sábado, 14 de maio de 2016

Amor em certa idade...

 Humor
Início de inverno, temperatura começando a cair e um casal de velhinhos deitado na cama...

A esposa, nada satisfeita com a distância entre eles, querendo um pouco de aconchego, faz lembrar ao marido:
— Quando éramos jovens você costumava segurar a minha mão na cama...

Ele hesita um pouco e, depois de alguns resmungos, em breves momentos, estica o braço e segura a mão da esposa.

Ela, por sua vez, não se dá por satisfeita. Queria mais.

— Quando éramos jovens você costumava ficar bem pertinho de mim. Bem encostadinho no meu corpo...

Uma hesitação um pouco mais prolongada dessa vez... Resmungos mais altos e caretas com olhares de reprovação, mas lá foi ele atender ao pedido. Virou o corpo com certa dificuldade e alguns gemidos doloridos, mas depois de algum tempo se aconchegou bem mais perto, deixando o corpo bem encostadinho no da mulher.

Ela, ainda insatisfeita, mas já constatando o sucesso nos pedidos anteriores, foi logo cutucando de vez o pobre marido:

— Quando éramos jovens você costumava mordiscar suavemente a minha orelha...

Ele dá um longo suspiro, resmunga coisas incompreensíveis, joga a coberta de lado, se senta, calça a pantufa e sai da cama andando lentamente...

Ela se sente ofendida e abandonada. Fala então com voz chorosa:

— Onde você vai, meu bem?!!

E ele responde, nada romântico:

— Vou buscar a minha dentadura, porra!!!!!!!



domingo, 8 de maio de 2016

Verdade

Outros Autores
A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta.
Chegaram a um lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em duas metades,
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 30 de abril de 2016

Indignação: politiquice fétida e putrefata


É tanta canalhice no meio político; é tanta politiquice da mais fétida espécie; é tanto bandido se passando por paladino da justiça; é tanta roubalheira sem trégua; é tanta gente sofrendo misérias por conta desses “engomadinhos engravatados”; é tanta gente assaltada na sua já combalida cidadania, que eu chego a pensar que o voto ainda está encabrestado na ausência de discernimento, maturidade e criticidade e, por isso mesmo, pouco ou quase nada vale. 

Esses larápios da cidadania, iletrados políticos, ignóbeis farsantes em busca de holofotes, mercenários defensores dos próprios interesses e, aos nossos olhos, de outros os mais escusos, não se envergonham mais das canalhices, não se envergonham mais das imbecilidades que dizem, não se envergonham mais da "babaquice" que propagam... Não se envergonham porque o incauto cidadão se conforma, ainda aceita, ainda aplaude, ainda troca favores, ainda se "ajeita" em benesses, ainda não aprendeu a escolher... Ainda confunde representatividade com favorecimentos outros...

Então penso que o voto deve vestir-se de revolução e, quem sabe, somado aos votos de outros tantos indignados, gritar em alto e bom som: BASTA! Penso, por vezes, que se o país sofrer o colapso do voto nulo, talvez os larápios e gatunos possam ser lançados ao esgoto putrefato, de onde não deviam jamais ter saído. Talvez, quem sabe...  

A esperança que nos acalenta, nessa estrada solitária, insiste fazer acreditar que a consciência de voto um dia chegue... um dia desembarque na cidadania. E, quem sabe assim, se aprenda a escolher, se aprenda a "detonar" politiqueiros e gatunos fantasiados... quem sabe assim, se aprenda de fato a autonomia do cidadão... quem sabe assim, se aprenda um pouco mais de patriotismo, de "Brasilidade".

Estou tão indignado que concordo, hoje, plenamente, com Rui Barbosa.