança.


Como a escala da balança não equilibrava, ele continuou colocando mais e mais mantimentos até não caber mais nada.


O comerciante ficou parado ali, por uns instantes, olhando para a balança, tentando entender o que havia acontecido.


Finalmente, ele pegou o pedaço de papel da balança e ficou espantado pois não era uma lista de compras e sim uma oração que dizia: "Meu Senhor, o senhor conhece as minhas necessidades e eu estou deixando isto em suas mãos..."


O homem deu as mercadorias para a pobre mulher, no mais completo silêncio. Ela agradeceu e deixou o armazém.


O freguês pagou a conta e disse:


— Valeu cada centavo!


Só mais tarde o comerciante pode reparar que a balança havia quebrado, entretanto, só Deus sabe o quanto pesa uma prece... Foi a lição aprendida naquele dia!